# Justiça rejeita ação contra Jair Bolsonaro no caso de Wal do Açaí

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/politica/justica-rejeita-acao-contra-jair-bolsonaro-no-caso-de-wal-do-acai/)
- Publicado em: 2026-11-06T12:02:26.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1540466-justica-rejeita-acao-contra-jair-bolsonaro-no-caso-de-wal-do-acai

> A Justiça Federal do Distrito Federal julgou improcedente uma ação de improbidade administrativa contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua ex-assessora Walderice Santos da Conceição, conhecida como Wal do Açaí. Os dois eram acusados…

Na decisão de quinta-feira (5), o juiz Rodrigo de Godoy Mendes, da 6ª Vara Federal Cível, concluiu que as provas apresentadas não demonstram que Walderice tenha recebido salários sem trabalhar. O magistrado reconheceu que ela exercia atividades de assessoria parlamentar em Angra dos Reis (RJ), onde Bolsonaro mantinha uma base política.

A sentença também afastou a acusação de que o ex-presidente teria utilizado recursos públicos para remunerar serviços domésticos particulares. O MPF havia pedido o ressarcimento de R$ 280,2 mil aos cofres públicos.

A decisão é de primeira instância e ainda pode ser contestada pelo Ministério Público.

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Atendimento à comunidade

O principal argumento acolhido pela Justiça foi o de que Walderice atuava como intermediária entre moradores da Vila Histórica de Mambucaba, em Angra dos Reis, e o gabinete de Bolsonaro.

Segundo o juiz, depoimentos e documentos reunidos no processo demonstraram que ela prestava auxílio à população local e encaminhava demandas ao então deputado federal.

A sentença destacou que as normas da Câmara permitem que secretários parlamentares trabalhem fora de Brasília, inclusive nos estados de representação dos congressistas.

O funcionamento do pequeno comércio de açaí mantido pela assessora também foi analisado. Para o magistrado, a atividade comercial não impedia o desempenho das funções parlamentares, já que o estabelecimento servia como ponto de contato com moradores da região.

A ausência de registros completos da jornada semanal de 40 horas foi atribuída a possíveis falhas administrativas na fiscalização do trabalho externo. Na avaliação do juiz, essa irregularidade documental é insuficiente para comprovar uma contratação fictícia.

Serviços domésticos e saques em dinheiro

A ação foi apresentada em março de 2022. Segundo o MPF, entre fevereiro de 2012 e agosto de 2018, Walderice e seu companheiro, Edenilson Nogueira Garcia, teriam realizado tarefas particulares para Bolsonaro, incluindo cuidados com a residência e os cachorros do então deputado.

Os procuradores sustentavam que Bolsonaro conhecia a situação e atestava a frequência da assessora para permitir o pagamento dos salários pela Câmara.

Outro ponto da investigação foi a movimentação bancária de Walderice. Conforme o MPF, 83,77% dos salários recebidos no período foram sacados em espécie. Em determinados anos, o percentual ultrapassou 95%.

O juiz, entretanto, entendeu que os saques não constituem prova de apropriação indevida de recursos públicos. A decisão também considerou as limitações de acesso a serviços bancários na comunidade onde a ex-assessora residia.

Segundo a sentença, não foi demonstrado que parte dos salários tenha sido transferida a Bolsonaro ou utilizada em benefício financeiro do ex-presidente.

Ao rejeitar os pedidos do MPF, Mendes afirmou que não encontrou elementos suficientes para caracterizar enriquecimento ilícito, prejuízo efetivo ao erário ou intenção deliberada de fraudar a contratação.

A decisão também considerou que as atividades desempenhadas por Walderice eram compatíveis com as atribuições de uma assessora parlamentar que atua fora da capital federal.

Com o julgamento, Bolsonaro e a ex-assessora ficam livres das condenações solicitadas nesta ação, incluindo a obrigação de ressarcimento.

O processo, contudo, ainda não está encerrado definitivamente. O Ministério Público Federal poderá recorrer da sentença para tentar revertê-la em segunda instância.

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