Questionado pelo jornalista Felipe Frazão se houve ingerência concreta do governo norte-americano no pleito, o chanceler respondeu: “Olha, tomaram parte, tomaram um lado, fizeram fotografias. Hoje a imprensa está cheia de artigos dizendo que foram manipulados algoritmos em mensagens” .
Para Vieira, no entanto, cabe ao povo brasileiro decidir se considera que houve interferência norte-americana na eleição presidencial. E essa decisão deve ser expressa nas urnas, na escolha entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
“O mais importante é a defesa do sistema brasileiro, é o povo brasileiro. Os brasileiros é que vão mostrar o que querem fazer nas urnas, que modelo estão procurando o que consideram que é interferência, o que é intromissão e o que não é” , respondeu o ministro.
A pedido do repórter, Vieira também comentou a declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), que disse que, se o irmão Flávio for eleito presidente, haverá uma “faxina” no Itamaraty .
“É péssimo, né? Primeiro, porque não é a forma de se atuar. Em uma democracia, você não ameaça. Você dialoga, conversa, negocia” , disse.
O ministro mencionou ainda a carta enviada a Flávio pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio , em resposta a uma mensagem do senador. No documento, Rubio manifesta otimismo em relação às eleições de outubro e agradece a oferta de Flávio de colocar uma equipe de transição à disposição do governo norte-americano caso seja eleito.
“Saiu publicado, com nome e sobrenome, na imprensa o que fariam no caso de futura vitória, de estabelecer um comitê para coordenar as posições com os EUA. Eu acho isso péssimo” , declarou o ministro.
“Eu nunca vi isso. Na história das relações diplomáticas, em meus 50 anos de carreira, nenhum país fez esse tipo de coisa. Você faz [transição] entre o governo que deixa e o governo que assume. Você cria uma equipe de transição para que seja passado. Isso é normal em todas as democracias. Agora, com um país estrangeiro, para quê? Para entregar antes do tempo, para se submeter? Isso eu acho que é um péssimo sinal” , acrescentou.
Questionado sobre por que evita comentar as declarações de Eduardo Bolsonaro, Vieira respondeu: “Eu tenho mais o que fazer. Eu não o conheço, não sei o que ele fala. Um sujeito que pede terra arrasada, que pede tarifa e tudo mais. A população brasileira tem de decidir onde está o interesse brasileiro: querem fazer a transição e entregar tudo antes [aos EUA] ? ”.

