O Brics é um conjunto de países que foi inicialmente agrupado em 2001 pelo economista Jim O’Neill como um grupo de “economias com alto potencial de crescimento” . Sua formalização foi em 2009. A África do Sul se juntou em 2011. Além dos países fundadores, atualmente integram o bloco expandido: Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irã.
Lula defende o aprofundamento da parceria com o bloco. O presidente participou das duas primeiras cúpulas do grupo , realizadas em 2009 e 2010, durante seu 2º mandato. A cúpula inaugural foi sediada em Ecaterimburgo, na Rússia, com o então presidente Dmitry Medvedev como anfitrião.
O Brics não é um bloco econômico , mas representa uma aliança que auxilia o Brasil na consolidação de laços comerciais mais consistentes. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, de janeiro a setembro de 2026, os integrantes do grupo original compraram US$ 95 bilhões em exportações brasileiras.
A ex-presidente Dilma Rousseff , aliada e sucessora política de Lula no passado, atualmente chefia o NBD (Novo Banco de Desenvolvimento) do bloco, conhecido popularmente como Banco dos Brics. Uma das principais medidas defendidas por ela é a desdolarização das transações entre os países do bloco –o que é apoiado pelo próprio Lula.
PLANO DE LULA
No plano de governo para um 4º mandato, o presidente menciona o grupo nominalmente 3 vezes e o define como “espaço dos interesses da humanidade” . Leia a proposta completa de Lula para o grupo:
“Aprofundaremos a aproximação geopolítica com o Brics e com o Sul Global, bem como com o G20, espaços fundamentais para a afirmação dos interesses da maioria da humanidade” .
Em fevereiro, o petista sugeriu que o grupo pode substituir o G20 como principal fórum econômico mundial. A declaração foi feita durante sua visita de Estado à Índia.
Na ocasião, Lula defendeu o fortalecimento do bloco como alternativa à hegemonia das superpotências econômicas. Atribuiu a importância da aliança ao agrupamento de quase metade da população e PIB mundial.
Durante o 4º mandato, o presidente visitou todos os países fundadores do Brics, reunindo-se com os presidentes Xi Jinping (PCCh), da China, Vladimir Putin (independente), da Rússia, e Cyril Ramaphosa (Congresso Nacional Africano, centro-esquerda), da África do Sul, além do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi (BJP, direita).
SILÊNCIO DE FLÁVIO
Flávio Bolsonaro, por outro lado, não menciona o Brics diretamente em seu plano de governo. O documento tem 6 menções diretas aos EUA e cita a China 2 vezes.
Em sua proposta para relações exteriores, o senador se limita a dizer que negociará “com todos os que interessam ao Brasil” . Além disso, o candidato prioriza a reaproximação diplomática com os Estados Unidos, Israel e Argentina.
O presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), é crítico do bloco.
Em julho de 2025, criticou a cúpula sediada no Rio, afirmando que estava “esvaziada” –também ameaçou taxar países ligados ao Brics.
Em entrevista ao podcast da Prager University em 3 de junho, Flávio disse que considera retirar o Brasil do bloco caso vença a eleição.
“Assim que eu me sentar na cadeira de presidente, vou reavaliar se o Brasil deve ficar em um bloco que, hoje, é muito ideológico, usado pelo presidente Lula para provocar, inclusive, os Estados Unidos e o presidente Trump, propondo que dólar não seja mais moeda para transações internacionais […] Vamos considerar deixar o bloco” , declarou.
A iniciativa tem precedente na região.
O presidente da Argentina, Javier Milei (La Libertad Avanza, direita), comunicou a desistência do país em ingressar no Brics ao assumir o cargo, em dezembro de 2023. A decisão reverteu o aceite do antecessor, Alberto Fernández (Partido Justicialista, esquerda).
Apesar das críticas de Flávio Bolsonaro ao bloco, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi anfitrião de uma cúpula do Brics durante seu mandato, em 2019. Na ocasião, falou na “identificação de oportunidades e de cooperação, a vitalidade e o potencial da colaboração entre governos e sociedades” .
POSIÇÃO DO BRICS
O bloco expandido não se posiciona oficialmente a favor ou contra governos específicos, mas converge em torno de críticas às políticas unilaterais adotadas por potências globais e de pautas defendidas por seus integrantes.
Em 12 de setembro, durante a cúpula realizada na Índia, os integrantes do bloco aprovaram a Declaração de Nova Délhi. Em relação às propostas do Brasil, o documento reitera o apoio da China e Rússia ao processo de adesão do país como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.
Como o encontro foi marcado antes do 1º turno das eleições presidenciais, Lula foi o único chefe de Estado da formação original do grupo que não compareceu ao encontro. Com isso, a próxima cúpula dos Brics, que será em 2027, pode refletir uma mudança ou reforço do posicionamento brasileiro sobre o grupo –a depender de quem for eleito.

