O maior crescimento proporcional será do etanol hidratado , cuja demanda deve avançar de 23,9 bilhões para 25,3 bilhões de litros –um aumento de 5,86%. O consumo de óleo diesel deve passar de 72,4 bilhões para 74,2 bilhões de litros, enquanto o de gasolina C deve aumentar de 48 bilhões para 48,5 bilhões. Para o querosene de aviação, o QAV, a projeção é de alta de 7,7 bilhões para 7,8 bilhões de litros.
A EPE atribui o crescimento mais acelerado do etanol hidratado à perspectiva de uma safra de cana-de-açúcar maior em 2026/2027, com maior destinação da matéria-prima à produção do biocombustível diante da menor remuneração do açúcar no mercado internacional. A expansão da produção de etanol de milho também deve contribuir para ampliar a oferta. A estatal estima que o consumo alcance um recorde de 23,9 bilhões de litros em 2026, favorecido pela maior disponibilidade do produto e por preços competitivos em relação à gasolina.
No setor aéreo, a EPE projeta que o consumo de QAV alcance 7,8 bilhões de litros em 2027 . O montante superaria a máxima histórica registrado em 2014 (e que deve ser superada em 2026), de aproximadamente 7,5 bilhões de litros. A estimativa considera a continuidade da expansão da aviação comercial, impulsionada pelo aumento do número de passageiros e da oferta de voos domésticos e internacionais. Segundo a estatal, a recuperação da atividade aérea e a entrada de aeronaves mais eficientes nas frotas brasileiras devem sustentar o crescimento do setor.
O preço do QAV, contudo, tem sido um desafio para as companhias aéreas desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã. A alta do combustível levou ao cancelamento de rotas domésticas e internacionais.
Em outubro, a Petrobras reajustou em 11,76% o preço médio do combustível vendido às distribuidoras, que acumula alta de aproximadamente 74% desde março de 2026 , quando começou o conflito no Oriente Médio.
PRESSÃO NOS COMBUSTÍVEIS
As projeções são divulgadas em um cenário de continuidade dos conflitos no Oriente Médio e de restrições à capacidade global de refino. A guerra no Irã elevou os preços internacionais do petróleo e dos derivados, enquanto ataques à infraestrutura energética na região e na Rússia reduziram a disponibilidade de combustíveis no mercado internacional.
O cenário amplia a vulnerabilidade do Brasil, que, apesar de ser um país exportador de petróleo, não tem capacidade de refino o suficiente para atender a demanda doméstica de combustíveis.
Apesar das restrições externas, a EPE avalia que a demanda doméstica não deverá ser afetada no curto prazo pelos efeitos da guerra. A estatal considera que a atividade econômica, o mercado de trabalho e a renda disponível continuarão sustentando o consumo de combustíveis.

