# Carros elétricos usados perdem quase 50% do valor em três anos, conforme dados do IBV

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/carros-eletricos-usados-perdem-quase-50-do-valor-em-tres-anos-conforme-dados-do-ibv/)
- Publicado em: 2026-11-06T15:38:06.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1543308-carros-eletricos-usados-perdem-quase-50-do-valor-em-tres-anos-conforme-dados-do

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Conforme o levantamento, entre os veículos do ano 2023, os elétricos acumularam perda de 47,24% até outubro de 2026, enquanto os híbridos registraram desvalorização de 29,12% e os modelos a combustão, de 23,34% no mesmo período.

A diferença revela que a tecnologia de propulsão passou a ser um fator relevante na formação dos preços de revenda. Para o consumidor, isso significa que o custo de ter um automóvel não depende apenas do valor pago na concessionária, do consumo de combustível ou das despesas de manutenção, mas também de quanto poderá recuperar ao vendê-lo.

Fatores como a evolução tecnológica, a concorrência entre fabricantes, os preços dos modelos novos e as condições do mercado de revenda podem estar influenciando esse comportamento.

Preços dos usados desaceleram

No mercado de usados como um todo, os preços continuam subindo, mas em ritmo mais lento. Em outubro, o IBV Auto registrou valorização média de 0,15%, metade da alta de 0,30% observada em setembro. No acumulado de janeiro a outubro, os preços avançaram 4,02%, abaixo dos 4,42% registrados no mesmo período de 2025.

Em 12 meses, a valorização chegou a 4,91%, também inferior aos 5,12% observados em setembro. O movimento indica uma desaceleração gradual dos reajustes, mas não uma queda generalizada dos preços, de acordo com IBV. Na média, os automóveis usados continuam mais caros do que há um ano.

Para Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, o comportamento reflete a combinação de fatores econômicos e mudanças na concorrência do setor. O ritmo mais moderado da atividade e a concorrência com os veículos novos ajudam a conter os reajustes no mercado de usados, segundo o especialista. “Mas esse movimento não é uniforme: os modelos populares mais antigos ainda sustentam parte da alta, enquanto os de maior valor enfrentam maior pressão competitiva. O resultado é uma inflação mais baixa nesse mercado, embora os preços ainda avancem no agregado”.

Fiat Uno, Fiesta e Fox puxam valorização

Os carros populares mais antigos foram os principais destaques positivos do levantamento de outubro. O Ford Fiesta registrou alta de 4,83%, seguido pelo Fiat Uno, com valorização de 3,37%, e pelo Volkswagen Fox, que avançou 2,92%.

Por outro lado, modelos de maior valor apresentaram recuos. O Chevrolet Tracker registrou queda de 2,01%, enquanto o Jeep Renegade perdeu 1,74% e o Toyota Corolla, 1,33%. Os percentuais mostram como veículos de diferentes faixas de preço podem seguir trajetórias opostas dentro do mesmo mercado.

Para quem possui um carro popular, a valorização pode representar uma vantagem na negociação de revenda. Já os consumidores interessados em modelos mais caros podem encontrar um ambiente mais favorável para negociar preços, dependendo do veículo e das condições da oferta.

Isso não significa, entretanto, que todos os carros de entrada estejam valorizando ou que os modelos mais caros estejam necessariamente perdendo valor. O índice utiliza uma cesta de veículos e considera o peso econômico das negociações. Portanto, o desempenho de determinados modelos ajuda a explicar o resultado geral, mas não pode ser automaticamente estendido a toda uma categoria.

Concorrência com carros novos

A disputa entre veículos novos e usados é um dos fatores apontados pelo banco BV para explicar a desaceleração dos preços. Quando o consumidor encontra condições mais competitivas para adquirir um carro zero-quilômetro, a margem para reajustes no mercado de usados tende a diminuir, especialmente nos segmentos em que a diferença de preço entre as duas opções é menor. Essa pressão pode ser mais intensa entre modelos de maior valor, que disputam compradores com veículos novos equipados com tecnologias e recursos atualizados.

Já os carros populares mais antigos atendem a um público com restrições orçamentárias diferentes. Para esses consumidores, o preço de entrada costuma ter peso decisivo, e a alternativa de comprar um automóvel novo pode estar fora do orçamento. Essa distinção ajuda a compreender por que o índice geral continua positivo mesmo com quedas relevantes em determinados modelos. A valorização dos usados, portanto, não é homogênea. Ela resulta de diferentes condições de oferta, demanda e concorrência em cada faixa do mercado.

Norte tem maior alta e Sul registra queda

As diferenças também aparecem no comportamento regional dos preços. Em outubro, a região Norte registrou a maior valorização dos automóveis usados, de 0,54%. Já o Sul apresentou a maior retração, com queda de 0,33%. Entre as 27 unidades da Federação, 19 tiveram aumento de preços no mês. Mato Grosso liderou as altas, com avanço de 1,09%, enquanto Minas Gerais apresentou a maior queda, de 0,82%. No acumulado de 12 meses, o Rio de Janeiro aparece na primeira posição, com valorização de 6,24%, seguido por Alagoas, com 6,12%, e Sergipe, com 5,98%. As menores altas foram observadas pelo IBV no Espírito Santo, com 2,89%, em São Paulo, com 2,91%, e no Pará, com 3,09%.

A dispersão dos resultados reforça a importância das características de cada mercado regional. Um mesmo veículo pode enfrentar condições distintas de negociação conforme a localização, a oferta disponível e o perfil dos compradores.

Segundo Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, a composição das negociações ajuda a explicar essas diferenças. “O mercado de usados reúne veículos de diferentes faixas de preço, com condições de oferta e concorrência próprias. A composição das negociações em cada região ajuda a explicar as diferenças nos resultados”, afirma. Ele acrescenta ainda que a expectativa é de continuidade da acomodação dos preços até o fim do ano, embora o comportamento deva variar conforme o modelo e o segmento.

O IBV Auto utiliza dados de transações reais de veículos financiados pelo banco BV e aplica ajustes metodológicos para acompanhar a evolução dos preços de automóveis comparáveis ao longo do tempo. A ponderação considera o valor total negociado de cada modelo e ano de fabricação. Assim, veículos de maior preço e com maior volume de negociações possuem peso mais elevado no resultado do índice.

Essa metodologia permite acompanhar tendências do mercado, mas não significa que a variação mensal represente o desconto ou a valorização que qualquer consumidor conseguirá obter em uma negociação individual.

Desvalorização acumulada em 3 anos até outubro

Fonte: IBV Auto

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