Parte desse ganho já foi devolvida . Na terça-feira (13), pesquisas mostraram empate técnico no segundo turno, cenário que se repetiu nos levantamentos da Quaest e do Datafolha ao longo da semana, e a taxa voltou a subir. Nesta sexta-feira (16), o DI jan/31 operava em 12,78%, devolvendo cerca de um terço da queda. Isso é sinal que o mercado se empolgou demais? E quem ficou de fora até aqui ainda tem chance de lucrar após o segundo turno, no domingo (25)?

Exagero ou reprecificação?

Para Fernando Benavenuto, sócio da Anvex Capital, houve uma “reprecificação eficiente” de um prêmio que estava muito carregado. Pelas contas dele, entre 100 e 120 pontos-base da queda até o dia 8 correspondem ao prêmio eleitoral. O restante vem do exterior, de ajustes técnicos de posição e de uma revisão marginal das expectativas para a Selic . “Um movimento que se reverte com pesquisa é, por definição, prêmio eleitoral”, diz.

Até o segundo turno, segundo ele, a curva deve reagir a praticamente cada nova pesquisa, acompanhando as chances de vitória de cada candidato. Se os levantamentos passarem a favorecer Lula, o DI jan/31 tende a voltar para perto de 13,90%.

Gabriel Magno, sócio da AW Capital, vai além e atribui todo o movimento à eleição, estimando que o mercado dá de 90% a 95% de chance de vitória a Flávio. Benavenuto discorda da estimativa e avalia que, no nível atual, a curva está mais perto do cenário otimista, mas longe de dar a eleição como decidida. “A curva não precifica 80% ou 90% de probabilidade”, afirma.

O que a curva já precifica

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, prefere não cravar se houve exagero, mas lembra que a ponta longa da curva, mais sensível ao risco fiscal e político, foi a que mais caiu. Ele explica que um pacote fiscal crível valoriza o real, esfria a atividade e acelera a queda da inflação, o que abre espaço para o Banco Central cortar mais a Selic.

Esse otimismo já aparece nas projeções embutidas nos contratos de DI. Na segunda-feira após o primeiro turno, a Selic terminal de 2027 projetada pela curva caiu de 13,50% para 12,50%.

Os três especialistas concordam que a curva precifica a expectativa de ajuste, e não um ajuste pronto. Benavenuto ressalta que não dá para dizer quanto de economia nas contas públicas já está no preço, já que o mercado passou a acreditar que as contas vão melhorar, mas ainda não precificou o tamanho do esforço necessário para controlar a dívida. “O mercado comprou a promessa de austeridade, ainda não a entrega” , afirma.

Sung acrescenta que um eventual novo governo terá uma “lua de mel” de seis a nove meses com o mercado, que precisa ser usada para aprovar a pauta fiscal no Congresso.

Veja cenários para depois do segundo turno:

Cenário Benavenuto (Anvex) Magno (AW Capital) Sung (Suno) Flávio vence e entrega equipe e regra fiscal críveis DI jan/31 entre 11,50% e 12,00% nas semanas seguintes De 11,00% a 11,50% no curto prazo, rumo a um dígito com o ajuste feito Otimismo no curto prazo, que precisa virar medidas em 6 a 9 meses Flávio vence, mas o fiscal decepciona Devolve a maior parte da queda ao longo de semanas a meses Volta rápido para 13,00% a 13,50% Frustração e correção se a agenda não avançar Lula é reeleito Abre além dos 13,90% de antes do 1º turno Abre bem acima do nível pré-1º turno Juros abrem, dólar sobe e Bolsa cai

Fiagros colhem até 11% em uma semana, mas ainda enfrentam praga da inadimplência

Fundos do agronegócio surfam onda em meio a preocupação com calotes, enquanto gestores apontam oportunidade com cotas descontadas aliadas a dividendos que chegam a 19% ao ano

Magno é o mais otimista no cenário de vitória de Flávio com entrega fiscal, mas pondera que o nível dos juros também dependerá do cenário global. Benavenuto condiciona qualquer queda adicional à escolha de uma equipe e de uma regra fiscal críveis. “Sem isso, essa compressão não se sustenta”, diz.

Se Flávio vencer e decepcionar, Benavenuto prevê um movimento de “comprar no boato, vender no fato”. A devolução da queda, segundo ele, seria mais lenta do que a provocada pelas pesquisas, ocorrendo à medida que nomes e propostas forem divulgados até a posse. Caso a trajetória fiscal se revele pior do que a esperada antes da eleição, a curva pode abrir além do ponto de partida .

Na reeleição de Lula, Benavenuto avalia que a alta seria maior que a queda, porque muitos investidores apostaram na vitória de Flávio. Uma virada os obrigaria a desfazer essas posições ao mesmo tempo, empurrando os juros para cima, e o mercado voltaria a exigir o prêmio pelo risco fiscal que havia deixado de lado.

Vale investir agora?

Para quem precisa tomar decisões antes do dia 25, Benavenuto mostra o que se ganha e o que se arrisca em cada opção. Travar a remuneração em prefixado ou IPCA+ longo agora é uma aposta direcional de que o cenário favorável vai se confirmar. Se isso não acontecer, a perda na marcação a mercado é forte.

Por outro lado, esperar no pós-fixado permite atravessar a eleição com juro real alto e sem risco de marcação, mas pode significar perder parte da queda dos juros. Já fracionar os aportes dispensa acertar o resultado e dilui o preço médio.

Para quem leva um título do Tesouro IPCA+ até o vencimento, lembra ele, a marcação importa menos. Magno prefere esses papéis e argumenta que “as taxas caíram, mas ainda estão em níveis elevados”. Para ele, os prefixados já perderam grande parte do prêmio, e o pós-fixado, dependendo do prazo, perde atratividade com os cortes esperados da Selic.

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