# Joe Satriani conta a história de seu solo de guitarra favorito

- Seção: Entretenimento
- Fonte: Rolling Stone Brasil (https://rollingstone.com.br/musica/joe-satriani-conta-a-historia-de-seu-solo-de-guitarra-favorito/)
- Publicado em: 2026-11-07T11:55:13.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1556426-joe-satriani-conta-a-historia-de-seu-solo-de-guitarra-favorito

> Por trás de uma das faixas instrumentais mais majestosas de Joe Satriani , &#8220;Flying in a Blue Dream&#8221; , lançada em 1989, existe uma história de caos criativo, marcada por dificuldades e percalços que tiveram de ser superados.

Em uma entrevista reveladora à Guitar.com , o guitarrista relembrou os bastidores da criação da faixa que ele considera trazer seu solo favorito em toda sua carreira.

O músico vinha de uma exaustiva maratona de turnês — incluindo uma passagem tocando guitarra na banda de Mick Jagger —, e ainda acabou contraindo uma infecção estomacal, que foi difícil de ser diagnosticada.

Para piorar o cenário, Satriani enfrentou a perda de seu pai (que sofreu um AVC) e de sua avó, além de lidar com fortes dores decorrentes do uso de aparelhos para tratamento ortodôntico.

&#8220;Foi tão difícil e insano, mas também houve uma quantidade enorme de criatividade. Saí em turnê tocando guitarra para Mick Jagger e, ao final dela, contraí giardíase no Sudeste Asiático — só que não soube disso por um bom tempo. Examinaram tudo, do meu apêndice ao cérebro; sempre que tinham uma hipótese sobre o que eu tinha, estavam errados. E então meu pai sofreu um derrame e entrou em coma — ele faleceu. Minha avó morreu algumas semanas depois. Foi tudo tão estressante e caótico.&#8221;

A inspiração de Joe Satriani

A inspiração para a música surgiu enquanto ele estava em seu apartamento em Berkeley , na Califórnia , tentando compor outra faixa. Sentindo-se bloqueado, Satriani resgatou memórias de infância de quando tentava adormecer tendo &#8220;sonhos de voo&#8221;. Pegou um violão, então, e começou a dedilhar acordes que soavam como uma viagem mágica.

Ao estruturar a melodia e o solo da música, Satriani adotou uma abordagem atípica para o rock instrumental, inspirando-se em um ícone bem diferente do universo das guitarras: Frank Sinatra .

&#8220;Quando finalmente consegui ouvir a música do início ao fim, algo muito curioso me veio à cabeça: Frank Sinatra. Muitas vezes, Frank começava uma canção contando uma história, com aquele jeito coloquial e tipicamente americano de cantar. Ao final da melodia, não só o registro vocal ia subindo, como ele só pronunciava a palavra que compunha o refrão bem no finalzinho. Pensei: &#8216;Esse é o meu modelo. É isso que preciso fazer aqui, porque estou contando uma história, mas uma história sobre voar&#8217;. Quando chego ao ponto alto da história, preciso estar lá no alto do céu, voando.&#8221;

Equipamento e desgaste

Para o solo, Satriani conta que usou sua Ibanez (&#8220;Black Dog&#8221;), um pedal Boss DS-1 e um cabeçote Mesa/Boogie . Movendo-se pelo estúdio, ele trabalhou o feedback dos amplificadores para ir extraindo notas harmônicas exatas antes de executar o solo definitivo.

Apesar do desgaste físico e emocional que marcou aquelas sessões de estúdio, o esforço valeu a pena, já que Satriani considera o solo de &#8220;Flying in a Blue Dream&#8221; seu preferido até hoje.

&#8220;Ela representava tudo o que tentávamos fazer: ir além do que fizemos em Surfing with the Alien (1987), assumir grandes riscos criativos e transformar o caos pessoal em algo magnífico.&#8221;

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