# Hospital São Vicente registra crescimento de 5,3% de pacientes acompanhados por câncer de próstata; oncologista explica sinais de alerta

- Seção: Itatiba e Região
- Fonte: Tribuna de Jundiaí (https://tribunadejundiai.com.br/saude/hsv-aumento-atendimentos-cancer-prostata-2026/)
- Publicado em: 2026-11-08T13:14:02.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1571207-hospital-sao-vicente-registra-crescimento-de-5-3-de-pacientes-acompanhados-por

> Oncologista clínico Dr. Breno Reiss, do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo - Foto: Hospital São Vicente

O Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV) acompanhou 1.183 pacientes em tratamento contra o câncer de próstata pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 1º de janeiro e 26 de outubro de 2026. No mesmo período de 2025, foram registrados 1.123 pacientes, o que representa um crescimento de 5,3% no número de pessoas acompanhadas pela instituição.

Outro dado que chama a atenção é a idade média dos pacientes, que permaneceu em 73,3 anos nos dois períodos.

Durante o Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde do homem , o oncologista clínico do HSV, Dr. Breno Reiss, destaca que a informação e a avaliação médica são fundamentais para identificar a doença em fases iniciais, quando as possibilidades de tratamento são mais favoráveis.

Câncer de próstata pode evoluir sem apresentar sintomas

Um dos principais desafios relacionados ao câncer de próstata é que a doença costuma ser silenciosa em seus estágios iniciais. Isso significa que o homem pode não apresentar qualquer alteração perceptível, mesmo com um tumor em desenvolvimento.

Quando os sintomas aparecem, os mais comuns são dificuldade para urinar, diminuição da força do jato urinário, aumento da frequência urinária, principalmente durante a noite, e presença de sangue na urina ou no sêmen. Em situações mais avançadas, também podem surgir dores persistentes nas costas, na região lombar ou nos ossos.

Segundo o Dr. Breno Reiss, a ausência de sintomas não deve ser interpretada como garantia de que está tudo bem.

“Grande parte dos casos de câncer de próstata em estágio inicial não apresenta sintomas. Isso significa que um homem pode estar aparentemente saudável e, ainda assim, apresentar a doença”, explica o oncologista.

O médico ressalta que esses sinais também podem estar relacionados a condições benignas da próstata, como inflamações e aumento prostático. Por isso, a presença de sintomas não confirma um diagnóstico de câncer, mas indica a necessidade de avaliação médica.

PSA e toque retal ajudam a identificar alterações na próstata

Na investigação inicial do câncer de próstata, dois exames são especialmente importantes: o PSA, realizado por meio de uma coleta de sangue, e o toque retal.

O PSA é uma proteína produzida pela próstata. Quando seus níveis estão elevados, pode haver alguma alteração no órgão, mas isso não significa necessariamente a presença de um tumor. Inflamações e o aumento benigno da próstata também podem provocar essa elevação.

Já o toque retal permite que o médico avalie características da próstata, como sua consistência e a presença de possíveis nódulos suspeitos.

“Esses exames são complementares e ajudam a identificar situações que merecem investigação”, esclarece Reiss.

Quando os resultados indicam necessidade de aprofundamento, podem ser solicitados exames como a ressonância magnética da próstata. Diante de uma suspeita relevante, a biópsia é utilizada para confirmar ou descartar o diagnóstico.

A partir de qual idade os homens devem investigar a saúde da próstata?

A idade para iniciar a avaliação deve considerar fatores individuais, especialmente o histórico familiar e as condições de saúde de cada homem.

De maneira geral, a partir dos 50 anos, é importante conversar com um médico sobre os benefícios e possíveis riscos dos exames de detecção precoce. Para homens com maior risco, especialmente aqueles que têm pai ou irmão diagnosticado com câncer de próstata, a discussão pode começar mais cedo, frequentemente entre os 40 e 45 anos.

O oncologista destaca que não existe uma recomendação universal de realização de exames anuais para todos os homens.

“A decisão deve ser individualizada e compartilhada entre médico e paciente. O principal objetivo é identificar precocemente os tumores que realmente representam risco à saúde, evitando também exames e tratamentos desnecessários”, afirma.

Quais são os tratamentos disponíveis para o câncer de próstata?

O tratamento depende de fatores como o estágio da doença, a agressividade do tumor, a idade e as condições clínicas do paciente. Atualmente, existem diferentes alternativas, que podem ser indicadas isoladamente ou combinadas.

Nos casos em que o câncer está localizado na próstata, as principais possibilidades são a cirurgia para retirada do órgão e a radioterapia, ambas com intenção curativa. Para determinados tumores de baixo risco, também existe a possibilidade de vigilância ativa, estratégia em que o paciente realiza acompanhamento médico rigoroso sem iniciar imediatamente um tratamento.

Quando a doença apresenta maior extensão, podem ser associados tratamentos hormonais e radioterapia. Nos casos em que o câncer se espalhou para outros órgãos, existem opções sistêmicas, como medicamentos hormonais de nova geração, quimioterapia, terapias direcionadas a alterações genéticas específicas e radiofármacos para pacientes selecionados.

“A oncologia evoluiu muito nos últimos anos. Hoje conseguimos oferecer tratamentos cada vez mais individualizados, com maior controle da doença, aumento da sobrevida e preocupação constante com a qualidade de vida”, observa o médico.

Câncer de próstata tem cura? Nem todo paciente precisa passar por cirurgia

O diagnóstico de câncer de próstata não significa, necessariamente, que o paciente precisará passar por uma cirurgia. Dependendo das características do tumor, o acompanhamento por vigilância ativa pode ser suficiente inicialmente. Em outros casos, a radioterapia apresenta resultados favoráveis.

Quando identificado ainda localizado, o câncer de próstata apresenta perspectivas bastante positivas de tratamento. Em muitos grupos de pacientes, a sobrevida relativa em cinco anos se aproxima de 100%, embora esse indicador não represente garantia de cura definitiva para todos.

Reiss explica que a escolha terapêutica precisa considerar não apenas o controle da doença, mas também os impactos do tratamento na vida do paciente.

“A escolha do tratamento deve buscar não apenas o controle do câncer, mas também preservar, sempre que possível, a qualidade de vida, a função urinária e a saúde sexual”, destaca.

Acompanhamento continua mesmo depois do tratamento

Concluir o tratamento não significa encerrar os cuidados médicos. O acompanhamento continua sendo necessário para avaliar a resposta terapêutica e identificar possíveis alterações ao longo do tempo.

O principal exame utilizado nesse monitoramento é o PSA. Dependendo do tratamento realizado e das características da doença, as avaliações podem ocorrer inicialmente a cada três a seis meses, com ampliação gradual dos intervalos conforme a evolução clínica e o risco individual.

Também é importante observar possíveis consequências do tratamento, como alterações urinárias e sexuais. Nos pacientes submetidos ao bloqueio hormonal, a saúde óssea e metabólica merece atenção especial.

Outro ponto é a possibilidade de recidiva, ou seja, o retorno da doença após o tratamento. Na maioria das vezes, a primeira indicação de uma possível recidiva é uma elevação do PSA, identificada nos exames de acompanhamento, e não o aparecimento de sintomas.

Quando necessário, exames de imagem mais modernos, como o PET-CT com PSMA, podem ajudar a localizar possíveis focos da doença.

O médico ressalta, porém, que uma elevação isolada do PSA não significa necessariamente que o câncer voltou. A interpretação depende do tratamento realizado anteriormente e da evolução dos resultados.

Novembro Azul reforça a importância de cuidar da saúde durante todo o ano

Para o Dr. Breno Reiss, a conscientização sobre o câncer de próstata precisa ir além das ações realizadas durante o mês de novembro. A resistência de muitos homens em procurar atendimento médico, principalmente quando não apresentam sintomas, ainda representa um desafio.

“O Novembro Azul é muito mais do que uma campanha sobre o câncer de próstata. É uma oportunidade de lembrar que a saúde masculina precisa ser valorizada durante todo o ano”, afirma.

O oncologista reforça que a informação e o diálogo são caminhos importantes para mudar esse comportamento e incentivar o cuidado preventivo.

“A melhor atitude não é ter medo de descobrir uma doença, mas compreender seus riscos, procurar orientação médica e tomar decisões conscientes sobre a própria saúde”, conclui.

Reportagem completa: https://tribunadejundiai.com.br/saude/hsv-aumento-atendimentos-cancer-prostata-2026/

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