# Ex-garçonete perde emprego e começa a passar embalagens de leite com ferro de roupa; 6 anos depois, sua oficina emprega cinco pessoas na Argentina

- Seção: Itatiba e Região
- Fonte: Tribuna de Jundiaí (https://tribunadejundiai.com.br/noticias/ex-garconete-perde-emprego-e-comeca-a-passar-embalagens-de-leite-com-ferro-de-roupa-6-anos-depois-sua-oficina-emprega-cinco-pessoas-na-argentina/)
- Publicado em: 2026-11-06T10:36:56.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1539406-ex-garconete-perde-emprego-e-comeca-a-passar-embalagens-de-leite-com-ferro-de

> Em 2020, com bares e restaurantes fechados pela pandemia, Constanza Aguirre Gómez perdeu o emprego de garçonete e ficou sem renda fixa. Ilustração criada com Inteligência Artificial

Uma mulher que perdeu o emprego durante a pandemia de Covid-19 encontrou uma maneira inesperada de reconstruir sua vida profissional: transformar embalagens de leite descartadas em mochilas, bolsas e outros acessórios.

Constanza Aguirre Gómez trabalhava como garçonete na Argentina quando, em 2020, o fechamento de bares e restaurantes interrompeu sua fonte de renda. Sem emprego, começou a experimentar uma técnica que utilizava um ferro de passar roupas para unir camadas de plástico.

Seis anos depois, a ideia se transformou na Cocomiel Sustentable, uma oficina localizada em Villa Ramallo, na província de Buenos Aires, que reúne cinco pessoas e ensina técnicas de reaproveitamento a outras mulheres da comunidade.

Demissão durante a pandemia mudou seus planos

Quando as atividades comerciais foram interrompidas em 2020, Constanza precisou encontrar uma alternativa para continuar trabalhando.

Sem experiência anterior na fabricação de mochilas recicladas, começou a pesquisar possibilidades de produzir itens que pudesse comercializar.

Sua primeira ideia foi confeccionar absorventes menstruais reutilizáveis, mas surgiu uma dificuldade: ela precisava de embalagens que acompanhassem a proposta de reduzir o descarte de materiais.

Foi nessa busca que descobriu técnicas para transformar sacolas e sachês de leite em uma espécie de tecido plástico.

Ferro de passar roupas virou ferramenta de trabalho

No início, Constanza utilizava um ferro doméstico para unir camadas de embalagens plásticas descartadas.

O processo envolvia limpar, secar e organizar os materiais antes de aplicar calor para formar uma superfície mais resistente.

Depois de algumas experiências, conseguiu produzir lâminas que podiam ser recortadas e costuradas.

O resultado abriu novas possibilidades: em vez de fabricar apenas embalagens para outros produtos, ela passou a utilizar o próprio plástico reciclado como matéria-prima de acessórios.

O que começou como uma solução improvisada acabou se tornando a principal atividade do empreendimento.

São necessários pelo menos 15 sachês para um acessório

Um dos detalhes mais curiosos está na quantidade de embalagens necessárias para fabricar cada peça.

Segundo Constanza, cada lâmina de material reciclado utiliza três sachês de leite. Um acessório pequeno exige, no mínimo, cinco dessas lâminas.

Isso significa que pelo menos 15 embalagens descartadas podem entrar na fabricação de um único produto .

Peças maiores, como determinadas mochilas, podem exigir uma quantidade superior, dependendo do tamanho e do modelo.

A conta ajuda a mostrar como embalagens consideradas lixo podem ser aproveitadas em novos objetos de uso cotidiano.

Técnica evoluiu para equipamento de aproximadamente 160 °C

Com o crescimento do negócio, a empreendedora substituiu o ferro doméstico por uma máquina utilizada em processos de sublimação.

O equipamento permite aplicar calor de maneira mais controlada às camadas de plástico, trabalhando com temperaturas próximas de 160 °C.

O material resultante é resistente à água e pode ser utilizado na fabricação de diferentes acessórios.

A oficina transforma as lâminas em mochilas, pochetes, carteiras e estojos escolares, combinando o material reaproveitado com itens de costura e acabamento.

Essa etapa exige técnica e equipamentos adequados, já que o aquecimento incorreto de determinados plásticos pode liberar vapores prejudiciais à saúde.

Oficina passou de uma para cinco pessoas

No começo, Constanza realizava sozinha as diferentes etapas de produção.

Ela precisava reunir embalagens, preparar o material, prensar, recortar e costurar cada peça.

Com o aumento da procura pelos acessórios, o empreendimento começou a crescer e outras pessoas passaram a integrar a rotina.

Atualmente, a Cocomiel Sustentable conta com cinco pessoas, incluindo a fundadora.

Em 2025, a empreendedora também conseguiu abrir um espaço próprio de trabalho e atendimento em Villa Ramallo.

Negócio também reaproveita roupas e calçados

A oficina não ficou limitada às embalagens de leite e às sacolas plásticas.

Com o tempo, passou a trabalhar com roupas de segunda mão, calçados e pequenos serviços de reparo.

A proposta é aproveitar materiais que ainda possuem utilidade, reduzindo a necessidade de substituí-los imediatamente por produtos novos.

Essa diversificação permite atender diferentes demandas e ampliar as possibilidades de trabalho dentro do espaço.

Ao mesmo tempo, o negócio continua utilizando os sachês de leite como uma de suas principais matérias-primas.

Moradores ajudam a fornecer as embalagens

Grande parte dos materiais utilizados chega por meio da colaboração de vizinhos, familiares e amigos.

As pessoas separam embalagens que normalmente seriam descartadas e as encaminham para a oficina.

Depois, os plásticos passam por preparação antes de serem transformados em novas peças.

Esse modelo de coleta ajuda a reduzir a necessidade de comprar matéria-prima convencional.

Entretanto, o processo depende de organização, porque os materiais precisam chegar em condições adequadas e ser preparados antes da produção.

Mulheres aprendem a técnica para buscar autonomia

Além de produzir acessórios, Constanza participa de atividades de capacitação com mulheres da comunidade.

O empreendimento trabalha em parceria com um grupo terapêutico ligado à Casa de la Mujer.

As participantes aprendem etapas como preparação do plástico, recorte, costura e apresentação dos produtos.

A iniciativa também acolhe mulheres e pessoas de outras identidades de gênero que enfrentam situações de violência, oferecendo oportunidades de convivência e desenvolvimento de habilidades.

O objetivo é que cada participante tenha mais ferramentas para construir suas próprias alternativas de renda.

Projeto participa de feira com possibilidade de troca

A atuação comunitária também envolve atividades realizadas em parceria com a Casa de la Mujer e a Casa de la Memoria.

Entre elas está uma feira de empreendedores que oferece oportunidades de venda e troca de produtos.

A iniciativa procura fortalecer a circulação de mercadorias produzidas localmente e criar espaços para pequenos negócios.

Para Constanza, compartilhar conhecimentos faz parte do propósito do empreendimento.

Ela entende que a experiência adquirida durante a própria dificuldade financeira pode ajudar outras pessoas a encontrar caminhos profissionais.

Empreendimento recebeu reconhecimento em 2025

A Cocomiel Sustentable conquistou o primeiro lugar em uma edição do programa municipal Raíces, criado para apoiar iniciativas produtivas.

Constanza também esteve entre as finalistas do Prêmio Mulher Empresária Bonaerense de 2025.

Os reconhecimentos deram visibilidade ao trabalho realizado em Villa Ramallo e à proposta de combinar produção artesanal com reaproveitamento de resíduos.

Apesar disso, a reportagem não apresenta valores de faturamento, lucro ou rendimento das pessoas que atuam na oficina.

Por isso, não é possível estimar quanto a empreendedora ganha atualmente.

Reaproveitar plástico não elimina todos os impactos ambientais

Transformar embalagens descartadas em produtos de maior duração é uma prática conhecida como upcycling , ou reaproveitamento com agregação de valor.

A técnica pode prolongar a vida útil do material e evitar que determinadas embalagens sejam descartadas imediatamente.

Entretanto, o processo também consome energia e pode utilizar acessórios novos, como linhas, zíperes e alças.

Além disso, os produtos fabricados continuam contendo plástico e precisarão receber uma destinação adequada quando chegarem ao fim da vida útil.

Portanto, o empreendimento representa uma alternativa de reaproveitamento, não uma solução completa para a poluição plástica.

De desempregada a empreendedora com oficina própria

A trajetória de Constanza reúne uma sequência de mudanças que começou com a perda do emprego em 2020.

Primeiro vieram os testes com materiais descartados e um ferro doméstico. Depois, a produção de acessórios, a aquisição de novos equipamentos e a ampliação da equipe.

Em 2025, ela abriu sua oficina e passou a desenvolver também atividades de capacitação para outras mulheres.

O detalhe mais surpreendente é que uma embalagem de leite, normalmente descartada depois do consumo, se tornou a base de um negócio que hoje reúne cinco pessoas. A solução encontrada durante uma crise profissional acabou criando não apenas novos produtos, mas também oportunidades de aprendizado e trabalho para outras pessoas da comunidade.

Reportagem completa: https://tribunadejundiai.com.br/noticias/ex-garconete-perde-emprego-e-comeca-a-passar-embalagens-de-leite-com-ferro-de-roupa-6-anos-depois-sua-oficina-emprega-cinco-pessoas-na-argentina/

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