“A busca de apoio externo, da maneira como foi feita, é um absurdo e realmente um ataque à soberania do Brasil”, afirmou Santos Cruz em entrevista ao jornalista Bruno Torturra, do canal Revelando .
O general fez uma distinção entre buscar projeção internacional e tentar obter interferência estrangeira na política brasileira. “Busca de apoio é uma coisa; você fazer um candidato qualquer, fazer um circuito internacional para conseguir uma boa imagem internacional —isso é tudo normal. Agora, a busca de interferência é traição, é outra coisa”, disse.
Santos Cruz também criticou políticos brasileiros que usam símbolos associados ao movimento de Trump, como os bonés com a inscrição Make America Great Again (MAGA, Faça a América grande novamente, em tradução livre). Segundo o general, o comportamento é incompatível com o discurso patriótico desses políticos. Já utilizaram o boné vermelho do MAGA figuras ligadas a Flávio, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Jair Bolsonaro.
“É submissão voluntária. Os Estados Unidos também se beneficiam desse voluntariado, que nem precisou recrutar”, afirmou.
Eduardo Bolsonaro e sanções
O general também criticou a atuação de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que, segundo ele, foi aos Estados Unidos ainda como deputado federal para negociar sanções contra o Brasil.
“Um ex-deputado brasileiro foi para lá como deputado, inclusive ainda com mandato, negociar sanções contra o Brasil”, declarou.
Questionado especificamente sobre Eduardo, Santos Cruz classificou a situação como “inimaginável” e voltou a chamá-la de absurda.
Na avaliação do general, a aproximação com o governo norte-americano pode trazer consequências para a soberania brasileira. Ele afirmou que um eventual presidente eleito nessas condições poderia ficar em dívida com os Estados Unidos, o que facilitaria a defesa dos interesses americanos.
Críticas à família Bolsonaro
Santos Cruz também criticou a candidatura de Flávio à Presidência. Para ele, o senador representa um projeto político familiar e não tem trajetória própria em funções executivas.
“Ele não tem passado nenhum de conhecimento, que mostre conhecimento de atividade executiva, nada disso”, afirmou.
Sobre Jair Bolsonaro, o general disse que trabalhou com o ex-presidente e o considera despreparado para o cargo. “Eu conheço o pai, trabalhei com ele, totalmente despreparado para a função, por isso que não deu certo. Não tinha a mínima condição de ser presidente”, declarou.
Apesar das críticas, Santos Cruz reconheceu que qualquer brasileiro tem o direito de disputar eleições e afirmou que cabe à população decidir quem deve ocupar a Presidência.

