Já o senador Renan Filho (MDB-AL), criticou a mudança de posição do adversário de Lula e a ausência do senador no plenário durante a votação.
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) foi aprovada em 2 turnos, com 75 votos favoráveis e 1 contrário. O texto reduz gradualmente a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, garante 2 dias de descanso remunerado sem redução salarial. A votação representa uma vitória política para Lula a 11 dias do 2º turno das eleições presidenciais.
O relator da PEC, o senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou ao Poder360 que com a PEC o Congresso dá dignidade para homens e mulheres. “Isso não é um benefício, é a realidade. Menos trabalho, mais produtividade e sem perda salarial”.
A líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE) disse em entrevista ao Poder que a PEC amplia o descanso dos trabalhadores e contribui para a redução do adoecimento laboral. Para ela, apesar de partidos terem apoiado a proposta por diferentes motivos, a votação demonstra um recuo da oposição, que antes se posicionava contra a medida.
“Alguns partidos votaram por convicção e outros por interesses, mas contribuíram para a aprovação. Estamos felizes com uma entrega importantíssima para a sociedade” , declarou.
Em entrevista depois da votação, Reginaldo Lopes classificou a aprovação como a maior vitória dos trabalhadores desde a criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), em 1943. O deputado é autor da PEC 221 de 2019 , que deu origem à proposta.
Lopes atribuiu o resultado à atuação de Lula e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo o deputado, a medida tem apoio de 80% da população brasileira.
PROPOSTA DE FLÁVIO BOLSONARO
O deputado também criticou a proposta de Flávio Bolsonaro de permitir que trabalhadores recebam por hora trabalhada. Para Lopes, o modelo pode deixar os profissionais sem previsibilidade de renda, embora despesas como aluguel e alimentação sejam fixas.
“A oposição quer a escravidão moderna” , declarou. Em seguida, chamou de “vergonha” a proposta defendida pelo senador.
Lopes também criticou a mudança de posição de Flávio Bolsonaro e disse que o candidato não conhece os problemas da população. O deputado afirmou que o senador pretende reduzir despesas públicas para beneficiar o setor financeiro.
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) afirmou que Flávio Bolsonaro mudou de posição sobre o fim da escala 6 X 1 por “manobra eleitoral” . A congressista também criticou a ausência do senador no plenário durante a votação da proposta. Para Erika, se o senador chegar à Presidência, poderá reverter o fim da escala 6 X 1.
MUDANÇA DE POSIÇÃO
Renan Filho também criticou a postura de Flávio Bolsonaro. O ministro disse que o candidato à Presidência poderia mudar de opinião, mas deveria explicar publicamente os motivos.
“Você sempre pode mudar de posição, de opinião, pode achar algum argumento de outra pessoa, de outro grupo político. Você só não pode ser candidato a presidente da República e fazer uma mudança dessa natureza e não vir hoje participar da sessão” , declarou.
Flávio anunciou apoio ao fim da escala 6 x 1 depois de ter criticado a proposta durante a campanha. O senador votou a favor da PEC de forma remota, enquanto estava em Porto Alegre (RS). Antes, havia classificado a discussão da medida como inoportuna e eleitoreira.
A proposta estabelece uma transição gradual. Dois meses depois da promulgação, a jornada semanal máxima cairá de 44 para 42 horas. Um ano depois, será reduzida para 40 horas, sem corte de salários. A mudança também estabelece 2 dias de descanso remunerado por semana.
