A mesma opinião foi expressa em relação ao diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.
A manifestação foi assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e pelo vice-PGR, Hildebrando Chateaubriand, bem como por 2 subprocuradores-gerais da República, Antônio Teixeira e André Ramos. Leia a íntegra (PDF – 384 kB).
“A qualificação negativa do comportamento das autoridades policiais, para acarretar a drástica medida de afastamento, precisaria estar acompanhada de evidências da participação imprópria em atos ilícitos, o que, com a vênia devida, não se logrou estampar na decisão impugnada” , diz o parecer.
A PGR indica ainda que somente a posição hierárquica não seria suficiente para responsabilizar os servidores por eventuais irregularidades, sendo necessário indicar os atos suspeitos de forma específica.
A manifestação acrescenta que o afastamento do diretor-geral e do diretor de Inteligência da PF tem o potencial de produzir efeitos amplos, que vão muito além de um processo específico, representando assim um “risco à ordem pública” .
Andrei e Almada foram afastados de seus cargos em 8 de setembro, por decisão monocrática do ministro do Supremo André Mendonça, que alegou a participação dos 2 em monitoramento ilícito e produção de relatórios de inteligência apócrifos sobre suas atividades, sem a devida autorização do plenário do Tribunal.
A medida foi tomada por Mendonça sem parecer prévio da PGR, que somente se manifestou agora sobre a decisão. O ministro se manifestou sobre as investigações da operação Compliance Zero, da qual é relator no STF.
O afastamento de Andrei e Almada acabou revertido no dia seguinte pelo ministro do Supremo Flávio Dino, sob a justificativa de riscos a investigações em curso relatadas por ele.
Pouco depois, contudo, o presidente do Tribunal, ministro Edson Fachin, anulou ambas as decisões , tanto a de afastamento como a de reintegração. O objetivo foi restabelecer a ordem pública, justificou.
A operação Compliance Zero investiga fraudes financeiras bilionárias e a corrupção de agentes públicos por parte do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que foi liquidado em novembro do ano passado pelo Banco Central, devido a indícios de gestão temerária.
Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 14 de outubro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

