# Fundo de pensões de Itaipu tem quase R$ 90 mi no Banco Ueno

- Seção: Política
- Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-internacional/fundo-de-pensoes-de-itaipu-tem-quase-r-90-mi-no-banco-ueno/)
- Publicado em: 2026-11-06T12:38:32.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1540973-fundo-de-pensoes-de-itaipu-tem-quase-r-90-mi-no-banco-ueno

> O Fundo de Pensões de Itaipu informou ter aproximadamente 100,692 bilhões de guaranis (R$ 89,9 milhões) investidos no Banco Ueno, segundo o jornal paraguaio ABC . O valor é 2,4 vezes maior que os 41,3 bilhões de guaranis (R$ 36,9 milhões)…

A divulgação se deu depois que o BC (Banco Central do Paraguai) determinou a resolução do Banco Ueno, na 2ª feira (2.nov), por problemas de solvência, ou seja, por não ter capital suficiente para cumprir as exigências do órgão regulador. O BC constatou que o banco operava com menos da metade do capital mínimo exigido. A situação coloca em risco recursos de aposentados e pensionistas vinculados à Itaipu Binacional.

Segundo o jornal paraguaio, a Cajubi informou sobre os investimentos no Comunicado nº 32/2026, de 4 de novembro. O documento foi divulgado um dia depois do Comunicado nº 31, que não apresentava valores. No novo comunicado, o fundo afirmou ter aproximadamente G. 100.692 milhões (R$ 89,9 milhões) investidos no Banco Ueno. O valor representa 2,8% de todos os ativos do fundo.

O montante é 59,4 bilhões de guaranis (R$ 53,1 milhões) maior que o registrado no balanço de 31 de dezembro de 2025. Naquele documento, o fundo informava ter 41,3 bilhões de guaranis (R$ 36,9 milhões) aplicados no Ueno por meio de certificados de depósito de poupança (CDs), um tipo de investimento bancário.

O comunicado mais recente não explica em quais tipos de investimento os 100,692 bilhões de guaranis estão aplicados. Também não informa a quais grupos de participantes do fundo pertence o dinheiro nem quando cada investimento foi realizado. O documento ainda não esclarece se o valor inclui juros ou outros recursos além dos CDs mencionados no relatório anterior.

O relatório anual de 2025 mostra que o fundo investiu 13,5 bilhões de guaranis (R$ 12,1 milhões) no Banco Ueno entre agosto e novembro daquele ano. Se os valores dos dois documentos puderem ser comparados, a maior parte do aumento ocorreu em 2026, quando já havia alertas públicos sobre problemas no banco.

O então presidente do BC, Carlos Carvallo, afirmou que a Superintendência de Bancos identificou, desde junho de 2026, indícios de que o Ueno concedia empréstimos a empresas ligadas ao grupo que controla a instituição. Em setembro do mesmo ano, o Senado paraguaio pediu ao BC relatórios sobre a situação do banco.

A Cajubi afirmou que escolheu o Ueno com base em critérios técnicos, como indicadores financeiros, informações públicas e regras estabelecidas pelo BC. O fundo também declarou que o banco apresentava balanços auditados que indicavam níveis adequados de solvência e tinha classificação de risco AA-py, divulgada pelo órgão regulador. Essas informações contrastam com a decisão posterior do BC de intervir no banco por problemas de solvência.

A Cajubi não informou quando realizou cada investimento nem quem autorizou as aplicações. O relatório anual de 2025 afirma que as decisões sobre os investimentos cabem ao Conselho do fundo, presidido por Robert Osvaldo Noguera Palacios. O Comitê de Investimentos tem função apenas consultiva, ou seja, pode fazer recomendações, mas não toma as decisões finais.

Segundo o jornal paraguaio, no PCD (Regime de Contribuição Definida), modelo de previdência adotado pela Cajubi, eventuais perdas nos investimentos são divididas entre os participantes ativos do fundo. Isso significa que os próprios integrantes podem ter seus recursos reduzidos caso os investimentos tenham prejuízo. O modelo é diferente do Instituto de Previdência Social (IPS), em que a própria instituição assume as perdas.

O Fundo de Garantia de Depósitos protege até 228,3 milhões de guaranis por pessoa em cada instituição financeira. O valor investido pela Cajubi no Banco Ueno equivale a cerca de 441 vezes esse limite. O comunicado não explica como essa proteção se aplicaria aos recursos do fundo. A Cajubi afirmou apenas que fará todos os esforços para recuperar o dinheiro de seus participantes.

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