# Como funcionava esquema de agiotagem que tomava imóveis das vítimas

- Seção: Itatiba e Região
- Fonte: ACidadeON Campinas (https://www.acidadeon.com/campinas/cotidiano/como-funcionava-esquema-de-agiotagem-que-tomava-imoveis-de-vitimas/)
- Publicado em: 2026-11-06T17:05:35.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1544824-como-funcionava-esquema-de-agiotagem-que-tomava-imoveis-das-vitimas

> A organização criminosa suspeita de conceder empréstimos e tomar os imóveis de vítimas que os utilizavam como garantia contaria com a ajuda de uma escrevente para dar “legitimidade” aos contratos do esquema de agiotagem, em Campinas . Na…

Segundo as investigações, a organização criminosa atuava na concessão de empréstimos particulares garantidos por alienação fiduciária de imóveis, utilizando estruturas empresariais, pessoas interpostas e mecanismos de ocultação patrimonial para dificultar a identificação dos efetivos beneficiários.

As apurações também apontam que a associação agia de forma estruturada e permanente, com aproximadamente 50 operações semelhantes identificadas e ao menos 62 vítimas, das quais 18 perderam seus imóveis devido à atuação da quadrilha.

A investigação começou após denúncia de uma vítima e, até o momento, o prejuízo é calculado em mais de R$ 3 milhões.

De acordo com o promotor Rafael Salzedas Arbach, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Campinas, as vítimas precisavam obrigatoriamente ter imóveis registrados em seus nomes para conseguir os empréstimos. Segundo ele, um escrevente ajudava a dar legitimidade aos documentos utilizados pelo grupo, formalizando os contratos que encobriam as condições reais dos empréstimos.

“Eles não pegavam devedores que não tinham imóveis para dar em garantia. E eles faziam um contrato que no conteúdo parecia um contrato lícito, que previa um vencimento de curto período, de dois ou três meses no máximo, com juros de 1% ao mês. Mas, na verdade, era um contrato sem data definida, com pagamento de mais ou menos 3% ao mês de juros. A pessoa ia pagando e, se ela não pagasse, eles iam lá, apresentavam um cálculo superfaturado e executavam essa garantia e pegavam o imóvel para si”, contou o promotor.

Operação é realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil e investiga esquema que teria levado 18 vítimas a perder seus imóveis. (Foto: Júnia Vasconcelos)

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Em alguns casos, os próprios suspeitos se recusam a receber o pagamento da dívida , segundo Arbach.

“A pessoa estava pagando e, em determinado momento, eles falavam assim: ‘Agora, a gente não vai mais receber’. E aí, como o pagamento era feito por meio de boletos, por chaves Pix aleatórias, eles falavam assim: ‘A gente não reconhece esse pagamento, não caiu na conta de nenhuma das pessoas que fizeram o empréstimo para você’”, disse.

Ainda de acordo com o promotor, o escrevente que está entre os alvos da operação e que atuava no 4º Cartório de Notas, no bairro Nova Campinas, cobrava a mais para ajudar a dar andamento aos negócios do grupo.

“O papel do escrevente era dar legitimidade pro negócio. Ele já chegou a participar de outros contratos semelhantes com os investigados em outras situações, ele facilitava a questão da elaboração dos contratos. Ele também cobrava um valor a mais do que ele deveria receber para dar andamento aos negócios”, disse.

Mandados cumpridos contra esquema de agiotagem

De acordo com a polícia, ao todo, foram expedidos 11 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. Além disso, também foram determinados o bloqueio de bens e valores, o sequestro de imóveis e o afastamento cautelar de função pública.

Os mandados foram cumpridos em endereços residenciais e empresariais, com destaque para os bairros Cambuí, Jardim Chapadão, Parque Prado, Nova Campinas, Nova Europa, Taquaral, Vila dos Plátanos, Vila Lemos e Vila São Bernardo. Oito pessoas foram presas.

Interrupção das atividades do grupo suspeito de agiotagem

A operação desta sexta-feira tem como objetivo interromper as atividades ilícitas, preservar provas, aprofundar a identificação dos fluxos financeiros e dos beneficiários finais, assegurar a recuperação de ativos, além de proteger vítimas que ainda possam estar submetidas ao esquema.

A ação é conduzida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Gaeco de Campinas, em conjunto com a Polícia Militar, por meio do 1º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) e do 10º Baep, e a Polícia Civil, por meio do Neccold (Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro).

Itens apreendidos. (Foto: Baep)

Procurada, a defesa do escrevente informou que pediu acesso aos autos da investigação, lembrou que a investigação tramita sob sigilo e afirmou que deve se manifestar depois que tiver acesso integral aos elementos disponibilizados à defesa.

Ao portal, o 4º Cartório de Notas esclareceu que não é alvo da operação e não possui qualquer envolvimento com os fatos investigados.

A investigação envolveu exclusivamente um funcionário, por fatos desconhecidos e sem relação com as atividades ou serviços prestados pelo cartório, tendo a busca se limitado à mesa desse escrevente.

O cartório reforça que suas atividades são conduzidas em conformidade com a legislação e as normas da Corregedoria-Geral da Justiça, mantendo seu compromisso com a ética, a transparência e a segurança jurídica.

Por fim, informa que seus serviços seguem funcionando normalmente, sem qualquer prejuízo ao atendimento.

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