Na segunda, a Petrobras ( PETR3 ; PETR4 ) recuou com o ajuste após os ganhos recentes e a baixa do petróleo, enquanto na direção oposta as ações cíclicas foram favorecidas por revisões de recomendação.

Na visão de analistas do BB Investimentos, o Ibovespa parece ter encontrado um novo patamar de precificação em torno do qual deve oscilar ao longo desta semana, entre 204 e 207 mil pontos.

“A proximidade do segundo turno das eleições no Brasil deve manter o padrão de volatilidade elevado, fazendo com que esse intervalo de preços forneça suportes e resistências fracos, mesmo no curtíssimo prazo”, afirmaram em relatório a clientes.

A acomodação do Ibovespa desde a semana passada , quando acumulou declínio de 1,74%, vem após a reação bastante positiva na esteira do desfecho do primeiro turno, com melhor desempenho de Flávio, quando renovou recordes.

Para o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, a semana deve ser de bastante cautela, sem grandes movimentos, se não houver alguma mudança de sinal muito grande nas pesquisas.

Perri também avalia que o investidor estrangeiro pode ficar um pouco mais cauteloso nos próximos dias, a menos que ocorra alguma sinalização que garanta chance de vitória de Flávio muito maior do que a que está precificada.

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No mercado, boa parte dos agentes ainda considera que com Flávio no Planalto cresceriam as chances de um maior controle das contas públicas – mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.

Alguns operadores do mercado financeiro também citam preocupação quanto à falta de detalhamento sobre o plano fiscal por Flávio Bolsonaro (PL), após debate na TV Band no domingo ter sido marcado mais por provocações do que por exposição de propostas, tanto do senador quanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Flávio responsabilizou Lula pelo endividamento das famílias e acusou o governo de gastar demais. Lula, por sua vez, perguntou se Flávio adotará o modelo econômico do presidente da Argentina, Javier Milei, e destacou o aumento da pobreza no país vizinho. A maior parte do debate foi marcada por acusações de lado a lado.

“O mercado ajustou preços, entre realizar os lucros do primeiro turno e montar posições para o segundo turno, principalmente de olho no que aconteceu no debate e com a divulgação de pesquisas mostrando empate técnico entre Flávio e Lula”, comenta o economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, Leonardo Mendes.

Ainda para o consultor, o debate foi mais pautado por um ataque dos candidatos entre si do que de apresentar agendas e propostas. “Teve pouca fala de política econômica.”

Sobre os levantamentos, nova pesquisa BTG/Nexus mostrou redução de 2,8 pontos percentuais para 0,6 ponto percentual da diferença entre Flávio e Lula no segundo turno, que será disputado no próximo domingo. Flávio tem 46,5% das intenções de voto e Lula soma 45,9%. O percentual de eleitores que não pretendem votar ou que votarão em branco ou nulo está em 4,7%, enquanto 2,9% não sabem.

Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os candidatos estão em empate técnico, conforme a pesquisa.

Já o novo levantamento da Atlas revelou uma queda de 5,4 para 2,2 pontos percentuais da vantagem de Flávio , com o senador com 49,8% das intenções de voto e o presidente com 47,6%. O percentual de indecisos ou que pretendem votar em branco ou nulo é de 2,6%. Como neste caso a margem de erro é de 1 ponto percentual, Flávio está na liderança para além da margem de erro.

A pesquisa PoderData/Aya, também divulgada nesta segunda-feira, mostrou Flávio com 52% e Lula com 48%, com margem de erro de 1,8 ponto percentual.

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Na terça, será divulgada a Real Time Big Data, na quinta o Datafolha e na sexta a Ipespe, entre outras pesquisas, o que deve movimentar o mercado durante a semana.

Para a equipe de análise gráfica do Itaú BBA, contudo, o Ibovespa está em tendência de alta e mantém a resistência em 209.700 pontos – máxima histórica. Caso supere esse nível, abrirá novamente o caminho para mais valorizações, em busca dos 220 mil pontos no curto prazo e dos 245 mil pontos no médio prazo.

Do lado da baixa, o índice encontra suporte em 203 mil pontos. Abaixo desse patamar, começará um movimento de realização de lucros e encontrará suporte relevante em 192.100 pontos – região que o mantém em tendência de alta no curto prazo.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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