Começa nesta 5ª feira (15.out.2026), na cidade de Cantão (ou Guangzhou, no sul da China e a cerca de 160 km de Hong Kong), a 140ª edição da Canton Fair , a maior feira multissetorial do mundo.
A 1ª edição, de 1957, reuniu cerca de 1.000 compradores. Hoje, a organização espera receber 320 mil. A feira é tida como uma espécie de “ Lollapalooza dos importadores”. Só o catálogo de produtos tem aproximadamente 4,5 milhões de itens .
E pode crer: tem de tudo para todos os gostos: de fogos de artifício a robôs de desinfecção, passando por esculturas feitas de ossos de iaque (uma espécie de bovino da Ásia Central), búfalo, cavalo ou camelo, produtos de beleza para idosos e recém-nascidos, capas para tampas de vasos sanitários e até peças de ressonância magnética.
A organização do evento espera reunir mais de 35.000 empresas chinesas e construir 75.000 estandes de exibição para os produtos em uma área de 1,55 milhão de m². A expectativa é movimentar mais de US$ 22 bilhões (R$ 130 bilhões) na 140ª edição.
A feira é semestral, ou seja, duas vezes ao ano, na primavera e no outono. Desta vez, começa em 15 de outubro e vai até 4 de novembro. O evento é sempre dividido em 3 fases de 5 dias, ou seja, 15 no total. Cada uma das fases tem um foco:
1ª fase (15 a 19.out) – eletrônicos, indústria e tecnologia;
2ª fase (23 a 27.out) – casa, decoração e utensílios domésticos;
3ª fase (31.out a 4.nov) – wellness , moda e bens pessoais para os pets.
Para Lincoln Fracari, CEO da China Link , a Canton Fair é uma “ ótima ” feira de entrada para o estrangeiro. A companhia do empresário de Santos (SP) organiza as chamadas “missões” –viagens de networking– para brasileiros que desejam negociar com os chineses.
Nesta edição, Lincoln conta ao Poder360 que levará cerca de 500 brasileiros a Cantão. Segundo o CEO, a própria organização do evento classificou o grupo dele como o maior do mundo.
Lincoln diz que o evento é bom para os “calouros” , já que a Canton tem mais infraestrutura para quem vem de fora e é “ amigável ao estrangeiro ”.
O Brasil tem, hoje, uma centena de empresas como a de Lincoln que vivem de dar suporte a quem quer negociar com a China. A procura existe porque a viagem cobra caro de quem vai sem preparo. O trajeto de ida leva quase 30 horas, assim como o de volta. Sem roteiro, a viagem vira turismo, o tempo é mal aproveitado e o dinheiro, gasto. E sem retorno.
O que atrai e surpreende o empresário
Especialistas ouvidos pelo Poder360 citam 3 motivos para importar da China:
custo menor e maior margem de lucro;
controle do estoque, sem depender de intermediários; e
a possibilidade de produzir com marca própria.
Segundo o CEO, a maioria dos empresários volta impressionada da viagem. Ele diz que, ao comparar as grandes cidades chinesas com as norte-americanas, como Miami e Nova York, muitos as consideram em melhor estado.
O público que a China Link atende é, na maior parte, conservador e de direita, afirma Lincoln, e costuma criticar o regime chinês. Ele descreve o dilema de parte dos clientes: defendem a democracia e rejeitam um ditador, mas voltam questionando se o modelo chinês funciona melhor do que imaginavam.
Eleição e relação comercial
A reportagem perguntou ao CEO se ele e seus clientes se preocupam com uma eventual mudança no governo brasileiro e se isso pode afetar quem importa da China. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputam o 2º turno das eleições em 25 de outubro.
Para Lincoln, o que mais mexe com as pequenas e médias empresas que atende é o ânimo.
Em caso de mudança de governo, Lincoln diz que o ânimo sobe e as apostas em compras voltam. Se o governo for mantido, prevê um “ luto ” temporário entre os que esperavam a mudança. Como a importação leva até 6 meses entre o pedido e a entrega, a decisão de comprar depende da expectativa do empresário para o mercado nesse prazo.
Lincoln avalia que, de modo geral, a eleição não deve afetar a cooperação com a China. Diz que o Brasil não tem como deixar de vender ao seu melhor cliente e que a China não encontra os mesmos produtos em outros fornecedores. “ É meio que uma simbiose ”, diz.
O CEO também lembra que os Estados Unidos são o 2º maior cliente brasileiro e que manter boa relação com os 2 é essencial.
Para os próximos anos, o CEO aposta em motos e bicicletas elétricas como produtos que devem chegar com força ao Brasil em 1 a 3 anos, seguindo a popularização dos itens na China.
A Canton Fair é realizada conjuntamente pelo Ministério do Comércio da China e pelo governo da província de Guangdong. É também organizada pelo Centro de Comércio Exterior da China.

