O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citou os protestos violentos na França para dizer que os EUA "queimarão" como o país europeu caso os democratas saiam vencedores das eleições de meio de mandato —que estão marcadas para ocorrer em 3 de novembro.

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A fala ocorreu durante um comício no Kansas na noite de segunda-feira (20) em apoio ao atual senador republicano Roger Marshall, que busca reeleição pelo estado.

“Quando vocês virem campanários [torres com sinos] em chamas e incêndios violentos na França, lembrem-se de que é isso que os democratas radicais querem fazer com os EUA. Eles pretendem fazer isso. Não vão nem chegar perto”, afirmou Trump.

Trump relacionou os protestos na França, que têm pautas educacionais e de custo de vida, com a imigração na Europa, e afirmou que o continente "foi fraco" no controle de suas fronteiras e, por isso, "fracassou".

“O que está acontecendo na França é o que eles (os democratas) querem que aconteça em nosso país. Isso nunca vai acontecer aqui. A Europa fechou suas fronteiras, mas fracassou porque foi fraca, permitiu que suas fronteiras fossem reabertas imediatamente. Nós fechamos nossas fronteiras, que são as mais fortes da história do nosso país", completou.

Nas últimas semanas, Trump tem realizado uma viagem pelos estados do país para apoiar os candidatos de seu partido que disputarão as midterms, em que seu governo busca manter o controle do Congresso dos EUA. O prognóstico, no entanto, é de que os democratas obtenham maioria em pelo menos uma das casas legislativas em meio a uma baixa histórica de popularidade de Trump.

Em uma nova parte de seu discurso de campanha, Trump apontou os protestos generalizados na França como um cenário que poderia se repetir nos Estados Unidos, a menos que os republicanos vençam. No entanto, ele não apresentou nenhuma evidência para sustentar sua acusação.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com membros da imprensa ao sair da Casa Branca rumo ao Kansas, em Washington, DC, EUA, em 19 de outubro de 2026

Nos últimos dias, a França tem vivenciado alguns dos piores distúrbios dos últimos anos, à medida que enormes protestos contra o custo de vida e os serviços públicos subfinanciados degeneraram em tumultos e saques.

O próprio Trump tem enfrentado dificuldades para tornar bens e serviços mais acessíveis nos Estados Unidos.

Em seu discurso, Trump recorreu à retórica anti-imigrante e antimuçulmana, do tipo que ele usou para alimentar suas três campanhas presidenciais.

“Não vamos deixar que isso aconteça com este país”, disse ele. “Quando vocês virem torres de igrejas em chamas e incêndios violentos na França, lembrem-se de que é isso que os ‘Dumocratas’ radicais querem fazer com os Estados Unidos.”

Trump vem zombando dos democratas, chamando-os de “Dumocratas”. Defensores dos direitos humanos têm criticado repetidamente Trump por sua retórica ao longo dos anos, na qual ele tem atacado e ridicularizado imigrantes e grupos étnicos minoritários. Grupos de direitos civis afirmam que tal retórica normaliza atitudes discriminatórias em relação a essas comunidades.

O Kansas, um Estado conservador do Meio-Oeste onde Trump venceu por 16 pontos em 2024, não elege um democrata para o Senado dos EUA há 94 anos. O senador Marshall, em seu primeiro mandato, está em uma disputa acirrada com o candidato democrata Adam Hamilton, pastor de uma megaigreja metodista, que concorre contra a agenda tarifária de Trump e o que ele chama de “liderança errática” do presidente.

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