Para tentar reverter o desgaste na campanha, Flávio mudou o tom e classificou a narrativa adversária como uma “fake news cabeluda” e atribuiu a Lula a responsabilidade pela desinformação.
“O futuro ex-presidente, o Lula, está espalhando uma fake news daquela cabeluda […]. E qual que é a mentira que ele está contando? Ele está dizendo por aí que eu acabaria com o Bolsa Família em até 2 anos. É óbvio que isso não vai acontecer, é óbvio que isso é mentira” , afirmou o senador.
A proposta apresentada por Daniella não determinaria o fim do Bolsa Família depois de 2 anos, mas na verdade seria uma transição no programa para estimular beneficiários a abrir negócios próprios ou ingressar no mercado formal de trabalho.
A proposta prevê retorno automático ao benefício para quem tentar sair do programa e não conseguir uma oportunidade de emprego ou renda. Segundo a ex-presidente da Caixa em entrevista à rádio CBN Bahia , o beneficiário continuaria recebendo os valores, mesmo se conseguir um trabalho dentro desse período de 24 meses.
Segundo Flávio, a proposta é “muito melhor” , pois seria um “incentivo” . Ele afirma: “É para incentivar você, caso você queira, quando você arrumar um emprego de carteira assinada, você abrir a própria empresa, você continua recebendo o seu Bolsa Família por até 2 anos. E, se acontecer alguma coisa nesse meio tempo, você for demitido, por exemplo, ou a sua empresa não der certo, no mesmo dia você está recebendo o Bolsa Família” , afirmou.
O plano de governo de 76 páginas apresentado por Flávio durante sua campanha ao Planalto não cita a proposta, o programa Bolsa Família ou o “Ministério da Prosperidade”. Leia a íntegra (PDF – 19 MB).
Em entrevista nesta 2ª feira (19.out), Daniella, ex-presidente da Caixa Econômica Federal , afirmou que um eventual governo Flávio adotaria uma regra de transição de 2 anos para beneficiários do Bolsa Família que conseguissem emprego com carteira assinada ou abrissem um negócio.
“Quem está no Bolsa Família vai ter uma regra de transição, como teve na época do governo Bolsonaro, de 2 anos, para que possa abrir o seu negócio ou aceitar emprego de carteira assinada, e retorno automático se der errado” , afirmou Daniella na entrevista.
A fala foi difundida por aliados do petista. Governistas também resgataram publicações antigas de Flávio em que ele se referia ao programa de forma pejorativa como “bolsa-farelo” .
Em uma publicação de 2011, o senador havia mencionado uma emenda apresentada a um projeto para limitar em 2 anos o período de recebimento do benefício.
O Bolsa Família já conta com uma regra de proteção vigente. Famílias cujas rendas ultrapassem o teto de elegibilidade não perdem o benefício de imediato; elas podem continuar recebendo 50% do valor original por até 18 meses, de acordo com a legislação em vigor.
A administração do presidente Lula reajustou o piso do programa em setembro de 2026, com alta de cerca de 15% . O valor mínimo passou de R$ 600 para R$ 691. O programa estava sem correção desde 2023. O novo valor passou a ser pago nesta 2ª feira .
Para ter direito ao Bolsa Família, a renda mensal por pessoa da família deve ser de até R$ 218.
A pauta já foi explorada por apoiadores do petista em outros momentos durante a campanha no 2º turno contra Flávio Bolsonaro. O pleito será realizado no domingo (25.out.2026). A ex-presidente da Caixa rebateu o que classificou de desinformação do PT sobre eventuais cortes sociais em um eventual governo.
“Não iremos cortar programas sociais. Nós iremos cortar os privilégios em Brasília, férias de 60 dias, supersalários, viagens e outros privilégios, desperdícios da máquina pública e fechar o buraco das estatais para que a gente tenha um Estado mais eficiente” , disse.

