A margem paraguaia da Itaipu Binacional mantinha cerca de R$ 1 bilhão no Ueno Bank, instituição financeira do Paraguai que teve as operações suspensas na terça-feira (3) após problemas identificados pelo Banco Central do país. A hidrelétrica informou neste sábado (7) que iniciou medidas judiciais para tentar recuperar o dinheiro.

A Itaipu Binacional é uma hidrelétrica administrada conjuntamente pelo Brasil e pelo Paraguai, que dividem igualmente a energia produzida pela usina. Embora a gestão seja compartilhada, cada país possui uma estrutura administrativa e financeira própria, com autonomia para administrar os recursos sob sua responsabilidade, conforme as regras da entidade.

Segundo comunicado da administração paraguaia, a Itaipu tinha US$ 163,8 milhões e 115,2 bilhões de guaranis depositados no banco em 3 de novembro, data da suspensão. Somados, os valores correspondem a aproximadamente US$ 182,2 milhões, pouco mais de R$ 1 bilhão.

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A entidade afirmou que os recursos estavam destinados ao pagamento de obrigações contratuais e compromissos previstos em convênios. Parte do dinheiro também era proveniente de pagamentos feitos pela Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), estatal responsável pelo setor elétrico paraguaio.

Margem paraguaia da Itaipu divulga comunicado sobre dinheiro retido no Ueno Bank

Em nota enviada ao g1, a administração brasileira de Itaipu esclareceu que não havia recursos sob sua gestão depositados ou aplicados no Ueno Bank.

"A operação da Itaipu segue normalmente, sem impacto na produção e no fornecimento de energia", informou.

A administração brasileira reforçou que suas aplicações financeiras seguem critérios internos de segurança, liquidez e rentabilidade.

Ueno Bank no Paraguai

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Itaipu tenta recuperar os recursos

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Segundo a administração paraguaia, a hidrelétrica iniciou medidas judiciais junto à Procuradoria-Geral do Estado do Paraguai para recuperar o dinheiro.

A entidade também acompanha os procedimentos estabelecidos pelo Banco Central paraguaio para a devolução dos valores mantidos na instituição.

A Itaipu informou que começou a operar com o Ueno Bank em janeiro de 2025. Segundo o comunicado, os depósitos eram feitos em instituições financeiras autorizadas a funcionar no país, com classificação de risco exigida pela entidade e aprovação prévia da Diretoria Executiva.

A administração paraguaia também afirmou que distribui seus recursos entre diferentes bancos para reduzir riscos.

Entre 2024 e 2026, a Itaipu transferiu mais de US$ 2,4 bilhões do Brasil para o Paraguai, como parte de uma política de distribuição de recursos entre as duas margens da hidrelétrica.

Nesse período, a entidade registrou aproximadamente US$ 450 milhões em rendimentos financeiros, segundo o comunicado.

A administração paraguaia afirmou que o dinheiro mantido no Ueno Bank representava 7,6% das remessas recebidas do Brasil no período.

Não foram informados prazos para a recuperação dos recursos depositados no Ueno Bank nem quanto desse dinheiro poderá ser devolvido à hidrelétrica.

Crise bancária e política no Paraguai

O Ueno Bank teve as operações suspensas pelo Banco Central do Paraguai na terça-feira (3), após a identificação de problemas na situação financeira da instituição.

Com a medida, clientes ficaram sem acesso ao dinheiro depositado. Entre os afetados estão brasileiros que vivem, estudam ou mantêm investimentos no país vizinho.

A crise bancária ocorre em meio à instabilidade política no Paraguai. Na sexta-feira (6), o impeachment do ex-presidente Santiago Peña foi concluído e o vice-presidente, Pedro Alliana, assumiu a presidência. Peña também passou a responder a acusações criminais relacionadas à crise do Ueno Bank e teve a prisão preventiva determinada

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