# Wall Street perde trilhões em um dia: entenda o que derrubou as ações de IA

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/11/06/wall-street-acoes-inteligencia-artificial.ghtml)
- Publicado em: 2026-11-06T12:04:46.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1540414-wall-street-perde-trilhoes-em-um-dia-entenda-o-que-derrubou-as-acoes-de-ia

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Os principais índices de Wall Street fecharam em forte queda na última quinta-feira (5), pressionados pelas ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA).

O movimento veio em meio ao temor de que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos resulte em regras mais rígidas para o setor e desacelere a expansão dos centros de dados no país.

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O Nasdaq Composite, que concentra empresas de tecnologia, despencou 5,52%, para 24.315 pontos, na maior queda em um único dia desde abril de 2025. O S&P 500 recuou 4,36%, para 7.353,73 pontos, enquanto o Dow Jones caiu 3,44%, para 51.523,06 pontos.

A onda de vendas eliminou cerca de US$ 3 trilhões (R$ 16,4 trilhões) em valor de mercado das empresas que compõem o S&P 500.

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As chamadas “Sete Magníficas”, grupo que reúne algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como Nvidia, Meta, Alphabet e Microsoft, perderam aproximadamente US$ 800 bilhões (R$ 4,4 trilhões) em valor de mercado, montante superior ao Produto Interno Bruto (PIB) da Suécia.

O Nasdaq também entrou no chamado território de correção, quando um índice acumula queda de pelo menos 10% em relação a um pico recente. O indicador encerrou o pregão quase 12% abaixo do recorde alcançado em 6 de outubro.

Foi a maior queda diária do Nasdaq desde o anúncio das tarifas do chamado “Dia da Libertação” pelo presidente Donald Trump, em abril de 2025. O pregão também marcou o segundo dia consecutivo de vendas de ações ligadas à inteligência artificial e a quinta queda superior a 500 pontos do índice desde meados de outubro.

“Pensávamos que já havíamos superado as dificuldades após a recuperação do mercado no dia seguinte às eleições de meio de mandato, mas, de repente, isso se transformou em um verdadeiro banho de sangue em Wall Street”, afirmou Jose Torres, analista da Interactive Brokers.

Por que a vitória democrata afetou as empresas de IA?

Os democratas conquistaram o controle do Congresso nas eleições de terça-feira, além de obterem vitórias em estados onde aumentou a oposição à instalação de novos centros de dados.

O resultado alimentou o temor de que uma regulamentação mais rígida desacelere a expansão da infraestrutura de inteligência artificial, que esteve entre os principais fatores de valorização das ações americanas nos últimos anos e ajudou a levar empresas do setor a níveis recordes em 2026.

Vários candidatos democratas eleitos fizeram campanha defendendo uma redução no ritmo de construção de centros de dados. Moradores de dezenas de cidades americanas também aprovaram restrições ou proibições à instalação dessas estruturas.

“O grande resultado das eleições foi, especialmente com os democratas conquistando muitos cargos de governador, que a desaceleração da expansão dos centros de dados é o verdadeiro tema-chave que vai perdurar”, afirmou Michael O’Rourke, estrategista-chefe de mercado da JonesTrading.

A preocupação dos investidores é que novas regras, restrições locais e dificuldades para obter licenças atrasem projetos bilionários de infraestrutura. Os centros de dados reúnem grandes quantidades de servidores e chips necessários para desenvolver e operar sistemas de IA, além de exigirem elevados volumes de energia e água.

“Haverá muita resistência em relação a esses centros de dados estarem localizados geograficamente no quintal de alguém, sobrecarregando a rede elétrica e os sistemas de abastecimento de água”, afirmou Bruce Zaro, diretor-gerente da Granite Wealth Management.

“Embora já existam vários centros de dados aprovados, ainda há muitos a serem licenciados. O caminho para a obtenção dessas licenças será difícil”, acrescentou.

Analistas do UBS estimam que cerca de 30% do aumento previsto na capacidade dos centros de dados dos Estados Unidos até 2028 pode estar em risco diante de eventuais paralisações ou atrasos nas construções.

Uma desaceleração desses projetos pode reduzir ou adiar a procura por chips, servidores, equipamentos e energia. Isso afetaria as receitas esperadas por empresas de diferentes segmentos da cadeia de inteligência artificial.

“Os investidores parecem estar reconhecendo que alguns membros recém-eleitos do Congresso e governadores pretendem desacelerar o ritmo do desenvolvimento da infraestrutura de IA”, afirmou Melissa Brown, diretora global de pesquisa de decisões de investimento da SimCorp.

Segundo ela, embora pareça improvável que os novos governantes consigam interromper completamente esse processo, qualquer desaceleração gera preocupação porque o crescimento da inteligência artificial tem dependido, em grande parte, da rápida construção da infraestrutura necessária para sustentá-la.

“Quando surge qualquer dúvida sobre os investimentos em centros de dados, o mercado reage de maneira particularmente violenta”, afirmou Art Hogan, da B. Riley Wealth Management.

Fabricantes de chips lideram perdas

As fabricantes de semicondutores, diretamente expostas à expansão dos centros de dados, ficaram entre as empresas mais atingidas. O índice Philadelphia SE Semiconductor despencou mais de 12% e atingiu o menor nível em mais de seis meses.

A Nvidia caiu cerca de 9%. A empresa, segunda maior do mundo em valor de mercado, perdeu aproximadamente US$ 400 bilhões em valor de mercado durante o pregão.

A AMD recuou cerca de 17%, assim como a Micron. A Broadcom caiu aproximadamente 10%, enquanto a Intel também perdeu pouco mais de 10%.

A Qualcomm tombou 9,5% após a fabricante de chips apresentar uma previsão para as vendas de componentes destinados a smartphones no quarto trimestre abaixo das estimativas de Wall Street. Nesse caso, a pressão sobre as ações também esteve relacionada às perspectivas específicas da empresa, além da onda mais ampla de vendas no setor.

“Parece que estamos na fase de capitulação das ações beneficiadas pelos investimentos em centros de dados, especialmente as de semicondutores”, afirmou Jed Ellerbroek, gestor de portfólio da Argent Capital Management. “Mas acho que a magnitude desses movimentos é exagerada.”

Queda atinge centros de dados, energia e big techs

As perdas também atingiram empresas diretamente envolvidas na construção e na operação da infraestrutura de inteligência artificial.

IREN, Applied Digital e Cipher Digital despencaram mais de 14% cada uma. A CoreWeave caiu quase 10%, enquanto a Nebius perdeu cerca de 15%.

CoreWeave e Nebius fazem parte do grupo de empresas conhecidas como “neoclouds”, especializadas em fornecer infraestrutura de computação em nuvem voltada principalmente a aplicações de inteligência artificial. As ações das duas companhias acumulam quedas de 50% ou mais desde que o Nasdaq atingiu seu recorde, em 6 de outubro.

A pressão também chegou às empresas de serviços públicos e fornecedoras de equipamentos ligadas à expansão dos centros de dados. A GE Vernova caiu cerca de 7,5%, enquanto a Constellation Energy recuou 2,5%.

Entre as grandes empresas de tecnologia, a Meta perdeu aproximadamente 4%. Amazon e Alphabet recuaram 2,2% cada uma, enquanto a Microsoft caiu 3,6%.

Segundo reportagem da Bloomberg News mencionada em um dos textos, a Microsoft está reforçando a supervisão de alguns projetos de centros de dados da Nebius, da IREN e da Nscale.

O Nasdaq 100, composto pelas maiores empresas do índice de tecnologia, caiu 6,4% e perdeu cerca de US$ 2,5 trilhões em valor de mercado.

As perdas se espalharam para praticamente todos os setores de Wall Street. Até empresas mais tradicionais, que compõem o Dow Jones, terminaram o pregão em baixa.

Tesla e SpaceX, ambas de Elon Musk, também registraram quedas, segundo um dos textos. Musk gastou quase US$ 500 milhões no apoio a candidatos republicanos nas eleições de meio de mandato.

Setor já enfrentava dúvidas sobre custos e retorno

Embora a vitória dos democratas tenha funcionado como gatilho para a queda, a intensidade do movimento também reflete preocupações que já vinham pressionando as empresas de inteligência artificial.

Investidores têm questionado o retorno dos enormes volumes de recursos destinados à tecnologia, os custos de construção dos centros de dados e a capacidade de empresas do setor de financiar novos projetos em um ambiente de juros mais altos e condições financeiras mais restritivas.

Essas preocupações afetam sobretudo empresas menores, cuja capacidade de captar recursos já estava limitada. Também aumentam a pressão sobre companhias que acumularam fortes valorizações com as expectativas em torno da IA, mas ainda precisam demonstrar que os investimentos bilionários poderão se transformar em receitas e lucros.

“O mercado está passando da promessa da IA para o preço da IA”, afirmou Ted Parkhill, fundador e presidente-executivo da Incline Investment Management.

“Não há dúvida de que a IA será transformadora para o mundo no longo prazo. Mas isso não significa que todas as ações relacionadas à IA estejam atualmente avaliadas de forma adequada. Haverá muita turbulência”, acrescentou.

A CoreWeave se tornou uma espécie de termômetro das preocupações dos investidores com os elevados gastos e níveis de endividamento relacionados à inteligência artificial.

Os spreads dos contratos de proteção contra calote da companhia, conhecidos como CDS, atingiram o recorde de 1.267,9 pontos-base. Quanto maior esse indicador, maior é o risco de inadimplência percebido pelo mercado. Os CDS da Intel também alcançaram um recorde, de 149,7 pontos-base.

O Índice VIX, conhecido como “termômetro do medo” de Wall Street por medir a volatilidade esperada no mercado americano, registrou o maior avanço desde dezembro de 2024.

*Com informações das agências de notícias Reuters e France Presse.

Reportagem completa: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/11/06/wall-street-acoes-inteligencia-artificial.ghtml

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