# Jovem deixa Goiânia para dar a volta ao mundo a pé levando apenas um carrinho com seus pertences

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/11/06/jovem-deixa-goiania-para-dar-a-volta-ao-mundo-a-pe-levando-apenas-um-carrinho-com-seus-pertences.ghtml)
- Publicado em: 2026-11-06T13:01:54.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1541241-jovem-deixa-goiania-para-dar-a-volta-ao-mundo-a-pe-levando-apenas-um-carrinho

> Fred em frente a mão gigante no deserto do atacama

Arquivo pessoal/ Frederic Borges

Um sonho de percorrer o mundo a pé levou o goiano Frederic Borges, de 39 anos, a deixar Goiânia para começar uma jornada que pode durar até dez anos. Com um carrinho para transportar os pertences, equipamentos de camping e roupas para enfrentar temperaturas extremas, ele iniciou a caminhada em 16 de março, em Foz do Iguaçu, na fronteira com a Argentina.

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Atualmente na Argentina, Fred já percorreu quase 5 mil quilômetros e estima que ainda precise caminhar cerca de 3 mil quilômetros para concluir a etapa sul-americana da viagem. O objetivo é percorrer aproximadamente 30 mil quilômetros, passando por diferentes países e continentes.

Fred em frente a mão gigante no deserto do atacama

Arquivo pessoal/ Frederic Borges

“Meu objetivo é conhecer a realidade e a cultura de outros países e as pessoas, principalmente. Quero também incentivar outras pessoas e mostrar que tudo é possível quando a gente tem um sonho”, concluiu.

Antes de começar a caminhada, ele trabalhava com marketing digital, fazendo anúncios para empresas dos Estados Unidos. Segundo Fred, a decisão de fazer a volta ao mundo surgiu de forma repentina. Em cerca de um mês, ele encerrou o projeto profissional, organizou o que precisava e saiu de Goiânia com R$ 1 mil.

Fred viajou de ônibus até Foz do Iguaçu com o carrinho desmontado e os equipamentos. A escolha do ponto de partida foi para conhecer lugares onde ainda não havia estado.

Fred empurrando seu carrinho

Arquivo pessoal/ Frederic Borges

Inspiração para viajar a pé

A ideia de dar a volta ao mundo caminhando ganhou força depois que Fred conheceu a história do britânico Karl Bushby, que concluiu uma jornada ao redor do planeta após 28 anos.

“Foi através dele que ele mostrou que era possível fazer essa viagem”, afirmou Fred sobre Bushby.

Fred chegou a conversar com Bushby pelas redes sociais e recebeu dicas do aventureiro, que também compartilhou o projeto do carrinho utilizado em sua jornada. O goiano pretende usar o modelo como referência para construir um novo equipamento quando voltar a Goiânia.

Atualmente, ele transporta em seu carrinho uma barraca, saco de dormir, fogareiro, roupas para frio extremo, jaqueta, segunda pele, medicamentos e dois pares de tênis. Como precisa carregar todos os pertences durante o percurso, também controla o peso dos alimentos e consegue levar mantimentos para cerca de cinco a sete dias.

Fred em frente a parade congelada na Argentina

Arquivo pessoal/ Fred Borges

Frio extremo, chuvas e imprevistos

Um dos maiores desafios da viagem, segundo Fred, é lidar com a imprevisibilidade. Ele conta que enfrentou temperaturas de até 10 graus negativos durante a passagem por regiões desérticas da Argentina e também teve dificuldades com chuvas, neve e granizo.

No deserto do Atacama, no Chile, ele enfrentou fortes chuvas e perdeu parte dos equipamentos, incluindo a barraca, depois que a estrutura foi danificada. Em outra ocasião, acordou com um rio formado pela água da chuva passando por baixo do local onde estava acampado.

O viajante também precisou interromper temporariamente a caminhada na Bolívia. Segundo ele, deixou o país de ônibus em razão de protestos e dificuldades provocadas pela situação local.

Para Fred, porém, o maior desafio não é físico, mas mental. Ele afirma que já consegue caminhar cerca de 30 quilômetros por dia, mas que passar longos períodos sozinho exige preparação emocional.

“Essa viagem é mais mental do que física. O físico você vai adaptando ao longo do tempo. O maior desafio é a imprevisibilidade mesmo”, disse.

Apesar dos problemas, ele afirma que a solidariedade das pessoas encontradas pelo caminho é uma das principais motivações para continuar. Segundo Fred, moradores de diferentes países oferecem água, comida e ajuda durante a jornada.

Fred com mulher nativa da bolívia e cachorro durante caminhada

Arquivo pessoal/ Fred Borges

O planejamento de Fred é concluir a etapa sul-americana passando pelo Chile e pela Argentina. Primeiro, pretende voltar ao Chile para percorrer a Carretera Austral, em um trajeto de mais de mil quilômetros. Depois, seguirá novamente para a Argentina, com destino a El Calafate.

Após essa etapa, a previsão é voltar de ônibus para Goiânia, trocar o carrinho, investir em equipamentos mais leves e buscar apoio para continuar a expedição.

O próximo grande trecho planejado é entre a Irlanda do Norte e a Coreia do Sul, que, segundo ele, deve levar cerca de quatro anos e meio.

A intenção é passar por todos os continentes, mas Fred explica que não pretende fazer absolutamente todos os trajetos a pé. Em regiões consideradas perigosas ou que ofereçam riscos à vida, poderá utilizar outros meios de transporte.

Reportagem completa: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/11/06/jovem-deixa-goiania-para-dar-a-volta-ao-mundo-a-pe-levando-apenas-um-carrinho-com-seus-pertences.ghtml

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