O risco-país da Argentina ultrapassou os 700 pontos básicos nesta terça-feira (20) e chegou a 710 pontos durante a manhã, no maior patamar desde outubro de 2025.
O indicador é calculado pelo banco de investimentos JPMorgan e subia em meio à queda dos títulos da dívida argentina negociados no exterior.
O índice avançou 35 pontos em relação à referência anterior durante a manhã e acumulava oito sessões consecutivas de alta. Em um mês, a elevação chegou a 185 pontos, ou 35%.
🔎 O que é risco-país? O indicador mede a diferença entre os juros dos títulos da dívida de um país e os dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, considerados uma referência de baixo risco. Essa diferença representa o retorno extra que investidores exigem para assumir o risco de emprestar dinheiro ao país. Cada 100 pontos básicos equivalem a 1 ponto percentual.
Por que o risco-país subiu?
A alta desta terça-feira ocorreu junto com a desvalorização dos títulos públicos argentinos negociados em Wall Street.
Os títulos soberanos em dólares caíam, em média, 1,5% durante a sessão. No acumulado de um mês, a queda média chegava a 6%.
O movimento dos títulos ajuda a explicar a elevação do indicador: quando os preços dos papéis caem, seus rendimentos sobem.
Como o risco-país considera a diferença entre os rendimentos dos títulos argentinos e os dos papéis americanos de prazo semelhante, essa diferença pode aumentar.
A alta não tem uma única causa confirmada. Analistas apontam uma combinação de fatores internacionais e do próprio contexto argentino, entre eles a elevação dos juros dos títulos americanos, a maior cautela dos investidores em relação a mercados emergentes e as incertezas políticas ligadas às eleições presidenciais argentinas previstas para 2027.
Juros dos Estados Unidos também influenciam
A remuneração dos títulos do Tesouro americano é uma referência para investidores internacionais. Quando os rendimentos desses papéis aumentam, ativos de países considerados mais arriscados podem perder atratividade, sobretudo se os investidores passam a exigir um retorno maior para compensar os riscos.
Nesse cenário, países emergentes podem enfrentar pressão sobre os preços de seus títulos e aumento do prêmio de risco. O efeito varia conforme as condições de cada economia e a percepção dos investidores sobre sua capacidade de honrar compromissos financeiros.
*Com informações da Agência Reuters
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