A propriedade pertencia à empresa do atacante Richarlison , do Tottenham Hotspur , e do seu ex-empresário Renato Velasco, mas foi parar nas mãos do advogado Willer Tomaz , amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Onde foi feito o trambique que tiraram do Pai do Bebê [Richarlison] uma ilha que ele tinha pagado 10 milhões de reais? […] Esse rapaz comprou a ilha por 10 milhões e, de repente, viu a ilha dele desaparecer com o advogado Willer Tomaz, do Flávio Bolsonaro. Ele e o Flávio Bolsonaro foram na ilha desse rapaz, filmaram a ilha com um drone e deram entrada no SPU do Rio de Janeiro. […] E em apenas uma semana, esse Willer Tomaz, possivelmente com a ajuda do Flávio, conseguiu tomar a ilha do Richarlison. Tô pedindo pra Polícia Federal investigar para saber onde é que foi feito o trambique que tiraram do Pai do Bebê uma ilha que ele tinha pagado 10 milhões de reais. Nós estamos investigando. Quando ficar certo, meu querido, nós vamos dizer a verdade para você” , afirmou Lula.

A controvérsia teve início durante a pandemia da covid-19, em 2020 e 2021, quando Richarlison adquiriu o imóvel em sociedade com Renato Velasco e Alencar da Silveira Júnior, presidente do América-MG . Segundo o jogador, que investiu cerca de R$ 10 milhões no local, Flávio chegou a visitar a mansão e fez ofertas de compra, mas todas foram recusadas. Em janeiro de 2021, o senador retornou à propriedade, desta vez acompanhado de Willer Tomaz.

A reviravolta ocorreu em maio de 2022, quando a esposa do empresário do atleta foi desocupada da casa por um oficial de Justiça. A ordem de reintegração de posse atendeu a um pedido da M Locadora, representada pelo ex-ministro Eugênio Aragão, que alegava ter a posse do registro imobiliário desde 1986. Paralelamente, Willer Tomaz utilizou sua empresa, a WT Administração , para quitar R$ 2 milhões em pendências fiscais da M Locadora por meio de um contrato de sub-rogação.

Com a garantia da posse em juízo, Tomaz regularizou a área na Secretaria do Patrimônio da União e transferiu o terreno para sua empresa. Ele alega ter investido R$ 5 milhões na operação e classifica os antigos ocupantes como “invasores” .

Para tentar reverter a decisão , os advogados de Richarlison pediram a inclusão de Flávio Bolsonaro como testemunha, visando comprovar que o imóvel não estava abandonado quando foi visitado pelo congressista. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça manteve a posse com a empresa de Tomaz em 2025.

O senador afirma não ter relação com o imóvel nem com a ação judicial, ressaltando que foi arrolado apenas como testemunha. O caso voltou a ganhar força nas redes sociais em outubro de 2026, depois de Richarlison comentar “e a minha ilha? “ em uma publicação de Flávio no Instagram.

Posteriormente, o atleta divulgou um vídeo cobrando investigações da Polícia Federal , afirmando que a Justiça falhou. O jogador também disse que o senador e o advogado tomaram o imóvel “na mão grande” sem desembolsar o valor da compra. Richarlison prometeu doar parte do dinheiro ao hospital de sua cidade natal, Nova Venécia (ES), caso consiga reaver o montante investido.

O Poder360 questionou o advogado Willer Tomaz e a assessoria do senador Flávio Bolsonaro sobre a declaração do presidente Lula, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Este texto será atualizado assim que alguma manifestação for recebida.