Mauro de Almeida/TV Morena

Em meio à crise do Ueno Bank, agências foram fechadas e policiais reforçaram a segurança em frente a uma das unidades em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que fica na região de fronteira com o Brasil. A situação deixou clientes sem acesso ao dinheiro e ocorre em meio à pressão política que levou o presidente do Paraguai, Santiago Peña, a anunciar a renúncia nesta quinta-feira (5).

Equipes da TV Morena, afiliada Globo em Mato Grosso do Sul, registraram policiais paraguaios fortemente armados posicionados em frente à agência do Ueno Bank em Pedro Juan Caballero.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp

Na porta da unidade, um aviso informa o fechamento com a mensagem: “Clausurado – Resolución BCP”, que significa “Interditado – Resolução do Banco Central do Paraguai”.

Agência do Ueno Bank fechada em Pedro Juan Caballero.

Nádia Nicolau/TV Morena

Na cidade paraguaia que fica ao lado de Ponta Porã (MS), clientes e pessoas que trabalham nas proximidades acompanham o fechamento das unidades. O auxiliar administrativo Elias Ruiz, que trabalha em uma universidade de medicina em frente a uma das agências, relata que apreensão com o retorno do dinheiro investido no banco há dois anos.

Ele contou que percebeu uma grande movimentação de clientes na segunda-feira (2). Na manhã de terça-feira (3), por volta das 7h, viu quando a agência foi fechada.

“Foi imprevisto, né? Nada acreditava no que passava aqui no Paraguai. Está ruim a coisa, está difícil.”

Ruiz disse que não esperava que a situação chegasse a esse ponto. Segundo ele, os clientes ainda aguardam orientações sobre como poderão recuperar ou movimentar o dinheiro. “Não, não era esperado. Depois que houve o problema aqui com o banco, aconteceu tudo.”

Crise bancária e renúncia do presidente

"Faço isso pensando na estabilidade do país", diz Peña ao renunciar no Paraguai

A crise do Ueno Bank começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai decidiu liquidar a instituição após identificar operações que comprometeram sua situação financeira.

O problema teve origem em empréstimos concedidos a empresas ligadas ao próprio banco. As operações comprometeram os recursos da instituição e deixaram milhares de correntistas sem acesso ao dinheiro.

Com as contas bloqueadas, clientes foram às ruas para cobrar a liberação dos valores. Em Assunção, capital do país, houve confrontos entre manifestantes e policiais.

A crise também provocou mudanças no governo e no Banco Central. O presidente da autoridade monetária, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo. Ele havia comandado o Ueno até agosto de 2023 e passou a ser alvo de críticas pela fiscalização da instituição.

O presidente Santiago Peña também foi pressionado por sua ligação com o banco. Ele foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025. A oposição acusa o presidente de ter sido conivente com irregularidades relacionadas à instituição.

Na manhã desta quinta-feira (5), o Congresso paraguaio iniciou os procedimentos para votar o impeachment de Peña e de seu vice, Pedro Alliana. Horas depois, o presidente apresentou uma carta de renúncia.

A Câmara dos Deputados, no entanto, decidiu dar continuidade ao processo de impeachment contra Peña, em votação unânime. Já o pedido de impeachment contra Alliana foi rejeitado, abrindo caminho para que ele assuma a Presidência.

Segundo Ariel Palacios, comentarista da GloboNews e especialista em América Latina, Peña tentou preservar o foro privilegiado ao anunciar a renúncia.

Pela Constituição paraguaia, ex-presidentes da República se tornam senadores vitalícios ao deixar o cargo. Essa condição garante prerrogativas parlamentares.

A oposição, porém, alertou que aceitar a renúncia poderia impedir que Peña fosse julgado pela Justiça comum por suspeitas relacionadas à crise bancária.

A Constituição do Paraguai estabelece que cabe ao Congresso aceitar ou rejeitar a renúncia do presidente e do vice-presidente.