# Operação Laziosi mira ramificações de esquema de venda de remédios falsos contra o câncer; veja o que se sabe

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/11/07/operacao-laziosi-mira-ramificacoes-de-esquema-de-venda-de-remedios-falsos-contra-o-cancer-veja-o-que-se-sabe.ghtml)
- Publicado em: 2026-11-07T19:40:26.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1561299-operacao-laziosi-mira-ramificacoes-de-esquema-de-venda-de-remedios-falsos-contra

> Medicamentos falsificados foram apreendidos em operação do Gaeco de Ribeirão Preto, SP, e da Polícia Civil

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público deflagraram esta semana a segunda fase da Operação Laziosi para desarticular um esquema de comercialização de medicamentos oncológicos falsificados envolvendo uma distribuidora de Araraquara (SP).

A força-tarefa, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Ribeirão Preto (SP) e pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), foca em mapear lacunas da apuração, como a identificação de novos envolvidos e a lista de hospitais que adquiriram lotes sem princípio ativo ou oriundos de roubos de carga.

Três pessoas investigadas por integrar a organização criminosa tiveram a prisão preventiva decretada. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens, além da suspensão das atividades de sete empresas ligadas ao grupo.

A reportagem não conseugiu localizar as defesas das pessoas presas até a última atualização desta reportagem. Segundo as autoridades policiais, os investigados preferiram permanecer em silêncio durante o cumprimento dos mandados. A empresa investigada também não se posicionou.

De acordo com o delegado Diógenes Santiago, as apreensões efetuadas durante a operação devem abrir novas frentes de investigação sobre a estrutura financeira do grupo.

"Um dos locais em que nós cumprimos mandado de busca, uma residência, um local bastante precário, descobrimos que se tratava de um escritório, uma parte financeira de três empresas do âmbito de venda de medicamentos, ou seja, um local totalmente escuso. Bastante material foi apreendido", afirmou o delegado.

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O que ainda é preciso investigar?

A principal lacuna que a Polícia Civil e o Gaeco tentam preencher é o mapeamento de todas as instituições de saúde que compraram os remédios falsificados.

As autoridades apreenderam 10 notebooks e CPUs, aparelhos celulares e documentos no endereço residencial que funcionava como "bunker" financeiro.

O material passará por perícia para identificar fornecedores de insumos, rota de distribuição e eventuais redes de ocultação do patrimônio de R$ 15 milhões bloqueado judicialmente.

Como funcionava o esquema de falsificação e troca de remédios?

As apurações começaram em 2024, quando uma distribuidora sediada em Araraquara vendeu unidades adulteradas de um medicamento imunoterápico a um hospital da capital paulista.

🔍Nivolumabe é um imunoterápico de alto custo indicado para o tratamento de diversos tipos de câncer avançado, como tumores de pulmão, melanoma e rim.

Laudos periciais do laboratório fabricante atestaram que os remédios não possuíam o princípio ativo.

Ao perceberem irregularidades nos frascos durante a triagem, os hospitais rejeitavam os produtos.

Para evitar que as denúncias avançassem, a distribuidora recolhia as ampolas falsas e as substituía por unidades de lotes verdadeiros, mas que haviam sido roubados, como uma carga interceptada em novembro de 2024 em Uberaba (MG).

Quanto e para onde foram os medicamentos?

Somente entre janeiro e novembro de 2024, a distribuidora investigada emitiu notas fiscais de saída do medicamento que somam mais de R$ 1,5 milhão para clientes localizados em pelo menos sete estados.

Na região, há registro de comercialização de nove unidades falsificadas para um hospital particular em Araras (SP).

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O que tinha nas ampolas falsas?

Perícias e análises laboratoriais constataram que os frascos adulterados continham apenas substâncias como água salina, sódio e cloro, sem qualquer efeito terapêutico contra o câncer.

Segundo registro do hospital de Araras citado no procedimento do MP, ao menos uma dose do lote falsificado chegou a ser administrada a um paciente.

Por outro lado, o promotor de Justiça Júlio Saraiva ressaltou que as autoridades não receberam informações conclusivas sobre danos à saúde de pacientes, pois a maior parte das unidades foi recolhida pelas farmácias hospitalares antes da aplicação.

Quem são os investigados?

As investigações apontam três alvos principais que foram presos preventivamente:

Nalva Braz do Nascimento: apontada como a controladora da distribuidora em Araraquara;

Petter Gabriel Cavalcante Chagas: responsável pelo contato e negociação direta com o mercado hospitalar;

Sharlene Chaves Barbosa: atuante na gestão financeira do esquema por meio de empresas interligadas.

Os investigados respondem pelos crimes de adulteração ou falsificação de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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Reportagem completa: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/11/07/operacao-laziosi-mira-ramificacoes-de-esquema-de-venda-de-remedios-falsos-contra-o-cancer-veja-o-que-se-sabe.ghtml

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