As respostas mostram diferentes caminhos. Enquanto alguns desejam ingressar em universidades públicas, outros pensam em empreender ou conciliar os estudos com o trabalho. Além disso, a possibilidade de morar fora do Brasil aparece entre os objetivos dos entrevistados.
Apesar das diferenças, todos compartilham um desejo: construir um futuro com estabilidade e oportunidades.
Estudante de Jundiaí sonha com Medicina, mas teme dificuldades financeiras
Aos 17 anos , Maria Luisa Lamas Santos cursa o terceiro ano do ensino médio no Senac Jundiaí . Prestes a concluir essa etapa, ela já tem um objetivo definido: ingressar na faculdade de Medicina. Entretanto, o sonho de se tornar médica vem acompanhado de uma preocupação financeira. Maria Luisa pretende trabalhar durante a graduação para conseguir se manter.
“Minha maior dificuldade é pensar no lado financeiro. Como poderei me sustentar no meu período de estudos?”, se pergunta.
Além da formação acadêmica, a estudante considera a possibilidade de viver uma experiência internacional. Como sua família possui cidadania portuguesa, ela acredita que estudar ou trabalhar fora do Brasil pode abrir novas oportunidades.
Para Maria Luisa, essa experiência também permitiria conhecer outras culturas, lugares e pessoas. Ao imaginar sua vida daqui a cinco anos, ela demonstra entusiasmo com os próximos passos.
“Eu me imagino terminando a faculdade de medicina, me preparando para me casar e realmente começar a vida adulta”, afirma.
Aluno da Etec Benedito Storani quer universidade pública e estabilidade financeira
Também com 17 anos , Diego Nunes Lima estuda no terceiro ano do ensino médio da Etec Benedito Storani , em Jundiaí .
Seu principal objetivo é conquistar uma vaga em uma universidade pública. Segundo Diego, o incentivo da família tem papel importante nessa decisão.
“Meu principal objetivo é ingressar em uma universidade pública e dar continuidade à minha formação acadêmica”, explica.
No entanto, o jovem reconhece que a trajetória exigirá adaptação. Entre suas preocupações estão os desafios acadêmicos, as mudanças na rotina e a busca pela independência financeira. Diego também considera estudar ou trabalhar no exterior.
Para ele, a experiência pode ampliar as oportunidades de aprendizado e especialização profissional. Quando pensa nos próximos cinco anos, o estudante espera alcançar objetivos que vão além da carreira.
“Espero ter conquistado estabilidade financeira e estar construindo uma família, alcançando meus objetivos pessoais e profissionais”, afirma.
Inteligência artificial preocupa estudante do IFSP Jundiaí
A transformação do mercado de trabalho pela tecnologia já faz parte das preocupações de Kamilly Vitória de Lima Teixeira , de 17 anos . Ela cursa o terceiro ano do ensino médio integrado ao técnico em Logística no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Câmpus Jundiaí .
Após concluir os estudos, Kamilly pretende ingressar em uma universidade pública. Em seguida, deseja encontrar um emprego formal relacionado à sua área de formação. A experiência no ensino técnico e o histórico de aprovação de antigos estudantes da instituição reforçaram sua vontade de continuar estudando.
Entretanto, uma questão chama especialmente sua atenção: o avanço da inteligência artificial .
“Minhas maiores preocupações são referentes ao crescimento das inteligências artificiais, tanto no mundo acadêmico quanto no mercado de trabalho”, explica.
Embora reconheça os benefícios dessas ferramentas, Kamilly teme que a expansão tecnológica provoque a redução de postos de trabalho.
Por outro lado, ela também enxerga oportunidades fora do país. A estudante considera fazer intercâmbio para ampliar seus conhecimentos, construir contatos profissionais e aprender novos idiomas.
“Meu maior sonho para o futuro é conquistar essa estabilidade e continuar me aprofundando em assuntos e áreas de conhecimento que despertam meu interesse”, destaca.
Em Várzea Paulista, jovem de 15 anos quer expandir os negócios da família
Enquanto alguns estudantes planejam ingressar na universidade, Renan Pereira da Silva , de 15 anos , já pensa no empreendedorismo. Morador de Várzea Paulista , ele cursa o primeiro ano do ensino médio no Sesi 316, em Campo Limpo Paulista .
Seu objetivo é dar continuidade aos negócios da família, que possui duas lojas de uma franquia de chocolates. Uma unidade fica em Campo Limpo Paulista e a outra no bairro Agapeama, em Jundiaí.
“Já decidi que pretendo dar continuidade aos negócios da minha família, administrando as duas lojas”, conta.
Apesar do interesse pela administração das lojas, Renan ainda não decidiu se fará faculdade. Por enquanto, pretende iniciar um curso técnico oferecido pelo Sesi. Caso escolha o ensino superior, Administração aparece como sua principal opção.
Além do interesse pelos negócios, o adolescente também se dedica à escrita. Recentemente, produziu uma redação sobre bullying, em uma atividade de preparação para o Enem. Segundo Renan, ele conquistou 720 pontos , resultado 60 pontos acima da média de 660 registrada na atividade.
Apesar dos planos profissionais, o jovem não quer deixar de lado seus interesses pessoais. Uma de suas preocupações é conseguir equilibrar trabalho, estudos e momentos de lazer.
“Recentemente, descobri um interesse maior pela leitura e gostaria de continuar tendo momentos para me dedicar a esse e a outros hobbies”, explica.
Renan também sonha em expandir os negócios familiares para outros países.
“Gostaria de ter a oportunidade de abrir novas lojas em outros países e ampliar a atuação da empresa no mercado internacional”, afirma.
Daqui a cinco anos, ele espera estar conquistando seu espaço como empreendedor.
O que os estudantes da região esperam do futuro?
Embora tenham objetivos diferentes, os quatro jovens demonstram preocupações semelhantes. A busca por estabilidade financeira , o acesso à formação profissional e a construção de uma carreira aparecem como prioridades.
Para Maria Luisa, o desafio é conseguir pagar as despesas enquanto cursa Medicina. Diego busca uma universidade pública e segurança financeira. Já Kamilly se preocupa com os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. Renan, por sua vez, quer assumir responsabilidades nos negócios familiares sem abandonar seus hobbies.
O ensino superior continua sendo uma das principais possibilidades para esses estudantes. Nesse contexto, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) representa uma porta de entrada para a faculdade.
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) , as notas do exame podem ser utilizadas em programas como Sisu e ProUni, além de processos de acesso a instituições portuguesas conveniadas.
Na região, a procura pelo exame também chama atenção. Em 2025, Jundiaí registrou 8,5 mil inscritos , conforme dados divulgados em reportagem do Tribuna de Jundiaí.
Entre sonhos, dúvidas e decisões importantes, os depoimentos revelam que o fim do ensino médio representa mais do que uma conclusão escolar; é o começo de uma nova fase, marcada pelo desejo de conquistar independência, realizar projetos pessoais e encontrar seu lugar no mundo.

