# Mancha verde de 30 km em rio ameaça terras indígenas no PA; laudo aponta bactéria tóxica 4 vezes acima do limite

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/11/06/mancha-verde-de-30-km-em-rio-do-pa-ameaca-terras-indigenas-laudo-aponta-bacteria-toxica-4-vezes-acima-do-limite.ghtml)
- Publicado em: 2026-11-06T21:11:05.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1547645-mancha-verde-de-30-km-em-rio-ameaca-terras-indigenas-no-pa-laudo-aponta-bacteria

> Mancha verde se alastra pelo rio Bacajá, no Pará.

Uma mancha verde com cerca de 30 km de extensão está se alastrando pelas águas do Rio Bacajá, no Pará. Segundo indígenas e ribeirinhos, a poluição ambiental está provocando a morte de peixes e deixando as comunidades locais sem acesso à água potável.

A mancha no rio atinge diretamente os municípios de Anapu e Senador José Porfírio, afetando a Terra Indígena Trincheira Bacajá (do povo Xikrin), a Terra Indígena Arara da Volta Grande (do povo Arara) e diversas comunidades ribeirinhas.

Análises laboratoriais concluídas na quinta-feira (5) pelo Laboratório Central da Secretaria de Saúde Pública do Pará (Lacen) confirmaram que o fenômeno é causado por uma superproliferação de cianobactérias.

🔎 Cianobactérias são microrganismos com alta capacidade de realizar a fotossíntese oxigênica, produzindo oxigênio e se proliferando rapidamente.

"O risco é alto, a situação é grave. É necessário que se suspenda todo contato com a água do rio, porque existe um potencial grande de presença de cianotoxinas", alerta o especialista Dilailson Araújo de Souza, que avaliou os resultados do Lacen.

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O especialista também reforça que métodos tradicionais de purificação, como coar a água em panos ou usar filtros de barro, não são eficazes para eliminar as toxinas dessas bactérias.

De acordo com o laudo, em alguns pontos do rio, a concentração dessas bactérias chegou a 213.520 células por mililitro (mL), ou seja, valor quatro vezes superior ao limite máximo permitido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que é de 50.000 células/mL.

Em uma das amostras coletadas, a densidade era tão extrema que o laboratório não conseguiu mensurar, segundo pesquisadores do Instituto de Monitoramento Territorial Ambiental Independente e Ciência Intercultural da Volta Grande do Xingu (MATI-VGX), que detectaram o problema no último dia 27 de outubro.

O Ministério Público Federal (MPF) em Altamira informou que enviou pedidos de providências urgentes ao Poder Público.

Mancha verde tóxica se alastra pelo rio Bacajá, no Pará.

O surgimento da mancha verde começou a ser relatado por indígenas da aldeia Pykayako, do povo Xikrin, por volta do dia 23 de outubro. No dia 27 de outubro, a mancha foi oficialmente detectada pelos pesquisadores do MATI-VGX.

De acordo com especialistas, a proliferação dessas bactérias está diretamente ligada à seca extrema e à alta temperatura da água. Os pesquisadores também não descartam que a situação tenha sido agravada pelo despejo de contaminantes externos, como agrotóxicos, fertilizantes ou produtos químicos de garimpos ilegais.

Amostras adicionais foram enviadas à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para analisar a presença de metais pesados, segundo os cientistas.

A rotina das comunidades que dependem do Rio Bacajá foi completamente alterada. O consumo de peixes e o uso da água para banho, consumo e tarefas domésticas foram suspensos por recomendação.

"Nasci e cresci aqui e nunca tinha visto isso. Não temos mais como tomar banho no rio, também não podemos pescar", desabafa Paulo Passos Ferreira, indígena do povo Arara e pesquisador do instituto.

A poluição ocorre às vésperas do período de defeso e reprodução dos peixes na região, período chamado de piracema, que começa no próximo dia 15 de novembro.

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Reportagem completa: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/11/06/mancha-verde-de-30-km-em-rio-do-pa-ameaca-terras-indigenas-laudo-aponta-bacteria-toxica-4-vezes-acima-do-limite.ghtml

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