Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) , a escassez de doadores dificulta o atendimento de animais que precisam de transfusões. Apesar da importância do procedimento, muitos tutores ainda desconhecem essa possibilidade.
As transfusões podem ser necessárias em casos de atropelamentos, hemorragias, anemias graves, doenças infecciosas e cirurgias complexas . Nessas situações, a disponibilidade de sangue compatível pode fazer a diferença no tratamento.
Quais pets podem doar sangue?
Nem todos os animais estão aptos à doação. Para garantir a segurança, os bancos veterinários seguem critérios relacionados à idade, ao peso e às condições de saúde.
De acordo com a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP) , os principais requisitos são:
Cães: pesar mais de 25 quilos e ter entre 1 e 8 anos.
Gatos: pesar mais de 4,5 quilos e ter entre 1 e 7 anos.
Saúde: estar saudável, com vacinação e vermifugação em dia.
Comportamento: apresentar temperamento dócil para permitir a coleta.
Prevenção: manter o controle de pulgas e carrapatos.
Além disso, fêmeas gestantes ou no cio não devem doar. Animais que passaram por cirurgias recentes também podem ter restrições.
Os critérios podem variar entre instituições. Por isso, a avaliação de um médico-veterinário é indispensável.
Como funciona a doação de sangue para pets?
Antes de doar, o animal passa por uma avaliação clínica e exames laboratoriais. Essa etapa permite identificar possíveis doenças e verificar se a coleta será segura.
Após a aprovação, a equipe veterinária realiza a retirada do sangue em um ambiente adequado. O procedimento de coleta costuma durar poucos minutos, embora todo o atendimento possa levar mais tempo.
A doação também exige cuidados com a compatibilidade sanguínea. Assim como os humanos, cães e gatos possuem diferentes tipos de sangue. Por isso, a equipe deve avaliar a compatibilidade antes da transfusão.
Segundo o CRMV-MT , o intervalo entre doações costuma ser de três meses. Entretanto, a frequência depende das condições de saúde e da avaliação veterinária.
Falta de doadores afeta bancos de sangue veterinários
A baixa participação dos tutores representa um desafio para hospitais e bancos de sangue animal.
Em Jundiaí (SP) , por exemplo, uma reportagem publicada em setembro de 2026 apontou dificuldades para manter as reservas. Na ocasião, o Banco de Sangue Amazoo relatou estoques zerados para cães e gatos. Já o Hemocentro Hemovita estimava precisar de 100 a 200 novos doadores na região.
A situação reforça a necessidade de ampliar a conscientização. Afinal, as transfusões não atendem apenas acidentes. Elas também fazem parte do tratamento de doenças graves.
Além disso, os bancos precisam de doações frequentes para manter bolsas disponíveis em situações inesperadas.
Como cadastrar seu pet para doar sangue?
Tutores interessados podem procurar hospitais veterinários, universidades ou bancos de sangue animal que realizem a coleta.
O primeiro passo é entrar em contato com a instituição para conhecer os critérios de seleção. Em seguida, a equipe orienta sobre o agendamento da avaliação e os exames necessários.
Na região de Jundiaí, o Banco de Sangue Amazoo recebe interessados em cadastrar cães e gatos. O contato informado pela instituição é (11) 97098-2181 .
Mesmo que o animal não esteja apto, os tutores podem contribuir divulgando campanhas e incentivando outros responsáveis a conhecer a doação.
Com mais pets cadastrados, os bancos veterinários podem ampliar seus estoques e melhorar o atendimento aos animais que precisam de transfusão.
*Imagem ilustrativa: Tribuna de Jundiaí, com auxílio de IA e direção criativa humana | Reprodução proibida sem autorização.

