# PAT: Operadoras de VA e VR chegam ao prazo final sem cumprir todas as novas regras

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/business/pat-operadoras-de-va-e-vr-chegam-ao-prazo-final-sem-cumprir-todas-as-novas-regras/)
- Publicado em: 2026-11-06T14:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1542169-pat-operadoras-de-va-e-vr-chegam-ao-prazo-final-sem-cumprir-todas-as-novas

> Às vésperas do prazo estabelecido pelo Governo Federal para o início da interoperabilidade entre redes de estabelecimento das administradoras de vale alimentação (VA) e vale-refeição (VR), ao menos parte das empresas ainda não está…

Pelo menos uma das principais representantes do segmento, disse um executivo sob condição de anonimato ao InfoMoney , mal caminhou com a tecnologia necessária para a interoperabilidade no prazo de 360 dias estabelecido pelo decreto sobre novos parâmetros do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) publicado em novembro de 2025.

&#8220;Para nós, é um problemão. Se um trabalhador fizer uma reclamação de que seu cartão não funcionou em determinado estabelecimento, provavelmente a solução será credenciar aquele lugar na minha rede, mas o problema continua posto&#8221;, disse esse executivo. As multas pelo não cumprimento das obrigações podem chegar a R$ 50 mil.

Empresas tradicionais do setor como Alelo, Pluxee (antiga Sodexo), Ticket Serviços e VR Benefícios operam com o cadastramento de uma ampla rede de restaurantes e supermercados nos quais o saldo dos benefícios disponibilizados pelas empresas aos trabalhadores podem ser usados. Tradicionalmente, essa operação ocorre no chamado arranjo fechado, modelo pelo qual as companhias controlam desde a emissão dos cartões até o credenciamento e o reembolso do estabelecimento.

A interoperabilidade garantiria o compartilhamento das redes credenciadas mesmo dentro do arranjo fechado, permitindo ao trabalhador usufruir dos benefícios administrados por uma empresa na rede de sua concorrente.

Leia mais: Ministério do Trabalho notifica mais de 100 empresas por desvios no uso do PAT

Companhias alegam, no entanto, que a publicação do decreto não foi acompanhada por uma regulamentação capaz de estabelecer parâmetros de funcionalidade do modelo. O setor teria apresentado, em 2024, uma proposta ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), responsável pela pauta, mas não recebeu retorno.

O porta-voz de outra companhia do setor, que também preferiu não se identificar, afirmou atuar em conformidade com a legislação vigente sobre interoperabilidade. Mas ressalta: &#8220;como sinalizado pelo governo, a entrada em vigor da nova regra neste dia 7 marca o início de um processo evolutivo&#8221;.

Para a Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT), questões como padrões de conexão entre as redes, liquidação das transações e as responsabilidades de cada participante da cadeia, incluindo facilitadoras, credenciadoras, arranjos e estabelecimentos comerciais são importantes para que esse processo funcione bem.

Ao InfoMoney , o MTE afirma que seu papel é normativo e fiscalizatório, não operacional. Segundo a pasta, a execução da interoperabilidade é, por definição, uma obrigação das empresas operadoras e dos demais participantes dos arranjos de pagamento.

&#8220;A pasta tem atuado com a diretriz de regulamentar apenas o que for estritamente indispensável para dar segurança jurídica e operacional ao setor, deixando às empresas a responsabilidade de implementar os ajustes técnicos e comerciais necessários&#8221;, ressaltou o Ministério.

Fintechs, restaurantes e supermercados veem atraso

A interoperabilidade é apenas a fase final de implementação dos novos parâmetros do PAT. Em maio, já havia sido esgotado o prazo para que operadoras com mais de 500 mil trabalhadores atendidos migrassem para o arranjo aberto, modelo no qual a emissão dos cartões e o credenciamento dos estabelecimento é feito por empresas diferentes.

Fintechs como Flash, iFood Benefícios, Caju e Swile já operam assim . Elas emitem cartões Elo, Visa ou Mastercard e os pagamentos são aceitos em qualquer maquininha que atenda a essas bandeiras.

Segundo o CEO do iFood Benefícios, Arthur Freitas, o arranjo aberto já é &#8220;interoperável por natureza&#8221;. O executivo alega que a principal parte do problema relacionado à interoperabilidade já teria sido resolvido pelas empresas tradicionais por meio da adesão ao arranjo aberto, mas isso não está acontecendo.

&#8220;A mudança regulatória com prazo para maio ainda não aconteceu&#8221;, afirma o executivo. &#8220;Todos os incumbentes têm cartões bandeirados em casa, eles só não estão oferecendo&#8221;, diz.

A interoperabilidade, conta Freitas, serviria apenas para resolver o problema de uma proporção menor do mercado de benefícios: administradoras regionais, com menos de 500 mil trabalhadores atendidos, que não foram obrigadas a abrir seus arranjos e, por isso, precisariam usufruir do compartilhamento de redes.

Empresas que operam no arranjo fechado negociam as taxas de desconto pelas transações diretamente com restaurantes e supermercados. Os valor variam, mas podem chegar a patamares de 7%.

O decreto publicado em fevereiro busca expandir as opções de estabelecimentos disponíveis aos trabalhadores, abrir um setor historicamente concentrado para a concorrência e reduzir custos operacionais de estabelecimentos que participam do programa.

Outra determinação, com prazo para fevereiro de 2026, limitou as taxas de desconto cobradas pelas administradoras de VA e VR até 3,6% e deu prazo de 15 dias para a liquidação financeira das transações.

Representantes dos setores de restaurantes e supermercados acusam as administradoras de VA e VR de não estarem cumprindo a determinação. Uma pesquisa encomendada pela Associação Nacional de Restaurantes (ANR) mostra que a taxa média cobrada pelas operadoras de VR no Brasil era de 6,18% entre junho e julho de 2026, um crescimento em relação aos 5,19% de 2025 mesmo extrapolado o prazo limite determinado pelo decreto.

&#8220;Percebe-se que eles encontraram uma alternativa que oferece outro tipo de benefício que se desvincula do PAT e tem taxas diferentes&#8221;, diz o presidente do conselho da ANR, Erik Momo. No mercado, se discute que empresas estejam empacotando seus produtos em forma de &#8220;auxílios&#8221; para burlar as determinações.

Na última terça-feira (3), a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) entrou com uma ação civil pública contra as operadoras de VA e VR exigindo o atendimento das novas regras.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho, é responsável por fiscalizar o cumprimento das normas. Segundo a pasta, denúncias relacionadas à não aceitação de cartões após o prazo do decreto podem ser feitas pelo site de denúncia trabalhista e pelo e-mail da central de atendimento do PAT.

The post PAT: Operadoras de VA e VR chegam ao prazo final sem cumprir todas as novas regras appeared first on InfoMoney .

Reportagem completa: https://www.infomoney.com.br/business/pat-operadoras-de-va-e-vr-chegam-ao-prazo-final-sem-cumprir-todas-as-novas-regras/

— Itatiba1 (https://www.itatiba1.com.br). Notícias agregadas e traduzidas; os direitos pertencem aos veículos de origem.