Além de comprometer o funcionamento do sistema de esgotamento sanitário, os extravasamentos podem provocar o contato do esgoto não tratado com o ambiente, afetando as condições sanitárias de espaços públicos e aumentando a possibilidade de poluição de córregos e outros corpos d'água. Por isso, o uso correto da rede, aliado aos serviços contínuos de operação e manutenção, é fundamental para proteger a saúde da população e o meio ambiente.

Para prevenir ocorrências e contribuir para a eficiência operacional, a Ambiental MS Pantanal realiza serviços contínuos de manutenção preventiva e desobstrução das redes nos 68 municípios atendidos pela concessionária em Mato Grosso do Sul.

De janeiro a até o início de novembro de 2026, as equipes realizaram aproximadamente 4.853 manutenções preventivas nas redes e ligações de esgoto, além de 1.229 limpezas preventivas nas Estações Elevatórias de Esgoto (EEEs), estruturas responsáveis por bombear o esgoto de áreas mais baixas para pontos de maior elevação, permitindo sua continuidade pelo sistema até as estações de tratamento.

No mesmo período, foram registradas mais de 11,3 mil desobstruções na rede coletora. Entre os municípios com maior número de atendimentos estão Três Lagoas, com 2.203 ocorrências, Dourados, com 1.914, e Bonito, com 570.

Descarte incorreto pode provocar entupimentos

Entre os materiais encontrados pelas equipes durante os serviços de manutenção estão resíduos que não deveriam ser descartados nas tubulações, como óleo de cozinha, restos de alimentos, embalagens plásticas, tecidos, absorventes, fraldas e fios de cabelo.

O coordenador de Serviços da Ambiental MS Pantanal, Rubens Calixto, explica que esses materiais podem se acumular no interior das tubulações, dificultando a passagem do esgoto e contribuindo para obstruções e extravasamentos.

“É importante que a população tenha atenção ao que descarta nas pias, ralos e vasos sanitários. Materiais como óleo de cozinha, restos de alimentos, plásticos, panos, absorventes, fraldas e outros resíduos podem provocar entupimentos e comprometer o funcionamento da rede. O descarte correto é uma atitude simples que ajuda a prevenir transtornos”, orienta.

O coordenador reforça que a rede coletora deve receber o esgoto gerado nas atividades domésticas, proveniente de instalações como vasos sanitários, pias, chuveiros, tanques e máquinas de lavar, respeitadas as condições adequadas de ligação.

Além dos impactos operacionais, o descarte irregular pode contribuir para situações de risco ambiental. Quando as tubulações ficam obstruídas e ocorre o extravasamento, o esgoto pode atingir ruas, calçadas e áreas próximas a dispositivos de drenagem, aumentando a possibilidade de transporte de matéria orgânica, microrganismos e outros poluentes para o solo e os corpos hídricos.

Ligações irregulares agravam ocorrências durante as chuvas

Outro fator que pode comprometer o funcionamento do sistema é a conexão indevida de tubulações destinadas à drenagem da água da chuva à rede coletora de esgoto.

Embora integrem o saneamento básico, os dois sistemas possuem finalidades distintas. A drenagem pluvial é responsável pelo manejo e escoamento das águas das chuvas, enquanto a rede coletora recebe e transporta o esgoto até as estações de tratamento, onde passa por processos destinados à remoção de poluentes antes do lançamento do efluente tratado no meio ambiente, conforme as condições e os padrões ambientais aplicáveis.

Quando a água das chuvas é direcionada irregularmente para a rede coletora, o volume recebido pode ultrapassar sua capacidade hidráulica, aumentando o risco de extravasamentos e de retorno do esgoto em pontos vulneráveis do sistema.

Rubens Calixto destaca que a atenção às instalações hidráulicas dos imóveis também é fundamental para evitar essas situações.

“Quando a água da chuva é direcionada para a rede de esgoto, o sistema pode receber um volume muito superior àquele para o qual foi dimensionado. Por isso, além do descarte correto dos resíduos, é fundamental que os imóveis tenham suas instalações adequadas, mantendo separadas as redes de esgoto e de drenagem pluvial”, explica.

Essas ocorrências podem representar riscos à saúde pública e ao meio ambiente. O contato com o esgoto não tratado pode favorecer a exposição a agentes causadores de doenças, enquanto o lançamento acidental de poluentes no ambiente pode comprometer a qualidade da água, afetar ecossistemas aquáticos e prejudicar os diferentes usos dos recursos hídricos.

Cuidado com a rede também é proteção ambiental

A Ambiental MS Pantanal reforça que a conservação da infraestrutura de esgotamento sanitário depende de ações contínuas de operação e manutenção, aliadas ao uso adequado das instalações pela população.

Entre os cuidados recomendados estão evitar o descarte de resíduos nas pias e nos vasos sanitários, realizar a limpeza periódica das caixas de gordura, encaminhar o óleo de cozinha usado para pontos de coleta apropriados e impedir que a água da chuva seja direcionada à rede de esgoto.

Essas atitudes contribuem para reduzir a ocorrência de obstruções e extravasamentos, favorecendo o encaminhamento do esgoto até as estações de tratamento. Ao reduzir o lançamento de esgoto sem tratamento no ambiente, o funcionamento adequado do sistema contribui para a preservação da qualidade dos recursos hídricos e das condições ambientais dos municípios.

O diretor-executivo da Ambiental MS Pantanal e da Águas Guariroba, Clayton Bezerra, destaca que a participação da população é fundamental para preservar os benefícios dos investimentos em saneamento.

“O avanço do saneamento representa mais saúde, qualidade de vida e proteção ambiental. Além dos investimentos em infraestrutura e do trabalho permanente das nossas equipes, o uso correto da rede é fundamental para que o sistema funcione adequadamente. São cuidados simples, que fazem diferença na prevenção de ocorrências e na preservação dos recursos hídricos”, ressalta.

A Ambiental MS Pantanal trata aproximadamente 105 milhões de litros de esgoto por dia. O tratamento contribui para reduzir a carga de poluentes lançada nos corpos hídricos, favorecendo a proteção dos rios e córregos e a manutenção das condições ambientais necessárias aos diferentes usos da água.

Sobre a Ambiental MS Pantanal

A Ambiental MS Pantanal integra a Aegea Saneamento, grupo presente em 892 municípios de 15 estados brasileiros. Atualmente, Mato Grosso do Sul alcança 82% de cobertura de esgotamento sanitário.

No interior do Estado, a Ambiental MS Pantanal atua por meio da Parceria Público-Privada (PPP) firmada com a Sanesul, sendo responsável pelos serviços de coleta, afastamento e tratamento de esgoto em 68 municípios, onde a cobertura chega a 81,2%.

Em Campo Grande, a Aegea está presente por meio da Águas Guariroba, responsável pelos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário da Capital, que atualmente alcança 95% de cobertura de esgoto.