A Portuguesa acionou a ANRESF (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol) por uma dívida do Vitória relacionada à compra do atacante Renê, artilheiro do Rubro-Negro na temporada com 17 gols marcados. O jogador foi inicialmente emprestado por R$ 700 mil e depois vendido por R$ 5,8 milhões.
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Aos 45 min do 1º tempo - gol de dentro da área de Renê Sousa do Vitória contra o Corinthians
Em entrevista na zona mista depois do empate rubro-negro diante do Corinthians, na Neo Química Arena, o presidente do Vitória confirmou a dívida, mas se defendeu ao citar que o clube paulista também deve um valor ao time baiano, referente à aquisição do meia Daniel Júnior. Fábio Mota explicou que tenta fazer um acordo a partir das duas negociações.
- O Vitória vendeu o Daniel Júnior para a Portuguesa. A Portuguesa ficou oito meses sem pagar o Vitória. O Vitória não foi para a CNRD, não foi na agência. O Vitória, hoje, tem um crédito de Daniel Júnior junto à Portuguesa. Como apertou, a gente perdeu dinheiro da bet, a gente quer compensar o nosso crédito com a Portuguesa. A Portuguesa deve ao Vitória cerca de R$ 1 milhão. E o Vitória tem que pagar para a Portuguesa R$ 2 milhões - disse Fábio Mota.
- A gente está tentando fazer a composição em razão da questão da bet. O Vitória deve, sim. Deve em função da bet, deve em função de não ter recebido do Grêmio, do time que a gente vendeu o Janderson. O Vitória não vai ser o único a não pagar, porque ninguém está pagando o Vitória. A gente propôs um acordo para a Portuguesa. Abate o que está devendo e dá a diferença. A gente vai resolver. É um detalhe pequeno - garantiu o presidente rubro-negro.
Fábio Mota em entrevista coletiva no Vitória
Victor Ferreira/EC Vitória
Daniel Júnior jogou 12 partidas pelo Vitória, em 2024, antes de ser negociado com a Portuguesa, no ano seguinte, e entrar em campo em cinco ocasiões. Depois, o meia foi envolvido em uma transferência para o Nacional-POR, seu atual clube.
Daniel Júnior em amistoso com a camisa da Portuguesa
Choque de versões
Procurada pelo ge, a Portuguesa informou que não tem parcelas vencidas relacionadas à compra de parte dos direitos econômicos de Daniel Júnior. Apenas valores ainda a pagar entre novembro de 2026 e abril de 2027.
De acordo com a diretoria da Lusa, chegou a existir uma dívida pelo meia, mas a pendência foi resolvida na negociação da venda de Renê ao Vitória. O clube paulista alega que abateu R$ 625 mil do valor devido por Daniel Júnior entre junho e outubro deste ano de uma parcela de R$ 904 mil que o Vitória deve pagar por Renê no dia 1 de novembro.
Desta forma, ainda de acordo com a Portuguesa, a dívida do Vitória é de R$ 2.279.000,00. O clube paulista reforçou ainda que as parcelas restantes relacionadas a Daniel Jr., cada uma no valor de R$ 125 mil, seguem cronograma estabelecido entre os clubes e vão ser pagas entre novembro deste ano e abril do ano que vem.
Por que acionou a ANRESF?
Segundo a versão da Portuguesa, o Vitória recebeu notificação extrajudicial no dia 2 de outubro, depois de não cumprir novas previsões de pagamentos dos valores devidos. Depois de nova promessa não cumprida pelo Rubro-Negro, entretanto, a equipe paulista ingressou com reclamação ANRESF no dia 14 de outubro.
Renê em treino do Vitória
Victor Ferreira/EC Vitória
A Portuguesa também ressaltou que a proibição das casas de apostas esportivas mencionada pelo presidente do Vitória, no dia 25 de setembro, é posterior ao início da inadimplência, configurada no dia 1 de setembro. Além disso, a Lusa garantiu que não recebeu nova proposta formal do clube baiano por um novo acordo de pagamento.
Renê não pode entrar em campo?
Diante da situação, a Portuguesa solicitou à ANRESF que Renê não entre em campo enquanto o Vitória não pagar os débitos de compra do atleta, mas reforçou que deseja preservar a relação cordial com o clube baiano.
- O clube entende que, caso implementada no futebol brasileiro, essa medida teria caráter exemplar, didático e eficaz, contribuindo para que os clubes assumam compromissos compatíveis com suas condições financeiras e respeitem integralmente as obrigações estabelecidas em contrato. Trata-se de um instrumento que pode contribuir decisivamente para o fortalecimento do fair play financeiro e para a construção de um ambiente de maior responsabilidade e sustentabilidade no futebol nacional - diz trecho da nota divulgada pela Portuguesa.
Renê, atacante da Portuguesa
Na última segunda-feira, porém, o presidente Fábio Mota garantiu que nada impede Renê de entrar em campo pelo Vitória. Além disso, o dirigente rubro-negro afirma que não foi notificado sobre a ação da Portuguesa na ANRESF.
- Não existe. Se fosse assim, metade dos jogadores de três ou quatro equipes não estariam em campo. O Vitória sequer foi notificado dessa ação da Portuguesa na agência. Não tem respaldo legal para o jogador não jogar. Deveria ter, mas não tem - afirmou Fábio Mota.
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Vale lembrar que Renê não vai enfrentar o Athletico-PR, neste sábado, porque está suspenso pelo acúmulo de cartões amarelos. O Vitória recebe o clube paranaense no Barradão, às 16h30 (de Brasília), pela 32ª rodada do Brasileirão.
Renê em Vitória x Cruzeiro
Victor Ferreira / EC Vitória
O Vitória acertou a compra de 50% dos direitos econômicos do atacante Renê por 1 milhão de euros (aproximadamente R$ 5,8 milhões). O atleta assinou vínculo de três temporadas com o Rubro-Negro depois de se destacar em um curto período de empréstimo.
Em 37 partidas no total, o atacante é referência ofensiva e tem dez gols marcados no Campeonato Brasileiro, além de cinco na Copa do Nordeste e dois na Copa do Brasil. Também contribuiu com uma assistência na Série A.
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