Cinco homens foram denunciados pelo Ministério Público por sequestrar, agredir e manter um homem de 28 anos amarrado durante um julgamento do chamado "tribunal do crime", no bairro Bom Pastor, em Viana, na Grande Vitória. Quatro investigados estão presos e um segue foragido.
Segundo a Polícia Civil, o homem foi rendido, imobilizado com fitas adesivas e levado para um campo de futebol, onde os envolvidos fizeram uma chamada de vídeo com um homem apontado como chefe do tráfico na região.
A polícia afirmou que ele teria ordenado que a vítima fosse mantida amarrada e castigada, mas sem determinar a execução.
O caso aconteceu em agosto e a vítima foi resgatada pela Polícia Militar, após uma denúncia sobre a ação criminosa.
O caso começou a ser investigado como tentativa de homicídio. No entanto, após ouvir os envolvidos e a vítima, a Polícia Civil concluiu que não havia elementos suficientes para apontar a intenção de matar. A investigação foi reclassificada para sequestro qualificado e associação criminosa.
Os investigados foram identificados como:
Julio Cesar Jordão Moté, conhecido como Julinho, de 26 anos;
Manrik da Silva, de 26 anos;
Regis do Rosário Silva, de 35 anos;
Marcos Antonio Alves de Oliveira, de 27 anos;
Carlos Alberto dos Santos Gonçalves Júnior, o Bequinha, de 38 anos.
Carlos Alberto dos Santos Gonçalves Júnior está foragido
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Marcos e Regis foram presos em flagrante no dia do crime. Manrik foi preso posteriormente durante uma ação policial relacionada ao tráfico de drogas, e Julio Cesar também acabou detido em outra ocorrência, na qual foram apreendidos cerca de quatro quilos de maconha.
Bequinha, apontado pela polícia como chefe do tráfico local e responsável por orientar a ação, segue foragido. Segundo as informações da investigação, ele estaria no Rio de Janeiro.
A Justiça decretou a prisão preventiva dos cinco investigados. O Ministério Público ofereceu denúncia, e todos respondem à ação penal.
Vítima foi resgatada após denúncia
De acordo com a tenente Milena, do 17º Batalhão da Polícia Militar, a equipe foi acionada pelo Ciodes (190) após receber informações de que um homem estava sendo submetido a um "tribunal do crime" em um campo de futebol de Bom Pastor.
"Uma dessas pessoas, ao avistar a polícia, avisou os demais, que logo se evadiram do local. Ficou então a vítima no chão, pedindo socorro para a guarnição. Na ocasião, ela estava enrolada, já a metade do corpo enrolada com fita adesiva", relatou a policial.
Dois homens são presos e vítima é encontrada amarrada com fita adesiva em Viana
Os militares conseguiram prender dois suspeitos em flagrante naquele dia: Marcos Antonio Alves de Oliveira, de 27 anos, e Regis do Rosário Silva, de 35 anos.
Segundo o delegado Cleudes Jr., chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, a vítima foi levada à força para outro ponto do bairro e, durante a ação, os suspeitos fizeram uma chamada de vídeo com Carlos Alberto para decidir o que fariam com ela.
"Segundo a própria vítima, o Carlos Alberto não teria determinado a sua execução. Teria falado: 'Amarra ela, deixa amarrada e deixa ela ir embora'", explicou o delegado.
Apesar disso, Cleudes ressaltou que a situação poderia ter terminado em homicídio. "Existia um contexto ali de um tribunal do crime. Ele foi julgado pelo tribunal do crime e poderia ter sido condenado, e a execução seria ali mesmo", afirmou.
Desentendimento envolvendo relacionamentos motivou crime
Conforme a investigação, o caso teria começado após desentendimentos envolvendo relacionamentos amorosos. Um dos investigados, Julio Cesar, estaria se relacionando com a ex-companheira da vítima. Ao mesmo tempo, surgiram suspeitas de que a vítima estaria interessada na atual companheira dele.
A situação gerou ameaças entre os dois. A vítima, que morava na região de Cariacica, foi até Bom Pastor para resolver o desentendimento, mas acabou rendida e imobilizada.
De acordo com o delegado, Julinho teria comprado oito rolos de fita adesiva para amarrar o homem, enquanto Manrik ajudava a segurá-lo.
Marcos Antonio Alves de Oliveira teria avisado os demais sobre a chegada das equipes policiais, enquanto Regis do Rosário Silva teria filmado a ação para enviar as imagens a Bequinha.
"Foi só através da denúncia da população que a Polícia Militar conseguiu intervir de forma rápida e precisa e evitar que esse crime acontecesse", destacou Cleudes.
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