Organizado pelo Centro Acadêmico XI de Agosto e pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns (Comissão Arns), o encontro teve como momento central a leitura do “ Manifesto pela Constituição, pela Democracia e pelos Direitos Humanos”.

“É preciso, portanto, nesse momento histórico para o país, apoiar candidato que respeita as instituições democráticas brasileiras e o texto constitucional. É preciso apoiar candidato que não tenha a possibilidade ou intenção de concentrar em si os Três Poderes da República, e assim inviabilizar a garantia institucional de equilíbrio entre os poderes e o sistema de freios e contrapesos” , diz o documento, que não cita nominalmente os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Ao final da leitura da carta pela Rita Lara, presidente do Centro Acadêmico XI Agosto, o público cantou rapidamente: “Olê, Olá, Lula”.

O manifesto foi assinado por mais de 700 pessoas. Entre elas:

ex-presidentes do STF: Celso de Mello, Antonio Cezar Peluso e Rosa Weber;

presidente do Supremo Tribunal Militar: Maria Elizabeth Rocha;

ministros da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB): José Carlos Dias e Miguel Reale Júnior ;

ministro da Administração Federal e Reforma do Estado e ministro da Ciência e Tecnologia no governo Fernando Henrique Cardoso: Luiz Carlos Bresser-Pereira, um dos fundadores do PSDB;

ministro da Justiça e ministro da Educação nos 2 primeiros mandatos de Lula e ex-governador do Rio Grande do Sul: Tarso Genro (PT);

ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff (PT): José Eduardo Cardozo (PT);

ministro dos Direitos Humanos no governo Lula: Paulo Vannuchi (PT);

ex-governador de Pernambuco e ex-senador: Jarbas Vasconcelos, um dos fundadores do PMDB (atual MDB).

O manifesto afirma que seus signatários têm trajetórias e convicções políticas diversas, com pessoas identificadas com a direita, o centro e a esquerda. Afirma que as divergências sobre economia, segurança pública, costumes e o papel do Estado são próprias de uma democracia, mas não devem se sobrepor à defesa do Estado Democrático de Direito e à independência dos Poderes.

“O que nos une é a defesa do Estado Democrático de Direito, em que os Três Poderes permanecem independentes e jamais ficam sob o comando de um só indivíduo” , afirma o documento.

No evento, o deputado da constituinte Flavio Bierrenbach leu uma carta feita por Celso de Mello, ministro aposentado do STF. “Defender a constituição é cobrar integridade das instituições” , escreveu Mello.

O ex-ministro da Justiça de FHC, José Carlos Dias, disse: “Nó s não queremos viver amargas lembranças” da época da ditadura militar. Disse também que “a democracia vai vencer”.

Diogo Campiteli/Poder360 – 21.out.2026

Evento foi no no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP

A manifestação foi realizada na mesma faculdade em que Goffredo da Silva Telles Júnior leu, em 8 de agosto de 1977, a Carta aos Brasileiros, documento contra a ditadura militar e em defesa do Estado de Direito e da redemocratização do país.

A Comissão Arns leva o nome do cardeal e arcebispo de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns, que se destacou pela defesa dos direitos humanos e pela denúncia de violações durante a ditadura militar (1964–1985). Na década de 1970, atuou ao lado do rabino Henry Sobel na denúncia de abusos do regime e na defesa da redemocratização.