A inspeção permitirá avaliar componentes que enfrentaram as condições extremas da reentrada atmosférica. Os resultados podem ajudar a empresa a desenvolver uma Starship capaz de retornar à base e voar novamente.
Os dados coletados da Ship 40 vão orientar as próximas tentativas de capturar o foguete direto na torre. – Imagem: Divulgação/SpaceX
Uma operação de recuperação no mar
A Ship 40 decolou em 24 de julho, acoplada ao propulsor Super Heavy Booster 20, durante o 13º voo de teste da Starship. A missão terminou com um pouso controlado no oceano Índico.
Em tentativas anteriores, outras naves haviam explodido depois de tombar na água. A Ship 40, porém, permaneceu praticamente intacta e flutuando. A SpaceX decidiu recuperá-la, mesmo diante das dificuldades de uma operação em mar aberto.
O reboque durou 24 dias e terminou nas proximidades da Ilha Christmas, território australiano, em agosto. Elon Musk , CEO da empresa, chegou a duvidar que a operação fosse bem-sucedida.
Na região, os engenheiros inspecionaram o veículo e recolheram amostras do escudo térmico, que protege a estrutura do calor durante a reentrada. Depois, a nave foi embarcada no Forte , um navio de transporte semissubmersível, para a viagem de volta ao Texas.
O navio chegou ao porto de Brownsville em 7 de outubro. De lá, a Ship 40 seguiu por terra até a Starbase . Erguida novamente na vertical, foi levada ao hangar Megabay, onde está ao lado de outras três unidades em montagem.
O que os engenheiros vão analisar
A Ship 40 é a primeira seção superior da Starship a retornar à base após um voo espacial. Em publicação no X, em 13 de outubro, a SpaceX destacou o que espera aprender com a inspeção.
“Isso fornecerá dados inéditos sobre um escudo térmico de Starship que já voou, motores Raptor, aviônicos e muito mais”, escreveu a empresa.
A análise permitirá investigar como diferentes sistemas se comportaram durante o voo e a recuperação. Entre os principais pontos de interesse estão:
Escudo térmico: avaliação dos materiais expostos ao calor da reentrada.
Motores Raptor: inspeção das condições dos motores após o voo.
Aviônicos: análise dos sistemas eletrônicos de controle e operação.
Estrutura: verificação dos efeitos do voo e da exposição à água do mar.
Procedimentos de recuperação: identificação de melhorias para operações futuras.
A SpaceX já recuperou três propulsores Super Heavy usando os braços mecânicos da torre de lançamento. Com a seção superior, o desafio é diferente: a empresa ainda não conseguiu fazer uma Starship retornar à base por seus próprios meios.
A Ship 40 agora repousa ao lado de outras três espaçonaves que estão sendo montadas para ir ao espaço. – Imagem: Divulgação/Starship
Próximo voo pode incluir tentativa de captura
Enquanto a Ship 40 passa por avaliação, o programa de testes continua. A Ship 41 participou do 14º voo da Starship, mas não sobreviveu ao pouso no oceano Pacífico. A missão, por outro lado, marcou o primeiro voo orbital da nave e incluiu a implantação bem-sucedida de 26 satélites Starlink V3 de nova geração.
Para o 15º voo, Elon Musk afirmou que a SpaceX poderá tentar capturar a seção superior com os braços mecânicos da torre, conhecidos como chopsticks . A manobra dependerá das condições necessárias para um retorno seguro.
A empresa ainda não anunciou uma data para o próximo lançamento, mas o progresso dos testes indica que a missão poderá ocorrer nas próximas semanas.
O exame da Ship 40 dará aos engenheiros uma oportunidade rara de estudar uma nave que resistiu ao voo e ao pouso no mar. Os resultados poderão orientar ajustes no projeto e ajudar a preparar futuras tentativas de recuperação e reutilização da seção superior.
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