Os porta-vozes da campanha, Camilo Santana e Edén Valadares, falaram a jornalistas no QG da campanha, no Lago Sul, em Brasília. Segundo Valadares, a página principal, “Brasil com Lula” , ficou impedida de usar o recurso de colaboração ( collab ) logo depois do debate da Band , no domingo (18.out). O bloqueio durou até às 2h42 desta 2ª feira.

Às 10h16, a página foi novamente impedida de fazer o pedido de colaboração, de acordo com Camilo. Ele disse que a restrição reduz o alcance do perfil.

O porta-voz classificou o problema como “falha técnica” da Meta. Afirmou que ele atinge só as páginas de Lula, “mais uma vez”.

O Poder360 procurou a Meta por e-mail para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do tema. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

A decisão citada pela campanha é do ministro Marco Aurélio Bellizze, juiz auxiliar da propaganda eleitoral do TSE. Na 5ª feira (15.out.2026), ele determinou que a empresa adote critérios iguais para as 2 candidaturas, sob multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento.

Tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio acionaram a Justiça Eleitoral contra a Meta por considerarem terem sido prejudicadas pela empresa, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp.

Na mesma decisão, Bellizze afirmou que não havia, até aquele momento, prova de manipulação deliberada de algoritmos para favorecer Flávio ou prejudicar Lula.

Camilo disse que a determinação “não foi cumprida no momento importante da campanha” , o do maior debate até agora. A nova representação pedirá que o TSE reconheça o descumprimento.

“É muito ruim a gente vir aqui todo dia apresentar nova denúncia”, declarou. Disse esperar que a Meta pare de beneficiar a campanha de Flávio e tenha “comportamento ético”.

Bellizze também proibiu a Meta de restringir a entrega de publicações relacionadas a candidatos à Presidência da República. A medida foi tomada depois de a campanha de Lula se queixar de restrições à distribuição de publicações nas plataformas da empresa.

Pela decisão, a Meta não poderá reduzir a distribuição de publicações, limitar recomendações ou restringir resultados de buscas de forma desigual entre as candidaturas. As restrições continuam permitidas quando determinadas em políticas aplicadas igualmente aos candidatos ou determinadas pela Justiça.

A Meta divulgou na 6ª feira (16.out) uma nota oficial na qual nega ter interferido ou favorecido candidatos nas eleições gerais de 2026 do Brasil, mas admite que falhas técnicas temporárias atingiram a campanha do presidente.

A campanha também se reuniu nesta 2ª feira (19.out) com investigadores e observadores da União Europeia e da OEA (Organização dos Estados Americanos). Camilo afirmou que o PT apresentou relatos a eles e pretende levar o caso à imprensa internacional e aos observadores cadastrados no TSE.

O porta-voz disse que a campanha seguirá cobrando, porque a eleição está “muito apertada”. Segundo ele, “qualquer movimento” pode alterar o resultado. Citou a mobilização nas redes e mais de 1.300 atos no domingo, em 25 capitais e no interior.

O 2º turno será em 25 de outubro. Lula e Flávio voltam a se enfrentar na 6ª feira (23.out), em debate da TV Globo.