# Combustíveis estariam 2x mais caros sem ação do governo, dizem entidades

- Seção: Brasil
- Fonte: CNN Brasil (https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/combustiveis-estariam-2x-mais-caros-sem-acao-do-governo-dizem-entidades/)
- Publicado em: 2026-11-08T17:06:27.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1574072-combustiveis-estariam-2x-mais-caros-sem-acao-do-governo-dizem-entidades

> Se o governo brasileiro não tivesse atuado para limitar o repasse do choque internacional de preços do petróleo provocado pela guerra no Irã, iniciada em 28 fim de fevereiro, os combustíveis poderiam estar custando cerca do dobro do valor…

A avaliação é de que a estratégia adotada combinou aumento do refino doméstico, contenção de reajustes nas refinarias, desoneração tributária e um pacote de subvenções, mecanismos que seguraram a inflação no curto prazo, mas geraram forte distorção de preços e reduziram a competitividade de importadores e refinarias privadas.

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&#8220;Grosso modo, o preço do diesel hoje estaria o dobro se não fosse a subvenção do governo. A Petrobras está vendendo o combustível pela metade do preço no mercado internacional e está abrindo mão de receita&#8221;, afirmou o presidente da Refina Brasil , associação das refinarias privadas, Evaristo Pinheiro.

Dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) mostram a dimensão da diferença. No diesel, o preço médio da Petrobras nas refinarias hoje é de R$ 3,57 por litro, ante R$ 7,497 no mercado internacional.

Segundo a associação, isso significa que a Petrobras está vendendo o produto a 47% do preço internacional. No caso da gasolina, o preço da Petrobras na refinaria é de R$ 3,80 por litro, contra R$ 7,00 no mercado internacional, em valores aproximados.

Para amortecer o choque externo e reduzir o repasse ao mercado interno, a Petrobras elevou o processamento em suas unidades, operando próxima de 98% da capacidade, para ampliar a produção de derivados e diminuir a necessidade de importação. Ao mesmo tempo, evitou repasses bruscos do petróleo e dos derivados para os preços nas refinarias nacionais, combinando sua política de preços com subsídios e subvenções articuladas pelo governo.

Do lado tributário, o governo zerou impostos federais, como PIS/Cofins e Cide, sobre a gasolina e prorrogou ou ampliou desonerações sobre o etanol.

Também foram concedidos subsídios e subvenções diretas para produtores e importadores de diesel e etanol, com exigência de repasse integral do desconto ao consumidor final, financiados em parte por receitas extraordinárias e pela tributação sobre a exportação de petróleo.

Pinheiro diz que a consequência imediata do descolamento do preço doméstico ante o do mercado internacional é a perda de viabilidade econômica das importações. &#8220;As importadoras não têm como concorrer com a Petrobras&#8221;, afirmou.

Ele concorda que, no curto prazo, a decisão do governo ajuda a conter a inflação, mas avalia que, no longo prazo, a conta tende a aparecer.

Pinheiro afirma que nenhum país do mundo fez o que o Brasil está fazendo. Em outros países, de acordo com ele, os governos adotaram políticas focalizadas, com subsídios direcionados a setores específicos, como motoristas de aplicativos e empresas de ônibus.

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Na mesma linha, o presidente da Abicom, Sérgio Araújo , afirma que a arquitetura montada no Brasil funcionou, na prática, como um suporte à Petrobras. &#8220;O que o governo brasileiro fez foi ajudar a Petrobras, que produz muito, pode vender barato e é compensada com parte do imposto de exportação do que ela mesmo exporta&#8221;, disse.

Araújo chama atenção ainda para o volume de auxílio embutido no preço do diesel e afirma que hoje há duas subvenções &#8220;empilhadas&#8221;, uma de R$ 1,40, que vence no dia 12 de novembro, e outra de R$ 2,12, que vence mais para o fim do mês.

&#8220;No total a subvenção hoje é de R$ 3,52&#8221;, afirmou. Para ele, passadas as eleições, o governo deve começar a reduzir gradualmente esse valor porque já começam a aparecer problemas de caixa.

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