Além de múltiplas caminhadas, são esperados potenciais bloqueios de rodovias e de pontos de abastecimento de alimentos e combustíveis, além da paralisações de serviços.
Segundo o próprio governo, pelo menos 90 manifestações e 250 atos simultâneos estão previstos ao longo do dia. Aplicativos criados para auxiliar na organização dos manifestantes citam mais de 700 manifestações e 1.500 ações planejadas.
As mobilizações devem reunir estudantes, sindicatos, caminhoneiros, bombeiros, trabalhadores da saúde e representantes do agronegócio em torno de cobranças que, agora, se convergem no alto custo de vida da população.
Em Paris, os manifestantes citam atos simultâneos em regiões distintas da capital, como a Champs-Élysées, Place de l’Étoile, Place de la République e a Bastilha. Já a prefeitura garante que em alguns desses pontos não será permitido aglomerações. No final da tarde desta sexta-feira (início da tarde em Brasília), uma ordem excepcional foi emitida pelo setor de segurança proibindo atos em regiões estratégicas das 7h às 22h.
O movimento ganhou força nas redes sociais desde setembro e reúne grupos com reivindicações diversas, entre estudantes do ensino médio e universitários, ativistas de esquerda e apoiadores dos chamados coletes amarelos, que protagonizaram uma onda de protestos em 2018 e 2019.
A mobilização inclui pautas como educação, saúde, violência policial, preço dos combustíveis, meio ambiente e até uma forte resistência contra o recente acordo firmado entre a União Europeia e o Mercosul .
Setores de inteligência do governo monitoraram a organização dos atos nos últimos dias e viram ganhar forma as manifestações deste sábado em diferentes frentes, com potencial de reunir mais de 100 mil pessoas somente fora de Paris.
Atos estão previstos em cidades como Lyon, Nantes, Rennes, Grenoble e Toulouse, além de outras localidades.
Relatórios apontaram a presença de grupos heterogêneos, além do risco de ações espontâneas e pouco organizadas em grandes cidades universitárias.
(Foto: Sarah Meyssonnier / Reuters)
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Governo teme confrontos e danos
A principal preocupação das autoridades é a possibilidade de confrontos e depredações, sobretudo em grandes cidades. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, disse temer a atuação de grupos da chamada ultra esquerda ao final de algumas passeatas e afirmou que as forças de segurança deverão intervir caso bloqueios prejudiquem o trânsito ou o acesso a infraestruturas consideradas essenciais.
O ministro também declarou que armas de uso intermediário, incluindo granadas de efeito atordoante, poderão ser utilizadas em caso de confrontos graves.
O posicionamento diverge do adotado desde o início do mês, após um incidente com um adolescente de 15 anos que perdeu uma das mãos ao ser atingido por uma granada, o que levou o governo a suspender o uso de artefatos explosivos contra multidões.
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