A diferença entre o Cambuí e a Nova Campinas, segunda colocada no ranking, chega a R$ 1.462 por metro quadrado. Na prática, considerando os preços médios apontados pela pesquisa, um imóvel de 100 metros quadrados no Cambuí teria valor estimado em R$ 1,75 milhão.

Veja os cinco bairros com o metro quadrado mais caro de Campinas:

Cambuí: R$ 17.514/m²

Nova Campinas: R$ 16.052/m²

Jardim São Carlos: R$ 14.204/m²

Mansões Santo Antônio: R$ 13.899/m²

Taquaral: R$ 13.646/m²

Segundo a Brain Inteligência Estratégica, o Cambuí está entre as regiões da cidade com maior procura por projetos residenciais de alto padrão, o que contribui para a valorização dos imóveis.

A localização central, a infraestrutura consolidada e a concentração de restaurantes, estabelecimentos comerciais e serviços estão entre os fatores que tornam o bairro atrativo para moradores e incorporadoras.

Preço dos imóveis em Campinas sobe acima da inflação

A valorização dos bairros mais caros acompanha o avanço dos preços dos imóveis residenciais em Campinas. Segundo o Índice FipeZap, o município encerrou 2025 com alta de 9,02% no valor médio do metro quadrado, que passou de R$ 6.888, em dezembro de 2024, para R$ 7.540 no fim do ano passado.

O crescimento ficou acima da inflação oficial do período e também superou a valorização registrada na capital paulista, de 4,56%.

Com esse desempenho, Campinas teve a quarta maior valorização imobiliária entre as cidades paulistas analisadas pelo indicador em 2025, atrás apenas de São Caetano do Sul, Santos e São José dos Campos.

Já no primeiro trimestre de 2026, o preço médio do metro quadrado residencial em Campinas chegou a R$ 7.675, segundo o FipeZap.

Cambuí, em Campinas Foto: Emdec/Divulgação)

O que explica a valorização imobiliária?

A infraestrutura urbana, a localização estratégica e a concentração de atividades econômicas ajudam a explicar o avanço dos preços dos imóveis em Campinas.

Para o empresário do setor imobiliário Antonio De Luca , a presença de grandes empresas, instituições financeiras e importantes corredores logísticos está entre os fatores que impulsionam o mercado local.

A cidade abriga o Aeroporto Internacional de Viracopos e tem acesso a rodovias como Anhanguera, Bandeirantes e Dom Pedro I, que facilitam a ligação com a capital paulista e outras regiões do estado.

A procura por imóveis também é influenciada pela oferta de serviços, comércio e infraestrutura nos bairros considerados nobres, especialmente em regiões como Cambuí e Nova Campinas.

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Novos bairros de luxo devem movimentar o mercado

Além das regiões tradicionais, Campinas tem novos projetos imobiliários de alto padrão que prometem ampliar a oferta de empreendimentos residenciais e comerciais nos próximos anos.

Entre eles estão o Órigo, próximo ao Galleria Shopping, e o Casa Figueira, no entorno do Shopping Iguatemi . Os dois projetos têm previsão de desenvolvimento em etapas e investimentos bilionários.

O Órigo é um loteamento de alto padrão localizado às margens da Rodovia Dom Pedro I, ao lado do Galleria Shopping . O empreendimento tem valor geral de vendas estimado em mais de R$ 1,8 bilhão e contará com lotes destinados à construção de edifícios residenciais e comerciais.

Com mais de 200 mil metros quadrados de área, o projeto prevê capacidade para receber mais de 10 mil moradores e usuários. Entre os diferenciais estão a instalação de fiação elétrica subterrânea e a implantação de um parque linear.

As obras de infraestrutura começaram em março de 2024, e o desenvolvimento foi planejado em quatro fases, ao longo de aproximadamente dez anos.

Já o Casa Figueira prevê a urbanização de uma área de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados no entorno do Shopping Iguatemi.

O empreendimento terá 66 lotes urbanizados, com potencial para receber cerca de 100 torres residenciais e comerciais. O valor geral de vendas é estimado em R$ 10 bilhões.

O planejamento também contempla a instalação de estabelecimentos comerciais, escolas, hospitais e outros serviços. A previsão apresentada para o projeto é de desenvolvimento gradual, com lançamentos a partir de 2028 e conclusão até 2038.

Além desses empreendimentos, regiões como Nova Campinas e Centro também têm atraído investimentos imobiliários, incluindo projetos de revitalização de imóveis existentes e novos empreendimentos residenciais.

Alta dos preços faz compradores reverem planos

Enquanto o mercado imobiliário registra valorização, quem procura a casa própria enfrenta dificuldades para encontrar imóveis que caibam no orçamento.

O advogado Guilherme Duarte, por exemplo, precisou reduzir a metragem desejada depois de descobrir que apartamentos de 100 metros quadrados em Campinas ultrapassavam R$ 1 milhão.

“Vimos que o metro quadrado estava muito alto e que não daria para encaixar na nossa renda naquele momento. Então, conhecemos outros empreendimentos e conseguimos encontrar um de 75 metros quadrados, que se encaixava melhor no nosso orçamento”, relatou.

A assistente comercial Renata Leles também precisou mudar os planos após dez meses de procura por um imóvel. Diante das dificuldades para reunir o valor da entrada, decidiu comprar um apartamento na planta e financiar 80% do preço.

“Minha intenção era comprar um imóvel pronto, mas as condições para dar a entrada foram muito difíceis. Então, a saída foi procurar um imóvel na planta”, contou.

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Criado em 2015, o Índice de Efetividade da Gestão Municipal mede a eficiência das 644 prefeituras paulistas, analisando sete áreas da administração pública (Foto: Firmino Luciano Piton)

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