O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Queimados, Jefferson Dias da Silva, conhecido como Jefferson da Linave, de 51 anos, morreu após ser baleado durante uma ação policial na noite de segunda-feira (19), na Avenida Brasil, na Penha, Zona Norte do Rio.

Vídeos gravados por motoristas mostram ao menos dois policiais atirando em direção ao carro do secretário. Dos seis PMs que participaram da ocorrência, cinco foram afastados. Quatro admitiram ter feito disparos.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso. Até a última atualização desta reportagem, não havia confirmação de que Jefferson estivesse armado nem de qual arma partiu o disparo que causou a morte dele.

A mulher do secretário disse à polícia que ele tinha bebido antes de dirigir reclamou no telefone que pessoas estavam "brigando com ele". A viúva alegou não compreender o que estava acontecendo.

Veja abaixo o que se sabe e o que falta esclarecer:

Quem era Jefferson da Linave?

Onde e como aconteceu a ocorrência?

O que mostram os vídeos?

O que disseram os policiais?

Quantos PMs participaram e quais foram afastados?

O que disse a mulher do secretário ?

Como está a investigação?

O que ainda falta esclarecer?

Quando serão o velório e o enterro?

Quem era Jefferson da Linave ?

Jefferson Dias da Silva foi vereador por 3 vezes em Queimados

Jefferson era secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Queimados, na Baixada Fluminense, e havia exercido três mandatos de vereador na cidade. Filiado ao Democracia Cristã, tinha 51 anos, era casado e pai de uma filha.

Empresário dos setores de transporte e do mercado imobiliário, entrou para a política em 2004, quando foi eleito vereador pelo PTB. Voltou a ser eleito para a Câmara Municipal em 2008 e em 2020.

Em 2024, não conseguiu a reeleição e acabou nomeado secretário pelo prefeito Glauco Kaizer. Naquele ano, declarou quase R$ 1 milhão em bens à Justiça Eleitoral.

O prefeito de Queimados, Glauco Kaizer, esteve no local da ocorrência, acompanhou a perícia e lamentou a morte do secretário nas redes sociais.

Onde e como aconteceu a ocorrência?

Secretário de Queimados morre fuzilado durante abordagem da polícia militar, no Rio

Jefferson morreu na Avenida Brasil, na altura da estação do BRT Marinha Mercante, na Penha, na noite de segunda-feira (19).

O secretário estava sozinho em um BYD branco e voltava de um compromisso na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Não se sabe para onde ele seguia.

Agentes do 22º BPM (Maré) tentaram abordar o veículo em diferentes pontos da Avenida Brasil. Segundo os relatos dos policiais à Polícia Civil, o motorista não obedeceu às ordens de parada e foi acompanhado pelas equipes.

Ainda de acordo com os depoimentos, na região da Passarela 14, uma viatura interceptou o BYD. O carro perdeu o controle, rodou na pista e bateu na mureta de proteção.

Os agentes disseram que, depois de o veículo ser imobilizado, quebraram um dos vidros para acessar o interior. Jefferson foi encontrado sem vida, atingido por disparos.

O que mostram os vídeos?

Vídeo mostra ação que terminou com a morte de secretário de Queimados no Rio

Imagens gravadas por outros motoristas mostram ao menos dois policiais efetuando disparos em direção ao carro de Jefferson.

O veículo ficou com várias marcas de tiros. As imagens da ocorrência estão entre os elementos que serão analisados na investigação.

O que disseram os policiais?

Os relatos dos agentes constam da portaria que instaurou o inquérito da Delegacia de Homicídios da Capital, à qual o g1 teve acesso.

Segundo os PMs do 22º BPM, a equipe recebeu pelo rádio a informação de que um BYD branco trafegava em alta velocidade e com uma das rodas aparentemente em chamas.

Os policiais apresentaram a seguinte versão:

Nas proximidades do Complexo da Maré, localizaram o veículo e ordenaram que o motorista desligasse o motor e desembarcasse, mas Jefferson não teria obedecido.

Nesse momento, disseram ter ouvido disparos. Um dos agentes afirmou que atirou contra uma roda traseira do BYD, que continuou pela Avenida Brasil.

Durante o acompanhamento, o carro teria furado outros dois pontos de bloqueio e realizado manobras que, segundo os PMs, colocaram os agentes em risco.

Perto da Nova Holanda, os policiais afirmaram ter ouvido novos tiros, que, segundo eles, partiram de um dos acessos à comunidade. A equipe disse ter reagido.

Após a colisão com a mureta, Jefferson teria tentado manobrar de marcha a ré para fugir. Os agentes relataram que fizeram novos disparos contra os pneus.

Policiais do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), que apoiavam a ocorrência, também disseram ter ouvido tiros. Um deles afirmou ter efetuado sete disparos com um fuzil calibre 7,62 mm diante do que descreveu como uma “situação de perigo iminente”.

A portaria do inquérito ressalta que ainda não foi possível determinar a origem dos tiros que os agentes alegam ter ouvido nem de quais armas partiram os disparos que atingiram Jefferson.

Quantos PMs participaram e quais foram afastados?

Ex-vereador de Queimados é morto a tiros pela polícia na Avenida Brasil, no RJ

Segundo a Polícia Militar, seis policiais participaram da ação. Cinco foram afastados por determinação do governador em exercício do Rio, desembargador Ricardo Couto.

Entre os afastados, quatro são do 22º BPM e um é do Batalhão Tático de Motociclistas. A corporação informou que quatro agentes admitiram ter feito disparos.

Não foram divulgadas informações sobre a situação do sexto policial que participou da ocorrência.

Em nota, o governo do estado lamentou a morte do secretário e afirmou que a gravidade do episódio exige uma apuração “rigorosa, célere e transparente”.

O que disse a mulher do secretário

A mulher de Jefferson Dias da Silva relatou à Polícia Civil que o marido havia ingerido bebida alcoólica em um quiosque na Barra da Tijuca na tarde desta segunda-feira (19), horas antes do episódio, e que mesmo assim assumiu a direção de seu BYD.

Ainda segundo o relato de Cíntia Belchior, durante a tarde Jefferson lhe telefonou e disse que algumas pessoas estavam “brigando com ele”. A viúva alegou não compreender o que estava acontecendo.

A TV Globo apurou que Jefferson tomava remédios e bebia com frequência.

Como está a investigação?

A Delegacia de Homicídios da Capital instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte. Os seis policiais envolvidos e a mulher de Jefferson foram ouvidos.

A perícia foi realizada no local, e as armas dos agentes foram apreendidas. Segundo o governo do estado, imagens de câmeras corporais estão sendo analisadas.

A portaria do inquérito determina:

Perícias nas armas usadas pelos policiais que efetuaram disparos;

Exames de confronto balístico, se possível;

Obtenção de imagens da ocorrência;

Obtenção dos exames realizados no corpo de Jefferson.

A Corregedoria-Geral da PM também abriu um procedimento interno. A corporação apura se houve descumprimento do protocolo de abordagem e afirmou que colaborará com as investigações.

O que ainda falta esclarecer?

Até a última atualização desta reportagem, a investigação ainda não havia esclarecido:

De qual arma partiu o disparo que causou a morte de Jefferson;

De quais armas partiram os demais tiros que o atingiram;

Qual a origem dos disparos que os policiais disseram ter ouvido durante a ocorrência;

Se o secretário estava armado;

Se os agentes descumpriram os protocolos de abordagem.

Quando serão o velório e o enterro?

O secretário foi enterrado nesta terça-feira (20) no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu.

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