Economistas estimam que esse patamar da Selic será mantido até 2027. Caso isso se confirme, Lula iniciará o 4º mandato com a taxa básica de juros no mesmo nível do início do 3º mandato.
A dívida pública cresceu 11,2 pontos percentuais no período em relação ao PIB (Produto Interno Bruto). Estava em 71,7% do PIB em dezembro de 2022, último mês do governo de Jair Bolsonaro (PL). Atingiu 82,9% em setembro.
, economista e pesquisador do FGV Agro (Centro de Estudos do Agronegócio), atribuiu ao descompasso fiscal o avanço da dívida pública. “A sequência de deficits primários que o atual governo acumulou desde 2023 explica isso” , declarou.
José Ronaldo de Souza, economista e sócio da Quantivis Analytics , afirmou haver um “crescimento acelerado dos gastos públicos, especialmente com transferências de renda” .
“Sem uma sinalização de mudança de política, isso pode consolidar a trajetória explosiva da dívida, o que aumenta o risco e o custo da dívida” , acrescentou.
Disse também que as despesas públicas excessivas “pressionam a inflação e forçam o Banco Central a agir de forma contracionista ”.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu na 4ª feira (4.nov.2026) manter a Selic em 13,75%. O Copom havia reduzido a Selic nas 5 reuniões anteriores.
A taxa básica estava em 15% em janeiro de 2026, quando começaram os cortes. Foi o patamar mais alto atingido no 3º mandato de Lula.
O Copom começou a reduzir a Selic em agosto de 2023. A taxa chegou a 10,5% em maio de 2024. Manteve a taxa nesse patamar até setembro de 2024, quando começou a aumentá-la novamente. A Selic chegou a 15% em junho de 2025. Ficou assim em 6 reuniões do Copom, até janeiro de 2026.
Ecio Costa, economista e professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), ressaltou que a parte da dívida pública atrelada à Selic torna o nível da taxa mais prejudicial às contas públicas.
“É cada vez mais caro rolar essa dívida. O ideal para o país seria ter a maior parte do endividamento de longo prazo, não de curto prazo, como a Selic, porque você precisa ficar renovando a cada ano ou a cada 2, 3 anos. No de longo prazo, você consegue taxas geralmente mais baixas” , declarou.
A dívida pública atrelada à Selic atingiu recorde em agosto de 2026: 52,74% do total. Em setembro, recuou para 51,60% da DPF (Dívida Pública Federal).
PROPOSTA DE LARA RESENDE
O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, criticou as altas taxas de juros do país. Propôs em um artigo a criação de um conselho no governo para levar a Selic a 7,5% no prazo de um ano. Parte do PT defendeu a ideia.
O economista John Cochrane, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, disse ter “preocupações” com a proposta de Resende. Cochrane foi citado no artigo de Resende por considerar altas taxas de juros prejudiciais à economia. Mas o economista norte-americano afirmou na resposta ao texto de Resende que a redução da taxa básica exige confiança na política fiscal do governo. Ele avalia que há falta de confiança atualmente.
Lula se reuniu na 5ª feira (5.nov) com economistas para discutir a política econômica a ser estabelecida no 4º mandato.
O governo cogita mudanças no teto do crescimento de despesas do arcabouço fiscal, hoje em 2,5%. Em julho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia sinalizado ao mercado financeiro um arcabouço fiscal mais rígido e sustentável nos próximos anos.
A intenção é que esse teto fique abaixo de 2%. Durigan, entretanto, ainda não falou publicamente sobre esse patamar.
“O problema todo é que o arcabouço nunca foi cumprido. E se não se cumpre, não há nenhuma punição. Isso traz a manutenção de uma descredibilidade por parte do mercado em relação ao que está se prometendo” , disse Ecio Costa.

