A investigação da Polícia Civil que levou à Operação ÔM3GA aponta que o grupo suspeito de atuar em prefeituras e câmaras municipais do Tocantins teria usado contratos públicos para abrir espaço dentro das administrações municipais, conseguir novos negócios e repassar mais de R$ 4 milhões em propinas a agentes públicos.

As investigações começaram em 2024, após a identificação de suspeitas de irregularidades em contratações públicas nos municípios de Nova Olinda e Darcinópolis. Depois, o grupo teria expandido sua atuação para outras cidades tocantinenses. O suposto esquema teria movimentado mais de R$ 10,3 milhões em verbas públicas entre 2021 e 2025.

Nesta quarta-feira (14), mais de 100 policiais civis cumpriram 70 mandados de busca e apreensão relacionados a 41 alvos em Araguaína, Palmas, Ananás, Arapoema, Darcinópolis, Pau D'Arco, Pedro Afonso, Nova Olinda, Palmeirante, Colinas do Tocantins e Figueirópolis.

Buscas foram realizadas em sedes de cinco prefeituras e cinco câmaras municipais, escritórios de advocacia, empresas e residências dos investigados. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) não informou quais municípios e gestores são investigados. Por isso, o g1 não conseguiu contato com as defesas dos alvos.

As prefeituras de Nova Olinda e Darcinópolis foram procuradas pela TV Anhanguera, mas não se manifestaram até a última atualização desta reportagem.

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Como funcionava o esquema

Segundo a Polícia Civil, o esquema começava com a contratação de empresas de contabilidade ligadas aos investigados. Esses contratos serviriam como porta de entrada para que o grupo se aproximasse da gestão municipal e passasse a atuar dentro da estrutura administrativa.

Depois disso, de acordo com a investigação, outras empresas ligadas ao grupo passavam a ser contratadas pelos municípios para prestar diferentes serviços, como engenharia, digitalização de documentos, sistemas de gestão e locação de veículos.

Entre os documentos analisados pelos investigadores estão processos de licitação, pareceres jurídicos, minutas de contratos e propostas de empresas concorrentes que estariam em formato editável. Para a polícia, esse material reforça a suspeita de favorecimento nas contratações públicas.

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Planilha registrava repasses

A investigação também concluiu que as empresas de contabilidade investigadas receberam mais de R$ 10,3 milhões entre 2021 e 2025. Segundo a Polícia Civil, a maior parte desse dinheiro veio de prefeituras, câmaras municipais e fundos públicos.

Parte dos recursos recebidos teria sido usada para o pagamento de propinas e mais de R$ 4 milhões teriam sido repassados a agentes políticos, vereadores, secretários, servidores públicos e procuradores municipais em troca do favorecimento das empresas investigadas.

Outro elemento citado pela polícia é uma planilha encontrada em arquivos digitais de um dos investigados. O documento, datado de março de 2021, apresentaria o controle de repasses de valores a agentes públicos, identificados pelo próprio grupo como "voltas".

A Polícia Civil também apura indícios de lavagem de dinheiro. Entre as suspeitas estão saques e depósitos em dinheiro feitos de forma fracionada para dificultar o rastreamento das movimentações financeiras, além do uso de empresas e terceiros para circular recursos.

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