A Polícia Federal pediu a prorrogação de inquéritos que investigam o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por tráfico de influência em órgãos do governo.

A informação foi divulgada pelo jornal “Estado de S.Paulo”, e a TV Globo confirmou os pedidos, enviados no início de outubro ao ministro André Mendonça, do STF - Supremo Tribunal Federal.

A Polícia Federal quer a prorrogação das investigações sobre suspeitas envolvendo tráfico de influência no Ministério da Saúde e na Dataprev, empresa pública responsável pelas bases de dados da Previdência Social e outros programas sociais. A PF argumentou que o prazo inicial de 60 dias para a conclusão das investigações não foi suficiente e que há diversas diligências em curso, como a produção de relatórios para aprofundar as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula; a lobista Roberta Luchsinger; e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

PF pede para prorrogar inquéritos que investigam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por tráfico de influência

Jornal Nacional/ Reprodução

A PF também está fazendo levantamentos sobre vínculos societários e as movimentações bancárias de Lulinha, Roberta e Antunes, além de registros de agendas e reuniões em órgãos públicos do governo. Há, ainda, a produção de relatórios sobre todas as viagens nacionais e internacionais de Lulinha, incluindo informações sobre quem pagou e quando a lobista Roberta Luchsinger o acompanhou; e sobre outros citados nos inquéritos, como o empresário Fernando Bittar e o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

O ministro André Mendonça entende que os dois casos de suposto tráfico de influência têm conexão com o inquérito sobre as fraudes no INSS, já que tiveram origem em achados dessa investigação. E o inquérito do INSS está suspenso por decisão do presidente do STF, ministro Edson Fachin. Por isso, Mendonça deve aguardar uma definição da Presidência do Supremo antes de decidir sobre os pedidos de prorrogação.

A defesa de Roberta Luschsinger afirmou que o inquérito tem um ano e que nada foi encontrado; que qualquer movimento nesse momento indica interesse político eleitoreiro; e que o melhor seria o arquivamento.

A defesa de Antonio Carlos Camilo Antunes declarou que não houve qualquer ilicitude na atuação do cliente; que ele está preso há 13 meses; e que aguarda o julgamento de recursos sobre a prisão.

A defesa de Fernando Bittar disse que a coincidência dos pedidos ocorrerem na antevéspera da eleição presidencial revela o viés político que envolve a investigação.

A defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro afirmou que nunca intermediou negociações, encaminhou documentos de compras e licitações públicas ou atuou em favor de qualquer interesse privado quando chefiou o gabinete da Presidência; que o cliente já quitou o empréstimo com Roberta Luschsinger; e que confia no trabalho da Polícia Federal.

O Jornal Nacional entrou em contato com a defesa de Fábio Luís Lula da Silva, mas não teve retorno.

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