A participação de Stone veio à tona depois que espectadores perceberam seu nome entre os agradecimentos especiais nos créditos finais do filme. Em entrevista à Vulture , Oppenheim explicou que a atriz ajudou os cineastas a entrar em contato com Amanda Seyfried ( Mamma Mia! ), vencedora do Emmy por interpretar Holmes na minissérie The Dropout (2022).
Atenção: os próximos parágrafos contêm spoilers de You Can See Everything
Segundo o diretor, a equipe enfrentava dificuldades para encontrar um desfecho para o documentário depois que Holmes começou a cumprir sua pena de prisão. O projeto, que inicialmente acompanha a empresária, seu companheiro, Billy Evans , e seus dois filhos durante os últimos dias antes de sua detenção, precisava encontrar uma maneira de continuar a narrativa sem sua protagonista. Para complicar a situação, os cineastas não conseguiam convencer outras pessoas próximas à empresária a participar das filmagens.
Foi nesse momento que Stone , amiga e antiga colaboradora de Fielder , apresentou Seyfried aos diretores. Inicialmente, a ideia era bastante simples: convidar a atriz para assistir às imagens registradas pela equipe e compartilhar suas impressões diante das câmeras. Oppenheim explicou que esperava que a experiência de Seyfried interpretando Holmes pudesse oferecer uma compreensão mais profunda do material.
A atriz, entretanto, demonstrou certa resistência ao convite. Familiarizada com o trabalho de Fielder em produções como Nathan for You , nas quais o humorista frequentemente coloca participantes em situações desconcertantes, Seyfried temia estar sendo alvo de alguma pegadinha. Mesmo assim, concordou em participar.
Durante o encontro, a atriz assistiu a imagens de Holmes reagindo à sua interpretação em The Dropout , experiência que lhe provocou certo constrangimento. Ao mesmo tempo, demonstrou interesse genuíno pelos registros da vida da empresária e surpreendeu os cineastas ao manifestar vontade de interpretá-la novamente.
A partir daí, You Can See Everything assume uma direção inesperada. Seyfried passa a interpretar Holmes em reconstituições de acontecimentos, enquanto a própria ausência da empresária se transforma em um dos principais elementos narrativos do documentário. A abordagem aproxima o longa das experiências de Fielder em The Rehearsal , série que explora os limites entre realidade, representação e encenação.
“ Assim que Elizabeth vai embora, o filme passa a ser, de certa forma, assombrado por sua ausência “, explicou Oppenheim . “ Todos que estão nele tentam se lembrar dela de maneiras diferentes e também criar uma versão dela. ”
A presença de Seyfried , porém, vai além de simplesmente interpretar Holmes . A atriz também passa a questionar Fielder sobre suas experiências com a empresária, discutindo suas impressões e confrontando algumas de suas interpretações sobre os acontecimentos. Dessa maneira, torna-se uma peça importante na investigação do próprio documentário sobre a dificuldade de distinguir a verdade das versões construídas a respeito de uma pessoa.
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