# Polícia investiga denúncia de discriminação racial contra adolescente abordado por guardas municipais em Salvador

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/11/07/policia-investiga-denuncia-de-discriminacao-racial-contra-adolescente-na-bahia.ghtml)
- Publicado em: 2026-11-07T14:09:11.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1557621-policia-investiga-denuncia-de-discriminacao-racial-contra-adolescente-abordado

> Caso é investigado pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca), em Salvador

A Polícia Civil da Bahia investiga uma denúncia de discriminação racial contra um adolescente negro, de 17 anos, que foi abordado por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) de Salvador, no bairro da Barra. O caso aconteceu na segunda-feira (2), quando o jovem passeava com amigos pela região.

A mãe dele, a corretora de imóveis Sara Oliver, publicou um vídeo em uma rede social e relatou que o filho foi levado para duas delegacias após os guardas afirmarem que o celular dele tinha restrição por roubo.

A mãe contesta a informação e afirma que, após consultar os dados do aparelho, não encontrou qualquer registro de roubo ou furto. Ela também questiona a forma como o adolescente foi conduzido pelos agentes.

Procurada pelo g1, a Guarda Civil Municipal negou que tenha ocorrido discriminação racial e afirmou que a abordagem seguiu os protocolos legais. (Veja nota na íntegra ao final da matéria)

Segundo a corporação, consultas realizadas pela GCM e pela Polícia Civil identificaram restrições por roubo ou furto em dois aparelhos celulares encontrados com adolescentes abordados.

No vídeo, Sara Oliver relatou que o filho estava com amigos em uma rede de fast food na Barra, quando foi abordado pelos guardas.

Segundo ela, os agentes informaram que procuravam um grupo de jovens suspeitos de cometer crimes na região. Entre as características repassadas aos guardas estava o uso de bonés, mas, conforme a mãe, ele não utilizava o acessório.

"Um detalhe das características que foi relatada para os agentes é que eles estavam de boné, e meu filho não estava de boné. Mesmo assim, ele foi abordado, os amigos dele também", contou.

Mãe relatou o ocorrido através das redes sociais

Durante a abordagem, de acordo com o relato da mãe, um dos guardas solicitou o celular do adolescente e realizou uma consulta. Em seguida, afirmou que o aparelho tinha restrição por roubo e o jovem foi conduzido até a Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), em Brotas.

A corretora de imóveis disse que soube da situação por meio de um amigo do filho, que telefonou para avisar sobre a abordagem.

"Eu, como mãe, saí desesperada e preocupada com o que podia acontecer nesse meio tempo. Fiquei pedindo a Deus que guardasse ele de todo o mal", relatou.

Adolescente foi levado para duas delegacias

Ao chegar à delegacia, Sara afirmou que os agentes mantiveram a informação de que o celular tinha restrição por roubo. Como o aparelho havia sido comprado recentemente pela internet, ela disse que não tinha, naquele momento, documentos para contestar a suspeita.

Ainda segundo a mãe, o sistema da unidade policial estava fora do ar, e o adolescente precisou ser transferido para uma delegacia especializada em furtos e roubos, na região dos Barris.

Durante o deslocamento, ele foi novamente transportado no compartimento traseiro da viatura. Sara contou que o pai do adolescente questionou a medida, mas os agentes afirmaram que se tratava de um procedimento da corporação.

"Para não deixar ele sozinho, eu pedi para eles me deixarem ir também no camburão", afirmou.

A mãe disse que a situação causou sofrimento à família, especialmente porque, segundo ela, o adolescente ainda não havia cometido nenhuma infração comprovada.

"Meu filho foi transportado no camburão como se fosse um meliante, sendo que não tinha cometido delito algum. Ver aquela situação do meu filho me doía tanto. Me causava uma tristeza, uma angústia", desabafou.

Após prestarem depoimento na segunda delegacia, o adolescente e os pais foram liberados.

Mãe contesta restrição no celular

Ao chegar em casa, Sara contou que o filho apresentou a caixa e a nota fiscal do celular. Com os documentos, ela realizou uma consulta para verificar se o IMEI, número de identificação do aparelho, tinha alguma restrição.

Segundo a mãe, o resultado não apontou registro de roubo ou furto. Diante da divergência, a família retornou à delegacia por volta das 23h30.

No local, conforme o relato, um policial de plantão verificou o número do IMEI diretamente no celular e constatou que ele correspondia ao informado na caixa e no comprovante de compra.

A mãe afirma que não recebeu esclarecimentos sobre a diferença entre a consulta feita por ela e a informação apresentada pelos guardas municipais.

"Qual foi o meio utilizado pelo agente para detectar que o aparelho era um aparelho com restrição de roubo? Por que a consulta que eu fiz não apresentou essa restrição? O que justifica ter levado meu filho da forma que ele foi levado?", questionou.

Sara também afirmou acreditar que a cor da pele do filho influenciou a abordagem. "A sensação que ficou para mim é que eles precisavam de um rosto e o rosto foi, infelizmente, meu filho, que foi tratado como se fosse um ladrão, sem ter prova nenhuma", disse.

"Eles não escolheram uma pessoa de pele clara. Eles escolheram um preto, porque achavam que meu filho era sem nome, sem família, que era um zé-ninguém", acrescentou.

A mãe afirmou que pretende buscar esclarecimentos sobre a atuação dos agentes e demonstrou preocupação com outros adolescentes que passam por situações semelhantes.

"Quantas mães não têm essa oportunidade? Quantos jovens, além do constrangimento, enfrentam hostilidade, violência física e sofrimento psicológico? Pensar nisso aumenta ainda mais minha indignação", afirmou.

Polícia Civil investiga denúncia de discriminação racial

A Polícia Civil informou que a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca) investiga a denúncia de discriminação racial contra o adolescente.

Segundo a instituição, o registro de ocorrência aponta que o adolescente foi abordado por guardas municipais em um estabelecimento comercial na Barra, passou por revista pessoal e foi informado de que seu celular tinha restrição por roubo.

O jovem foi conduzido a uma unidade policial e posteriormente liberado. A Polícia Civil informou ainda que realiza oitivas e diligências para esclarecer as circunstâncias do caso.

O que diz a Guarda Civil Municipal de Salvador

A ação foi motivada por denúncias de transeuntes durante patrulhamento preventivo na Região da Barra — nas proximidades do Farol e do monumento do Cristo —, que alertaram as equipes sobre o roubo de uma mochila cometido por um grupo de jovens contra um casal. Durante as buscas, um grupo com as características informadas foi localizado e abordado de forma absolutamente tranquila no interior de um estabelecimento comercial local. A intervenção ocorreu em ambiente dotado de sistema de monitoramento por câmeras, que registrou integralmente a conduta dos agentes, sem qualquer exposição ou constrangimento aos envolvidos.

Embora os pertences do casal não estivessem com o grupo no momento da abordagem, a checagem aos sistemas oficiais de Segurança do Governo Federal (Sinesp+), realizada pela GCM, revelou que dois dos menores portavam aparelhos celulares com registros ativos de restrição por roubo/furto. O procedimento seguiu com a consulta formal aos bancos de dados efetuada pela Polícia Civil, que confirmou rigorosamente a existência das restrições nos aparelhos. Por exigência legal, a constatação do alerta impede a liberação imediata no local, cabendo exclusivamente ao Delegado de Polícia da unidade especializada a análise de notas fiscais, a apuração da procedência lícita dos bens e a verificação das alegações da família de que os aparelhos teriam sido adquiridos em plataformas de comércio eletrônico.

A instituição esclarece que não houve o uso de algemas em nenhum momento da ação. A condução no compartimento de transporte do veículo ocorreu exclusivamente em razão da lotação da viatura e para garantir a segurança de todos os ocupantes, destacando-se que a mãe do jovem acompanhou o deslocamento entre as delegacias sendo transportada na própria viatura da Guarda Municipal.

Por fim, a GCM reitera que mantém programas permanentes e capacitações contínuas voltadas ao combate ao racismo e à discriminação, com instruções rotineiras pautadas na legalidade e no respeito aos direitos humanos. A corporação reforça que a abordagem fundamentou-se estritamente nas denúncias de populares e nas características repassadas sobre o grupo suspeito, sem qualquer distinção ou viés racial na atuação dos agentes."

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Reportagem completa: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/11/07/policia-investiga-denuncia-de-discriminacao-racial-contra-adolescente-na-bahia.ghtml

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