O levantamento foi publicado nesta 4ª feira (14.out.2026) pela CDJor (Coalizão em Defesa do Jornalismo), em parceria com o Labic (Laboratório de Internet e Ciência de Dados) da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo). O monitoramento analisou publicações e comentários no X e no Instagram de 16 de agosto a 4 de outubro. Ao todo, foram identificados 14.182 ataques entre quase 3,7 milhões de conteúdos examinados.
O estudo identificou acusações recorrentes de parcialidade, manipulação e interesses financeiros para desacreditar jornalistas e veículos. Expressões como “fake news” , “jornalista militante” , “imprensa militante” e “mídia golpista” apareceram nas mensagens, além de acusações de manipulação de pesquisas eleitorais.
No período de 13 a 26 de setembro, o termo “fake news” apareceu 171 vezes no X (ex-Twitter) e 108 no Instagram. Falas como “caiu pix” e “pesquisa comprada” também foram registradas, usadas para insinuar que jornalistas ou institutos de pesquisa atuariam em troca de pagamento.
A cobertura da disputa presidencial concentrou 79,7% dos ataques classificados segundo o contexto eleitoral, com 7.314 registros. Outros 1.864 (20,3%) estavam relacionados às eleições estaduais.
Entre os veículos mais atingidos estavam g1 , GloboNews , Folha de S.Paulo e CNN Brasil .
O Instagram concentrou 61,8% dos ataques identificados durante o 1º turno, com 8.768 ocorrências. O X registrou 5.414 (38,2%), mas apresentou maior frequência proporcional de ataques em relação ao volume de conteúdos analisados na plataforma.
Na última etapa do monitoramento, de 27 de setembro a 4 de outubro, o X ultrapassou o Instagram em números absolutos, com 1.382 ataques, ante 1.233.
O relatório também alerta para o uso de ações na Justiça Eleitoral para tentar retirar do ar conteúdos jornalísticos, sob a alegação de que configurariam “propaganda eleitoral negativa” .
O documento cita ações movidas pelo MDB de Alagoas contra a Mídia Caeté e pelo deputado federal Arthur Lira (PP-AL) contra a revista Piauí , além de um processo contra o Aos Fatos.
A coalizão avalia que parte dessas iniciativas busca restringir a divulgação de informações de interesse público. O relatório também registra decisões judiciais que reconheceram a legitimidade da crítica e do escrutínio jornalísticos.
As mulheres concentraram a maioria dos ataques dirigidos a jornalistas individualmente identificados, especialmente na 2ª metade de setembro.
De 13 a 26 daquele mês, elas foram alvo de 77,3% das agressões direcionadas a profissionais identificados no X e de 79,1% no Instagram.
No acumulado do 1º turno, 64,8% dos ataques contra jornalistas individualmente identificados tiveram mulheres como alvo, o equivalente a 2.013 dos 3.106 registros dessa categoria.
As mensagens incluíram insultos misóginos e sexuais, tentativas de desqualificar o trabalho jornalístico e, em alguns casos, incentivo à violência física.
Um dos episódios citados foi o da comentarista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews , que se tornou alvo de ataques depois de um comentário sobre Nossa Senhora Aparecida e da repercussão de uma retratação da emissora.
De 13 a 26 de setembro, a CDJor identificou 226 ataques contra a jornalista no X. No Instagram, o monitoramento também encontrou mensagens com incitação à violência física e à morte.
Além dos ataques identificados nas redes sociais, o governo federal relatou, em nota, restrições impostas por plataformas digitais a perfis de jornalistas e comunicadores. Leia a íntegra (PDF – 263 kB).
O Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, vinculado à Secretaria Nacional de Justiça, afirma ter recebido relatos de banimentos temporários de perfis, limitação de alcance e impedimento de repostagens, sobretudo no Instagram.
Na madrugada desta 4ª feira (14.out.2026), o perfil do comunicador Eduardo Moreira, do ICL Notícias, foi suspenso pela Meta. O caso levou a Secretaria Nacional de Justiça a emitir nota de repúdio.
“Todo cerceamento do trabalho de jornalistas e comunicadores é um ataque à democracia, e torna-se ainda mais grave durante o processo eleitoral” , afirma o documento assinado pela secretária Maria Rosa Guimarães, coordenadora do Observatório.
Segundo ela, “a liberdade de imprensa não pode ficar sujeita a bloqueios opacos, decisões arbitrárias ou mecanismos de moderação sem possibilidade efetiva de compreensão e contestação” .
O Observatório informou ter solicitado esclarecimentos à Meta sobre as restrições e cobrado a criação de um canal institucional direto para tratar de situações urgentes durante o período eleitoral.

