# Por que o carro mais barato do mundo pegava fogo e foi um fiasco de vendas?

- Seção: Automóveis
- Fonte: Quatro Rodas (https://quatrorodas.abril.com.br/testes/tata-nano-fracasso-vendas-fim-carro-mais-barato-mundo/)
- Publicado em: 2026-11-08T17:00:43.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1573562-por-que-o-carro-mais-barato-do-mundo-pegava-fogo-e-foi-um-fiasco-de-vendas

> O Tata Nano foi aposentado no mercado indiano antes de completar dez anos do seu lançamento como carro mais barato do mundo . Com falhas de confiabilidade e relatos de incêndio, o modelo que chegou a ser cotado para o Brasil ficou somente na promessa.

Em vez das 250.000 unidades anuais previstas pela marca, o hatch popular somou menos de 300.000 emplacamentos na Índia de 2009 a 2018.

Quando chegou ao mercado, o Nano custava 2.500 dólares Marco de Bari/Quatro Rodas

Foram vendidas apenas três unidades em junho de 2018, contra as 24.465 unidades do Maruti Suzuki DZire, líder na Índia àquela altura. A situação no Nano já estava difícil no mesmo mês de 2017, quando foram comercializados apenas 167 carros, segundo a Auto Punditz.

De acordo com o The Economic Times, da Índia, a Tata já havia indicado que a continuidade do modelo dependia de novos investimentos. Confira como o “fusca do século 21” se saiu durante o teste exclusivo no nosso país, publicado por QUATRO RODAS em março de 2011.

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Ao apresentar o Tata Nano, em março de 2009, a Tata Motors mostrou o que até então parecia impossível: um carro de 2.500 dólares.

Uma série de problemas de confiabilidade derrubaram as vendas na Índia Marco de Bari/Quatro Rodas

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Mas, se lançá-lo foi uma conquista, manter as vendas dentro das previsões tem se revelado uma tarefa mais desafiadora. A primeira dificuldade enfrentada pela fábrica indiana é justamente manter o preço numa faixa não tão distante do plano original.

Pressionado pelo aumento nos custos de produção, o valor inicial de 100.000 rúpias (2.500 dólares) logo passou a 108.000 rúpias (2.700 dólares). E esse é o custo da versão mais simples.

A topo de linha, mostrada aqui, com servofreio, ar-condicionado, travas e vidros elétricos, faróis de neblina e hodômetro digital, bate em 140.000 rúpias (3.500 dólares). A popularidade do pequeno também não ganhou pontos com os cinco casos de Nano que se incendiaram logo nos primeiros meses de uso.

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Havia uma série de soluções para baratear o carro, como as pequenas rodas com três furos Marco de Bari/Quatro Rodas

A conjunção entre subida de preços e acidentes foi devastadora para as vendas , que, do pico de 9.000 unidades em julho de 2010, caíram para 509 em novembro do mesmo ano.

A Tata reagiu: aumentou a garantia de 18 meses ou 24.000 km para quatro anos ou 60.000 km, ampliou a rede autorizada e facilitou o crédito ao consumidor, entre outras ações, e conseguiu subir para 5.784 unidades em dezembro e 6.703 em janeiro deste ano.

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A Tata divulgou também um laudo atribuindo a causa dos incêndios à instalação indevida de acessórios, e dizendo que, mesmo assim, tomaria medidas para proteger a parte elétrica e a região do escapamento do carro, onde o fogo teria começado. A Tata afirma que já vendeu mais de 70.000 unidades do Nano e que 85% dos clientes estão entre &#8220;satisfeitos e muito satisfeitos&#8221;, segundo suas pesquisas.

Motor instalado na traseira pegou fogo em diversas unidades Marco de Bari/Quatro Rodas

Os pontos mais elogiados são o espaço interno, o desempenho e a dirigibilidade, de acordo com a fábrica. Mas, afinal, como anda o carro que era tido como missão impossível pelos outros fabricantes?

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Não há nada de mais no Nano. As rodas de 12 polegadas são fixadas por apenas três parafusos. A direção é mecânica. E os freios, a tambor nas quatro rodas, só recebem assistência nas versões mais caras.

Não há retrovisor do lado oposto ao do motorista, o limpador de para-brisa é único, as portas não têm limitadores nas dobradiças. A bateria vai instalada sob o banco do motorista para encurtar a fiação elétrica. E o acesso ao motor é feito pela cabine, uma vez que a tampa traseira é fixa.

Painel é simples, mesmo se tratando da versão &#8220;de luxo&#8221; Marco de Bari/Quatro Rodas

Em compensação, não há economia de espaço interno. Com 3,10 metros de comprimento, 1,50 de largura e 1,60 de altura, o Nano acomoda bem quatro adultos e o motorista encontra uma posição de dirigir surpreendentemente boa.

Eu me senti muito à vontade, mesmo se tratando de uma versão feita para o mercado indiano, com o volante no lado direito. Lembrei-me daquele carro-conceito de Giugiaro, o Lancia Megagamma, em que o motorista viajava como se estivesse sentado em uma cadeira, posição que depois foi adotada pelas minivans.

A ergonomia, porém, é ruim, porque os poucos comandos que existem geralmente ficam distantes das mãos.

Alerta de velocidade

O Nano é muito fácil de dirigir, seu câmbio tem engates fáceis e as dimensões compactas ajudam nas manobras.

Versão LX era equipada com ar-condicionado Marco de Bari/Quatro Rodas

O desempenho limitado é compatível com sua proposta, com motor de dois cilindros 623 cm³, que gera 33 cv e 4,9 kgfm de torque. Em nossa avaliação, atingimos os 102 km/h de velocidade máxima.

A fábrica declara 110 km/h, mas quem tentou chegar lá diz que a 105 km/h surge um alerta no painel, dizendo que há risco de danos ao motor. Na prova de aceleração de 0 a 100 km/h, conseguimos o tempo de 31 segundos.

Na hora de parar, os freios foram tão discretos quanto o motor. Vindo a 60 km/h, o Nano precisou de 20 metros para frear os 600 kg de peso. A 80 km/h, esse espaço dobrou e a frenagem ocorreu de forma desequilibrada, com a carroceria desestabilizada.

Modelo tinha a missão de substituir motocicletas na Índia Marco de Bari/Quatro Rodas

Seu ponto forte é o consumo. Obtivemos médias de 20 km/l, no regime urbano, e 25 km/l, na estrada, com gasolina &#8211; com o ar-condicionado desligado.

Em resumo, o Nano é um carro que anda bem em linha reta e de preferência no plano. Tivemos a oportunidade de experimentá-lo em rampas de 30 graus de inclinação e ele não se saiu mal, desde que viéssemos embalados e com apenas o motorista a bordo.

Mas, ao tentar sair a partir de um ponto intermediário do aclive, tivemos de apelar para a ré&#8230; Nas curvas, o Nano não chega a desapontar. Mas sua carroceria inclina demais, em razão de seu centro de gravidade elevado, o que transmite certa insegurança.

Para o público a que foi destinado, famílias que usam pequenas motos como meio de transporte, o Nano é uma opção interessante, porque oferece mais conforto, protege da chuva e, na versão mais cara, tem até ar-condicionado.

Espaço interno era suficiente para quatro pessoas Marco de Bari/Quatro Rodas

A versão mostrada aqui, que custa 3.500 dólares na Índia, chegaria por cerca de R$ 11.000, já com os impostos &#8211; o valor de duas Honda CG 125 Fan.

Sem dúvida, ele é mais que uma moto, mas não chega a ser um automóvel com todos os recursos que os modelos atuais mais caros dispõem. Se não levar isso em conta, o motorista pode ter problema ao fazer uma frenagem de emergência ou um desvio repentino, por exemplo.

Ainda que seja o automóvel mais limpo da Índia, com o índice de 101 g/km de CO2, o Tata Nano ainda fica a dever em termos de segurança, quando aspira ao mercado europeu.

Para ser vendido por lá ele precisaria de airbags, um pesado golpe no seu ponto mais sensível, o preço. De fato, o maior desafio da Tata é provar a viabilidade em grande escala de sua pequena criação.

O melhor dos mundos seria se o Nano entregasse mais desempenho e segurança ao preço original. Mesmo custando mais do que os 2.500 dólares planejados, o Nano ainda cumpre seu papel de carro mais barato do mundo.

Teste &#8211; Tata Nano

0-100 km/h (s) &#8211; 31

0-1000 m &#8211; n/d

3ª 40-80 (s) &#8211; 13,4

4ª 60-100 (s) &#8211; 37,2

5ª 80-120 (s) &#8211; n/d

Velocidade máxima (km/h)* &#8211; 110

Frenagem 120/80/60 a 0 (m) &#8211; n/d / 39,9 / 20

Ruído interno PM/ROM max (dBA) &#8211; n/d

Ruído interno 80/120 km/h (dBA) &#8211; n/d

Velocidade real a 100 km/h (km/h) &#8211; n/d

Consumo cidade (km/l) &#8211; 20 km/l

Consumo estrada (km/l) &#8211; 25 km/l

Capacidade do tanque/autonomia (l)/(km) &#8211; 15 / 375

** Dado de fábrica

Ficha técnica &#8211; Tata Nano

Motor: traseiro, transversal, dois cilindros em linha, 4 válvulas, injeção multiponto, 623 cm³

Diâmetro x curso: 73,5 x 73,5 mm

Taxa de compressão: 9,5:1

Potência: 33 cv a 5.500 rpm

Torque: 4,9 kgfm a 2.500 rpm

Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira

Direção: pinhão e cremalheira

Suspensão: McPherson na dianteira e braço semiarrastado na traseira

Freios: tambor nas quatro rodas

Pneus: 135/65 R12 na dianteira, 155/70 R12 na traseira

Dimensões: comprimento, 310 cm; largura, 160 cm; altura, 150 cm; entre-eixos, 223 cm

Porta-malas: 80 litros

Peso: 600 kg

Peso/potência: 18,2 kg/cv

Peso/torque: 122,5 kg/kgfm

Diâmetro de giro: 8 m

Reportagem completa: https://quatrorodas.abril.com.br/testes/tata-nano-fracasso-vendas-fim-carro-mais-barato-mundo/

— Itatiba1 (https://www.itatiba1.com.br). Notícias agregadas e traduzidas; os direitos pertencem aos veículos de origem.