Fabricantes como Peugeot , Mercedes -Benz e Nio começam a substituir a coluna de direção metálica por cabos de dados e sensores. A tecnologia é, inclusive, assunto no Salão de Paris: os carros-conceito Peugeot E-T16 e RCZ Vision, Alfa Romeo Cuorerosso e o Renault E-Space têm esta tecnologia como destaque.
Chassi do NIO ET9, chinês que já aposentou a coluna de direção NIO/Divulgação
A mudança, que ganhará volume comercial em 2027 com a nova plataforma STLA One da Stellantis, promete alterar a experiência de condução não apenas pela desconexão entre o volante e as rodas, mas também devido às muitas possibilidades para mudar o comportamento do carro e o formato do volante.
Quais as vantagens da direção eletrônica variável?
A principal vantagem da direção totalmente eletrônica é a relação de esterçamento variável configurável por software. Em baixas velocidades, como em manobras de estacionamento, o sistema exige movimentos curtos, facilitando a condução sem que o motorista precise cruzar os braços no volante.
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No conceito Peugeot RCZ Vision e nos futuros modelos compactos da Stellantis equipados com o comando Hypersquare, a rotação máxima é de apenas 170° para cada lado.
Volante Hypersquare, que estará na nova geração do Peugeot 208 Divulgação/Peugeot
Isso significa que o condutor consegue virar as rodas de batente a batente de maneira muito mais rápida e sem soltar as mãos. Em contrapartida, quando o veículo atinge altas velocidades em rodovias, o computador reduz a relação de giro.
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Nessa situação, a direção se torna muito mais pesada e exige mais ângulo no volante para movimentar as rodas. Essa mudança garante suavidade e evita que um comando brusco acabe em perda de trajetória nas estradas.
Toda essa modulação da geometria acontece em tempo real e filtra mais de 80% das vibrações indesejadas do asfalto, sem anestesiar a comunicação do pneu com a cabine.
Como o sistema steer-by-wire simula o peso do volante?
Para que o motorista não sinta que está operando um fliperama leve e sem resposta, o sistema atua em duas frentes independentes. O primeiro módulo, no próprio volante, usa sensores de intenção de movimento e motores elétricos para gerar o force feedback , a força de retorno que simula a resistência física da estrada.
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O segundo módulo trabalha posicionado na cremalheira inferior, recebendo os sinais digitais para comandar os atuadores elétricos que mudam fisicamente o ângulo das rodas. Ou seja, é o módulo que de fato gira as rodas.
<span class="hidden">–</span> Divulgação/Reprodução
Como não há coluna física atuando como base de emergência, a segurança de um sistema steer-by-wire baseia-se na redundância eletrônica. Cabos de dados, fontes de alimentação e motores elétricos operam de maneira duplicada.
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Se um circuito apresentar falha crítica, o segundo módulo assume o controle em milissegundos para garantir a dirigibilidade e manter o veículo em uma trajetória segura.
Como a direção por fio muda o design interno dos carros?
Sem a obrigação de acomodar uma barra de aço espessa cruzando o painel em direção ao cofre do motor, os designers ganharam liberdade total para repensar a arquitetura interna. O estúdio de design agora pode rebaixar a linha do painel frontal profundamente para melhorar a visibilidade panorâmica.
Além da visão ampliada, as equipes conseguem criar instrumentos com leitura direta por cima do volante retangular. Pensando no avanço da condução autônoma, as montadoras já preveem a adoção de volantes embutidos nas próximas gerações.
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Lexus com steer-by-wire tem volante horizontal, pois pode controlar melhor o esterçamento Divulgação/Lexus
O modelo chinês Nio ET9, por exemplo, conta com uma base de direção que pode se retrair em até 15 cm para dentro do painel, ampliando o espaço livre para os joelhos.
É essa flexibilidade espacial que viabiliza a introdução de conceitos ousados de design sem prejudicar o conforto diário dos ocupantes da cabine.
A direção sem coluna física é permitida por lei?
Sim, o cenário atual consolidou-se porque os protocolos de redundância amadureceram e as regulamentações governamentais foram atualizadas. Com a alteração das normas internacionais validando os conjuntos eletrônicos independentes, caiu a exigência legal de ligação física obrigatória na Europa e na China.
A ideia de dirigir por fios, no entanto, não é recente na indústria automotiva. A marca japonesa Infiniti foi a primeira a lançar o equipamento nas ruas em 2013, com o sedã Q50.
<span class="hidden">–</span> Divulgação/ZF
Naquela época, a transição brusca para os atuadores eletrônicos e os recalls geraram desconfiança no mercado. Até muito recentemente, a lei exigia a barra física entre o volante e o eixo de tração como medida de segurança primária e incontestável.
Com a segurança da redundância eletrônica amparada pela legislação, o mercado de sistemas steer-by-wire projeta movimentar cerca de 3,2 bilhões de dólares (R$ 17,2 bilhões ao câmbio atual) em 2026.
A tendência é que os volantes em formato manche deixem o nicho de superesportivos e passem a equipar carros compactos de volume em um curto espaço de tempo.

