Com o nome “ELDA: Plataforma Inovadora de Medicina de Precisão Funcional para Leucemia Linfoide Aguda Pediátrica”, esse estudo foi comandado pelo pesquisador José Andrés Yunes e foi inscrito no prêmio pela doutoranda Samara de Sousa Mariano, pesquisadora do CPB.

A ideia do projeto é entender as respostas diferentes que cada paciente tem aos tratamentos da doença.

O principal resultado da pesquisa, que durou quase seis anos, é a criação de uma plataforma que analisa a resposta de células de leucemia infantil a 62 medicamentos e busca ajudar nos tratamentos personalizados.

A plataforma da pesquisa testa resposta a 62 medicamentos

O ELDA (Ex vivo Leukemia Drug Advisor), já foi utilizado para analisar mais de 200 amostras de medula óssea de pacientes com leucemia linfoide aguda pediátrica.

Esse sistema testa ao mesmo tempo a resposta das células a um conjunto de 62 medicamentos, identificando possíveis sensibilidades e resistência aos tratamentos.

Essas diferenças são observadas, pois pacientes com o mesmo tipo de leucemia, mesmo aqueles que têm características genéticas parecidas, podem responder de maneiras diversas aos medicamentos.

Por isso, além de identificar alterações genéticas, os pesquisadores investigam o comportamento das células diante de diferentes opções de tratamentos.

Resultados da pesquisa

Os resultados obtidos até agora apontaram associações entre os perfis identificados pela plataforma e características clínicas e biológicas da leucemia.

Um dos exemplos é o medicamento dexametasona, que nas análises foi possível notar que as amostras de células que apresentaram maior resistência ao medicamento no ELDA também estiveram associadas à persistência da Doença Residual Mínima (DRM).

A partir disso da para avaliar a presença de células leucêmicas que permanecem no organismo após o tratamento.

Outro exemplo é que a diferença notada nas amostras de pacientes com a mesma alteração genética, chamada iAMP21. Mesmo compartilhando esse ponto, as células de cada paciente apresentaram respostas distintas à dexametasona e à vincristina.

Plataforma ainda não é usada para definir tratamentos

Apesar desses resultados, a plataforma ELDA permanece em fase experimental e não é utilizado para definir ou orientar o tratamento dos pacientes do Boldrini.

Para esse produto ser de fato usado ainda é preciso mais estudos de validação e pesquisas clínicas. A próxima etapa da pesquisa é avançar nesse sentido, aprimorar o sistema e incorporar o serviço às clínicas.

Pesquisa foi financiada por programa nacional

O projeto faz parte de um programa maior que é coordenado por José Andrés Yunes e financiado pelo Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (PRONON). Ao longo da pesquisa também foi feito uma publicação científica internacional.

Você viu? Cinco centros de pesquisa financiados pela Fapesp serão instalados na Unicamp

Cinco Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs), financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) , serão sediados pela Unicamp.

Ao todo, foram selecionadas 32 propostas, com orçamento total de R$ 200 milhões. As pesquisas buscam soluções para aprimorar políticas públicas existentes ou desenvolver novas iniciativas.

O que são os CCDs?

Os Centros de Ciência para o Desenvolvimento são voltados à pesquisa em parceria com órgãos públicos, cuja participação é obrigatória, e, preferencialmente, com empresas ou organizações não governamentais.

A proposta é encontrar soluções para desafios existentes por meio da pesquisa, incentivando o desenvolvimento científico e tecnológico e contribuindo para a criação ou o aprimoramento de políticas públicas.

Os projetos selecionados podem receber até R$ 2 milhões por ano da Fapesp, por um período máximo de cinco anos. Para isso, é obrigatória a participação de pelo menos um órgão governamental — municipal, estadual ou federal — como parceiro cofinanciador.

As instituições participantes também devem oferecer contrapartida financeira, com recursos próprios para complementar o financiamento.

Os cinco Centros de Ciência para o Desenvolvimento que serão sediados pela Unicamp são:

CPT-MOBi, no Instituto de Geociências (IG), voltado à descarbonização do transporte rodoviário;

Centro de IA Generativa aplicada à avaliação no ensino superior, no Instituto de Computação (IC);

LAPPI-GOVe, na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (Feec), dedicado à governança energética municipal;

CPPLEI, no Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe), voltado ao planejamento energético integrado;

CEPoPI, na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), em Limeira, dedicado a evidências e governança para políticas públicas de inovação.

CPT-MOBi vai funcionar no Instituto de Geociências

A proposta dos centros são encontrar soluções para desafios existentes por meio da pesquisa. (Foto: Divulgação)

O Centro Paulista de Inteligência Estratégica para a Descarbonização do Transporte Rodoviário (CPT-MOBi) será coordenado pela professora Flávia Consoni, do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT), e terá como parceira pública a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).

A pesquisa, intitulada “Integração Inteligente e Sistêmica de Dados para o Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas de Descarbonização no Setor de Transporte Rodoviário”, pretende estudar os desafios da transição para uma economia de baixo carbono no setor de transporte rodoviário.

O foco está nesse segmento porque ele concentra mais de 30% das emissões de gases de efeito estufa no estado de São Paulo.

A análise será realizada por meio de um observatório que reunirá dados, estudos, monitoramentos e avaliações de políticas públicas existentes. A estrutura deverá integrar informações e produzir análises para apoiar decisões e avaliar as medidas de descarbonização.

Centro de IA generativa será voltado à educação

O Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Inteligência Artificial Generativa Aplicada ao Processo de Avaliação no Ensino Superior será sediado no Instituto de Computação (IC). A proposta é desenvolver soluções tecnológicas que contribuam para o ensino e a aprendizagem na educação superior pública a distância.

O responsável pelo projeto é o professor Julio Cesar dos Reis. A iniciativa conta com a parceria da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp).

Segundo o professor, a pesquisa pretende investigar, desenvolver e avaliar um ecossistema automatizado capaz de integrar a criação de atividades educacionais, a elaboração de critérios de avaliação, a correção de trabalhos, a produção de feedbacks formativos e a análise de dados educacionais.

O objetivo é propor e validar métodos de geração automática de atividades avaliativas com base em materiais didáticos textuais e audiovisuais, alinhados aos objetivos de aprendizagem e aos parâmetros pedagógicos definidos pelos docentes.

A iniciativa também prevê a formação de profissionais qualificados e a disseminação do conhecimento científico e tecnológico por meio de publicações, softwares de código aberto e transferência de tecnologia para instituições públicas de ensino.

LAPPI-GOVe vai atuar na governança energética municipal

O Laboratório de Programas e Projetos Integrados para a Governança Energética Municipal (LAPPI-GOVe) será sediado na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (Feec). O projeto é coordenado pelo professor Luiz Carlos Pereira da Silva.

A pesquisa parte do entendimento de que os desafios da transição energética nos municípios não envolvem apenas a disponibilidade de tecnologias, mas também a capacidade de governança necessária para transformar oportunidades técnicas em resultados concretos para a população.

Nesse contexto, o laboratório atuará na integração entre ciência, gestão pública e implementação de políticas, com foco na produção de conhecimento aplicado, no desenvolvimento de métodos e instrumentos replicáveis e na geração de evidências para fortalecer a capacidade institucional dos municípios.

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