O potencial da sardinha é destacado por especialistas e pesquisas científicas. Uma revisão publicada na revista Frontiers in Nutrition , com participação de um pesquisador da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), apontou que os benefícios do peixe vão além do ômega-3 e envolvem uma combinação de nutrientes importantes para a saúde cardiovascular.

A nutricionista Monique Vanessa de Azevedo Proença, ligada ao Hospital Sírio-Libanês , também destaca a sardinha como uma das melhores opções em custo-benefício nutricional no Brasil. Segundo a especialista, o alimento reúne proteínas, vitamina D, cálcio e ômega-3, preservando boa parte dessas propriedades na versão em conserva.

O que a sardinha tem que pode ajudar a combater inflamações?

O principal destaque está no ômega-3 . Essa gordura, encontrada naturalmente em peixes como a sardinha, participa de mecanismos que ajudam o organismo a controlar a inflamação.

A inflamação é uma resposta natural do corpo a infecções e lesões. O problema aparece quando ela se torna persistente, situação que pode estar associada a doenças crônicas, incluindo problemas cardiovasculares.

Na revisão publicada em 2023, os pesquisadores analisaram os possíveis benefícios da sardinha para o coração. O trabalho, que tem entre os autores Heitor O. Santos, vinculado à UFU , destaca que o peixe também fornece minerais e outras substâncias que podem contribuir para a saúde dos vasos sanguíneos.

Os autores ressaltam, porém, que ainda são necessários mais estudos clínicos para confirmar todos os efeitos do consumo de sardinha. Ou seja, ela pode fazer parte de uma alimentação que favorece a saúde, mas não funciona como tratamento isolado contra inflamações.

Sardinha em lata perde os benefícios do peixe fresco?

Essa é uma dúvida comum de quem costuma comprar o alimento no supermercado. A resposta é que o processo de enlatamento não elimina suas principais qualidades nutricionais.

Segundo a nutricionista Monique Vanessa, a conserva mantém boa parte das proteínas e do ômega-3 presentes no peixe. Dependendo da preparação, entretanto, o produto pode conter mais sódio ou calorias devido ao óleo utilizado.

Uma pesquisa brasileira publicada em janeiro de 2026 , no Brazilian Journal of Development , comparou informações nutricionais de sardinhas em óleo comercializadas por diferentes fabricantes no país.

Os pesquisadores encontraram diferenças na quantidade de ômega-3, sódio e gorduras entre as marcas. O estudo mostra que vale a pena comparar os rótulos, já que nem todas as latas apresentam a mesma composição.

Pesquisa brasileira publicada em 2026 identificou diferenças nos teores de ômega-3, sódio e gorduras entre marcas de sardinha em lata, reforçando a importância de comparar os rótulos antes da compra. – Foto: Depositphotos

Os benefícios não param no coração: até os ossos podem ganhar

Além do ômega-3, a sardinha fornece proteínas importantes para a manutenção dos músculos e nutrientes que participam da saúde dos ossos.

Um detalhe curioso está nas pequenas espinhas do peixe. Durante o processo de conservação, elas ficam amolecidas e podem ser consumidas, aumentando a oferta de cálcio na alimentação.

A sardinha também fornece vitamina D , que ajuda o organismo a absorver o cálcio.

Em agosto de 2026, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) destacou a sardinha entre os peixes ricos em ômega-3. O órgão também ressaltou a importância das proteínas, vitaminas e minerais presentes nos pescados para o funcionamento do organismo.

Quantas vezes por semana vale a pena comer sardinha?

A Associação Americana do Coração recomenda o consumo de peixe pelo menos duas vezes por semana, dando preferência às espécies ricas em ômega-3, como a sardinha.

Isso não significa que seja necessário comer sardinha todos os dias. O importante é incluí-la em uma alimentação variada, com verduras, legumes, frutas e outros alimentos nutritivos.

Na hora da compra, o principal cuidado é observar a quantidade de sódio no rótulo . Versões com menos sal podem ser escolhas mais adequadas, especialmente para quem precisa controlar a pressão arterial.

Além do ômega-3, a sardinha fornece proteínas, vitamina D e cálcio. Mesmo em conserva, o alimento mantém nutrientes importantes e pode integrar uma alimentação saudável e equilibrada. – Foto: Canva

A sardinha em lata pode ser usada em saladas, sanduíches, massas ou acompanhada do tradicional arroz com feijão. Sem exigir preparações complicadas, ela oferece uma maneira simples de incluir peixe nas refeições.

E esse talvez seja um de seus maiores atrativos: um alimento comum, que cabe na rotina e pode contribuir para a saúde sem precisar de receitas elaboradas ou ingredientes caros.