A endometriose acontece quando um tecido parecido com o que reveste o útero por dentro cresce fora dele. Esse tecido causa inflamação e, em alguns casos, faz órgãos da pelve grudarem uns nos outros. E isso pode, sim, mexer com a chance de engravidar.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, entre as mulheres que têm dificuldade para engravidar, de 25% a 50% têm endometriose. Isso mostra que a doença é frequente nesse grupo, mas não quer dizer que toda mulher com endometriose terá essa dificuldade.
Engravidar não é tão simples quanto parece
Para entender o tamanho da diferença, vale olhar os números. "Engravidar não é tão simples quanto a gente imagina. Em casais sem nenhuma doença, a cada 100 mulheres tentando, cerca de 20 engravidam por mês. Com endometriose, essa taxa fica entre 2% e 10%: a cada 100 mulheres tentando, de 2 a 10 podem engravidar", explica Tiago Castilho, cirurgião oncológico com atuação em cirurgia ginecológica e cirurgia de endometriose profunda.
Esses números mostram a chance em cada mês de tentativa. Com o passar dos meses, as chances se somam, o que explica por que muitas mulheres com endometriose engravidam, só que, em geral, levando mais tempo.
Por que a doença pode atrapalhar
A endometriose pode dificultar a gravidez de algumas formas:
a inflamação constante na pelve cria um ambiente menos favorável para o óvulo, o espermatozoide e o embrião;
as aderências podem prender ou deformar as tubas, que são os "canais" por onde o óvulo caminha, e os ovários;
os cistos de endometriose nos ovários podem reduzir a quantidade de óvulos disponíveis, a chamada reserva ovariana;
a dor na relação sexual pode diminuir a frequência das tentativas.
Nada disso é regra. Muitas mulheres têm endometriose e engravidam sem dificuldade, e a diferença está no tipo e na extensão da doença em cada caso.
Então, mulher com endometriose pode engravidar? Pode, mas as chances são reduzidas. E, em alguns casos, o tratamento cirúrgico pode ajudar.
O que pesa na resposta
Duas mulheres com o mesmo diagnóstico podem ter caminhos bem diferentes. O que costuma entrar na conta:
a idade, porque a quantidade de óvulos diminui naturalmente com o tempo;
a reserva ovariana;
a extensão da doença e os órgãos que ela atingiu;
há quanto tempo a mulher tenta engravidar;
o projeto reprodutivo: se a gravidez é para agora ou para daqui a alguns anos.
E o parceiro?
Há um ponto que Tiago Castilho costuma reforçar nas consultas: o homem também precisa ser investigado. Muitas mulheres com endometriose acreditam que a doença é a única responsável pela dificuldade de engravidar, mas a fertilidade é uma questão do casal. Um exame simples, o espermograma, ajuda a descartar o fator masculino.
Quando a cirurgia e a reprodução assistida entram
Nem toda mulher com endometriose precisa de tratamento para engravidar. Quando a dificuldade existe, as opções variam conforme cada caso. A OMS lembra que o resultado da cirurgia sobre a gravidez costuma depender da extensão da doença, e que alguns tratamentos hormonais não servem para quem quer engravidar. Também existem tratamentos de reprodução assistida, como a indução da ovulação, a inseminação e a fertilização in vitro.
Investigação e cuidado especializado
O diagnóstico de endometriose não determina sozinho as possibilidades de uma futura gestação. Cada mulher precisa ser avaliada considerando a doença, os sintomas, a idade e o projeto reprodutivo. Em muitos casos, mesmo depois da cirurgia de endometriose, o acompanhamento de um médico especialista em reprodução humana pode ser bem-vindo, e o cuidado conjunto ajuda a escolher o melhor momento e o melhor caminho para engravidar.
Há mais de 10 anos atendendo e operando mulheres com endometriose, Tiago Castilho trabalha com avaliação individualizada e, nos casos em que a cirurgia é indicada, usa técnicas minimamente invasivas, incluindo videocirurgia e cirurgia robótica. O Cuidado 360º complementa essa jornada com preparação e recuperação estruturadas.
Para mais informações ou agendamento de consulta, entre em contato pelo telefone (44) 99169-8161.
Tiago Castilho é Cirurgião Oncológico com atuação em Cirurgia Ginecológica e Cirurgia de Endometriose Profunda, mestre e doutor na área, com mais de 10 anos de experiência no tratamento cirúrgico da doença. CRM-PR 22590 | RQE 2911 | RQE 844.

